Coluna: O triunfo da competência

Sem fazer loucuras, ousando na gestão e sem abusar da inteligência de seus torcedores, o Internacional se credencia como o clube a ser imitado no cenário atual do futebol brasileiro. É o quinto clube do mundo em número de sócios torcedores, ultrapassando a casa dos 105 mil. Tem as contas sob controle, apesar de muitos débitos acumulados no passado. Mais importante: forma regularmente bons times, mesclando jogadores surgidos no próprio clube e contratações de maior vulto.
O panorama mudou no futebol pentacampeão. A lista de cinco maiores clubes em orçamentos anuais só inclui dois do eixo Rio-SP (São Paulo e Fluminense) com segurança. Os demais vêm de Minas (Cruzeiro) e Rio Grande do Sul (Grêmio e Inter), com o Colorado à frente.
Foi-se o tempo em que cariocas e paulistas dominavam a cena. Modelos como o do Flamengo, que foi referência – pelo menos na revelação de jogadores – nos anos 80, estão hoje condenados ao insucesso. Divisões políticas, vulnerabilidade para os agentes externos (investidores e empresários de atletas) e desordem gerencial são as marcas do Rubro-Negro, cujas esperanças de redenção estão nas mãos de Patrícia Amorim e Zico, coincidentemente dois ex-atletas do clube.
Nem mesmo o São Paulo, que esbanjava opulência econômica e voracidade na conquista de títulos importantes, serve mais como referência. A administração centralizadora de Juvenal Juvêncio, que até arrancou elogios quando o time brilhava em campo, já é vista com reservas, pela dependência da política de exportação de craques. Quando não há mercadoria à venda, o clube sofre, como nos dois últimos anos.
No caso do Inter, a pujança administrativa está diretamente vinculada aos êxitos dentro de campo. Há equilíbrio entre planejamento (sempre ele) e resultado. O sistema funciona tão bem que permite administrar bem até mesmo a obsessão em relação ao rival.
Enquanto não igualou a façanha do rival Grêmio, campeão do mundo em 1983, o Inter não sossegou. Agora, corre para tirar outra diferença. Os tricolores são bicampeões da Libertadores (1983 e 1995). O Colorado pode empatar essa contagem hoje à noite, na decisão com o Chivas, no Beira-Rio. Mais que isso: já está nas finais do Mundial de Clubes, com boas perspectivas de suplantar o tradicional oponente nessa porfia particular.
 
 
O anúncio da contratação pelo Real Madri do meia-armador alemão Özil, de origem turca, acrescenta novo capítulo de incertezas ao futuro de Kaká no clube espanhol. Sob desconfiança generalizada no Santiago Bernabeu, pois muitos acham que veio lesionado do Milan, o brasileiro encara a recuperação da cirurgia, sabendo que precisará se empenhar muito para convencer o exigente José Mourinho a mantê-lo no grupo. A chegada do jovem Özil, que teve grande atuação na Copa da África do Sul – ao contrário de Kaká –, pode significar que o Special One já fez sua escolha. 

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta quarta-feira, 18)  

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