Três alterações importantes na escalação do Remo para enfrentar o América (AM) indicam dois rumos para a atual situação do time. Primeiro, demonstram a necessidade de mudanças de ordem técnica e tática diante das más atuações nos últimos jogos e da campanha ainda inconsistente no Brasileiro da Série D. Expressam, também, cobranças cada vez maiores sobre o técnico Giba, cujo papel começa a ser questionado em função principalmente dos anseios por um novo título nacional.
As mexidas atingem os três setores. Na lateral-direita, Levy substitui Lima. No meio-campo, entra Canindé e sai Gian. O ataque terá Vélber no lugar de Landu, que se machucou no treino de sexta-feira. A alteração no setor de criação é, de longe, a mais radical. Canindé vai fazer par com Gilsinho e, pelas características, será um trabalho mais de passes rápidos e tabelinhas do que voltado para lançamentos em profundidade.
O jogo, aliás, não deve permitir tantos espaços, já que o visitante gosta de explorar o contra-ataque, resguardando-se no setor defensivo. Nesse aspecto, a ausência de Landu acabou ajudando Giba a mexer no ataque para um jogo que não seria propício para atacantes velocistas. Vélber, que sabe jogar na frente, aproxima-se bastante dos homens de meio-campo e é provável que a torcida veja uma espécie de triângulo rondando a área amazonense. O risco é isolar ainda mais Zé Carlos na área, como se verificou nos confrontos contra Cristal e este mesmo América.
Sem jogadas aéreas para o centroavante, ele perde utilidade na área. Especialista no cabeceio, mas sem traquejo para jogadas de habilidade, Zé Carlos ainda não marcou na competição e já entrou na alça de mira do exigente torcedor azulino. É muito provável que as críticas sejam injustas.
Mais do que competência do atacante está faltando é criatividade para explorar seus recursos. Com Vélber talvez surjam mais chances de gol do que ocorre com Landu, pelo simples fato de que o meia-atacante dispõe de um repertório mais variado de jogadas, é menos previsível.
A presença de Levy pela direta pode contribuir para furar o bloqueio defensivo adversário. Nos últimos amistosos do time B, Levy exercitou sua vocação ofensiva, nem sempre bem aproveitada no Baenão. Marcou gols, participou das tramas do ataque. Mostrou-se, enfim, em condição de ser titular. Precisa provar hoje que está à altura da nova chance.
Os gaúchos voltam a dominar o cenário futebolístico nacional. A rivalidade tem um aspecto motivador, sedimentando o crescimento dos velhos antagonistas Internacional e Grêmio. Basta ver o que ambos têm conquistado nos últimos anos. O tricolor foi 3º colocado no Brasileiro em 2006, vice da Libertadores em 2007, vice brasileiro em 2008 e 3º na Libertadores no ano passado. O Colorado foi vice do Brasil em 2005. Conquistou a Libertadores e o Mundial Interclubes no ano seguinte. Faturou a Recopa em 2007. Levou a Sul-Americana em 2008 e ficou em 2º no Brasileiro 2009. Agora, já é finalista do Interclubes outra vez. Está mais do que claro que o sucesso de um alimenta a sede de crescimento do outro. E ambos ficam cada vez maiores. Seria maravilhoso se a dupla paraense pensasse e agisse da mesma forma.
(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO deste domingo, 8)
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