Mino Carta responde à procuradora eleitoral

Por Bob Fernandes (do Portal Terra)

O diretor de redação e sócio majoritário da revista Carta Capital, Mino Carta, recebeu da vice-procuradora-geral eleitoral Sandra Cureau ofício em que a integrante do Ministério Público cobra, no prazo de cinco dias, “relação das publicidades do governo federal dos anos 2009/2010, os respectivos contratos, bem como os valores recebidos a esse título”. A respeito deste ofício, ouvi há pouco o diretor de redação da Carta Capital, Mino Carta.

Temos aqui o teor de um ofício encaminhado a você e à revista Carta Capital pela procuradora Sandra Cureau e gostaríamos de saber o que o senhor, como diretor de redação, tem a dizer.
Mino Carta – Eu penso que isso é uma atitude indevida, não teria sentido sequer se fosse dirigida a mesma requisição às demais editoras do País. Entenderia que assim se fizesse junto ao próprio governo federal.

Isso, na prática, tem qual significado?
Mino Carta – Significa que a senhora Cureau entende que nós somos comprados pelo governo federal, via publicidade. Se ela se dedicasse, ou se dedicar, porém, à mesma investigação junto às demais editoras de jornais, revista, e outros órgãos da mídia verificaria, verificará, talvez com alguma surpresa, que todos eles têm publicidade de instituições do governo em quantidade muito maior e com valor maior do que Carta Capital.

O que você…
Mino Carta – Aliás, me ocorre recordar que durante o governo tucano de Fernando Henrique Cardoso, dito FHC, fomos literalmente perseguidos pela absoluta ausência de publicidade do governo federal. E a pergunta que faço é a seguinte: então, alguém, inclusive na mídia, se incomodou com isso? Ninguém considerou esse fato estranho? Uma revista de alcance nacional não receber publicidade alguma enquanto todas as demais recebiam?

Mino é fera. Que ninguém brinque com o homem. Curiosamente, essa pressão sobre a Carta Capital acontece logo depois da reportagem devastadora, de Leandro Fortes, sobre a quebra de sigilo fiscal de 60 milhões de brasileiros pela filha de José Serra, Verônica.

7 comentários em “Mino Carta responde à procuradora eleitoral

  1. Gerson, sou leitor da Carta Capital e admirador de Mino Carta. Mas, independente disso, devo confessar que sinto estranheza quando vejo um veículo da imprensa se manifestar a favor deste ou daquele candidato.

    Entendo que essa postura compromete em algum momento a credibilidade da imprensa, justamente pela falta da imparcialidade no tratamento de temas correspondentes ao candidato escolhido pelo veículo.

    Diante desse quadro fico me perguntando se a imprensa não disvirtuou completamente seu verdadeiro papel que é de simplesmente bem informar, sem preferências, sem ser tedenciosa e parcial.

    Ou será que isso tudo é uma grande ilusão?

    Será que estou querendo demais de uma imprensa que, me parece, estar cada vez mais comprometida com o setor comercial da empresa do que propriamente com o leitor, ouvinte ou telespectador?

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  2. De sua parte, isso tudo é uma grande ilusão.
    Inexiste imprensa imparcial..A neutralidade nesse campo é ilusória – mormente na imprensa mercantil..Aonde a notícia é mero objeto comercial..
    Feliz aquele leitor que sabe qual a posição de seu veículo de informação. Nos EUA é comum a mídia assumir sua opção eleitoral. Lá existe um pouco mais de honertidade nesse campo..
    O que fez a Carta Capital foi agir com transparência. – sem camuflar posições. O que é muito salutar. Vc não verá isso por parte do Globo, do Estadão, da Veja etc.
    Deveriamos ter no Brasil uma clara distinção no campo da mídia:
    1 – uma mídia estatal/ oficial – como TV Nacional, TV Senado, TV Câmara, TV Justiça etc.
    2 – uma mídia mercantil – voltada para o entretenimento / novelas / esporte / humor / etc.
    3 – uma mídia pública – gerida pela sociedade civil – voltada para o debate plural das questões essenciais / compreensão das políticas públicas. Aonde, de fato, a cidadania buscaria a informação independente, o conhecimento mais preciso da realidade nacional.

    .

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  3. Confirma-se aquilo que ouví de um velho jornalista. Elogios e criticas não acontecem sem motivo. O leitor que se dane na busca das verdades.

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  4. lembro que no tempo do Barata o jornal O Liberal tinha sob o seu titulo a identificação Orgão de Imprensa do Partido Social Democrata e assim ficava claro que interesses ele defendia. Todos os hoje se dizem independentes mas nenhum é; os jormais religiosos ainda se identificam dezendo a que seita pertencem, tem também as publicações de faculdades, condominios, clubes sociais, etc. mas a chamada grande imprensa nacional e reconhecidamente partidária e infelizmente somente os formadores de opinião é que sabem disso. Acho que daca veiculo de comunicação deveria escrever ou dizer, conforme o veículo, a que facçao politico partidária representa.

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  5. AS ELITES ECONOMICAS, COM MUITA FORÇA NO JUDICIARIO, FICAM REVOLTADAS EM VER UM OPERÁRIO TENTAR VALORIZAR OS POBRES, NAO SEM ERROS, E UMA REVISTA DE ESQUERDA SER TRANSPARENTE EM UMA SOCIEDADE CUJA A ALTA BURGUESIA BURRA E HIPÓCRITA JÁ PERCEBEU QUE ESTÁ CADA DIA MAIS DIFICIL MANIPULAR AS MASSAS.

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  6. Num país de mosaico ideológico tão confuso como o nosso, também prefiro a identificação visível das posições defendidas por cada órgão de imprensa, como ocorre na Europa, onde os grandes jornais (Le Monde, The London Times, El País) são claramente atrelados a determinadas correntes políticas. Daí minha total solidariedade a Mino Carta e à sua Carta Capital, que, pelo menos, revelam publicamente suas preferências, coisa que TV Globo, Veja, Folha SP e Estadão jamais assumem – pelo contrário, fazem questão de tentar disfarçar sob um manto de neutralidade furreca.

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