O Paissandu, que nadava de braçada na liderança da chave A da Série C, passou a ter a companhia incômoda de Fortaleza e Águia em seus calcanhares. A situação ainda é relativamente cômoda porque o próximo jogo será em casa, contra adversário que está caindo pelas beiradas. Só um daqueles acidentes monumentais do futebol poderia fazer com que o São Raimundo tirasse pontos do Paissandu em plena Curuzu.
Apesar de toda essa facilidade, as deficiências demonstradas pelo time nas últimas partidas começam a angustiar Charles Guerreiro, que não esconde a inquietação com os problemas enfrentados no jogo diante do Águia, em Marabá, no último sábado.
O sufoco infernal sofrido pelo Paissandu durante todo o segundo tempo ainda está na memória do técnico. E, mesmo correndo o risco de contrariar dirigentes e torcedores, o técnico sinaliza para uma providência mais do que óbvia: o reaproveitamento do atacante Moisés, que caiu em desgraça depois de acionar judicialmente o clube tentando ficar livre para ir jogar no Santos de Ganso e Neymar.
O primeiro embate na Justiça do Trabalho terminou sem vencedores, mas outros rounds virão. O desgaste gerado pela atitude do jogador fez com que o técnico deixasse de aproveitá-lo em jogos importantes da Série C. Com contrato em andamento, Moisés poderia estar em campo fazendo jus ao salário que recebe.
Charles parece ter chegado a essa conclusão, a partir dos percalços surgidos desde que o Paissandu abriu mão dos serviços de seu mais habilidoso atacante e passou a improvisar Tiago Potiguar no ataque. Nos últimos quatro jogos, o time marcou cinco gols (somente 3 de atacantes) e ganhou cinco dos 12 pontos em disputa. Evidências claras de que algo precisa ser feito logo para correção de rota, a fim de não perder força justamente nos momentos mais decisivos da competição.
Nesse sentido, a reintegração do atacante surge como opção natural e obrigatória. Se a idéia era punir o jogador pela briga judicial, está claro que a dose de castigo foi excessiva – para o Paissandu. Charles sabe que precisará de Moisés para atravessar as tormentas do mata-mata da Terceirona. O torcedor, mesmo a contragosto, vai ter que aceitar (e aplaudir) a volta do artilheiro.
Geo Araújo, comunicador de primeira linha, fez duas observações pertinentes, ontem, no programa Linha de Passe, da Rádio Clube. Por que, diante de tantas outras opções – como as sedes náutica e social, além do ginásio –, a Justiça do Trabalho arrolou justamente para execução de dívidas o bem mais valioso do Clube do Remo, o estádio Evandro Almeida? E mais: por que não foram efetuados os bloqueios das rendas do clube depois que o presidente deliberadamente deixou de cumprir os acordos do Projeto Conciliar?
(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta terça-feira, 31)
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