Conexão África (11)

Será que a Argentina vai salvar a Copa?

A primeira reação à grande exibição de um time de futebol é manifestar simpatia e entusiasmo. Quando essa equipe é a rival Argentina, a empolgação é naturalmente reprimida, mas a verdade dos fatos não pode ser escondida. A seleção de Maradona fez, nesta quinta-feira, no Soccer City, o melhor jogo desta insossa Copa. E ninguém precisou que o adversário, a Coreia do Sul, jogasse alguma coisa. Um time só foi suficiente para fazer o espetáculo. E o encanto vem, obviamente, da quantidade de artistas reunidos por El Pibe. Feliz geração de craques sob o comando de um fora-de-série.
Mesmo não sendo técnico de verdade, Maradona tem a inclinação natural pelos bons de bola. Aí tudo fica mais fácil e simples: Higuaín, Di Maria, Tévez, Aguero (que entrou no final), Mascherano, Maxi Rodriguez e Messi, claro. Nenhuma outra seleção tem tal contingente de jogadores decisivos. Sorte dos argentinos que seu comandante gosta de gols, dribles em velocidade, passes sob medida. Como todo time habilidoso, a Argentina valoriza muito a posse de bola. Faz as jogadas passarem por quatro, cinco jogadores. Ao contrário do Brasil, esses passes são objetivos, não atrasam o jogo.
Contra a Coreia do Sul recuada, formando a mesma dupla linha de marcadores, o sofrimento argentino para abrir o placar durou apenas 17
minutos. E veio pelos pés de Park Chu Young, o craque sul-coreano, titular do Manchester United. Apavorado diante de uma cobrança perfeita de falta, mandou para as próprias redes. Mas não foi um lance casual. A Argentina já buscava o gol decididamente desde que a bola rolou. Criou seis chances claras, mas falhava no disparo final. Depois de 1 a 0, o time se lançou com mais voracidade ainda, tentando aumentar a diferença. Aos 33, em linha de passe na área, a bola sobrou para Higuaín cumprimentar para o barbante, com a colaboração do goleiro Jung Sung Ryong.
Aí, como é normal em times que cultivam a ofensividade, sobreveio um pequeno apagão e a Coreia descontou no derradeiro minuto do primeiro
tempo. O gol deu a impressão de que o jogo podia ficar difícil. E realmente ficou. Os primeiros movimentos da etapa final foram todos sul-coreanos, com boas triangulações e tentativas de chutes a gol.
Surgiam buracos na zaga argentina, De Michelis e Samuel erravam nas antecipações, mas a falta de objetividade do adversário não permitiu que esses vacilos fossem aproveitados. O cavalo passou selado e o empate não veio. Em poucos minutos, tudo mudou. Higuaín assumiu a artilharia do mundial, aproveitando dois contragolpes fulminantes, puxados por Messi e Aguero.
É a prova cabal e definitiva de que, quanto mais craques em campo, mais possibilidades de gol. Maradona sabe disso e está, aos poucos, exercitando essa crença. Depois da conduta errática nas eliminátórias sul-americanas, seu time começa a tomar forma no momento certo e é o primeiro a se classificar para as oitavas-de-final – com um pé nas costas. Pode até não chegar ao título, pois o mata-mata das próximas etapas costuma ser ingrato com favoritos, mas ainda vai nos brindar com grandes atuações de seus craques.

Maradona, sempre uma atração

Como na estreia diante da Nigeria, Diego Maradona voltou a brilhar, mesmo restrito àquele curto espaço ao lado do campo. Ao substituir Higuaín, quase ao final, recebeu seu atacante com os punhos cerrados, vibrando muito. Em seguida, deu-lhe um forte e demorado abraço. Antes, já havia arrancado aplausos ao dominar com elegância um bola que escapou pela linha de lado – e, obviamente, ofereceu-se em sua direção. Depois do jogo, na entrevista coletiva, esbanjou bom humor e agudeza de raciocínio. Bem articulado, evitou pedir desculpas ao Rei Pelé pelas farpas lançadas recentemente, mas sem mágoa, ira ou ressentimento. Coisa de eterno craque.

Palpite fora da realidade

Na burocrática entrevista de todo dia, Nilmar arriscou dizer que, caso se cruzem nas oitavas, Brasil e Espanha irão realizar uma espécie de “final antecipada”. Nada mais fora da realidade desta Copa. Nem o Brasil, nem a Espanha mostraram credenciais para serem finalistas. O futebol de resultados de Dunga diante da Coreia do Norte e o amarelão espanhol contra a Suíça permitem dizer que as duas esquadras precisam melhorar muito para começarem a sonhar com a final do torneio.

Câmera Big Brother vigia a todos

Na Copa da Alemanha, em 2006, a Fifa estreou o sistema de telão nos estádios, exibindo imagens ao vivo dos jogos. Surgiram questionamentos, mas com o tempo o futebol assimilou a nova prática, que veio em socorro do espectador presente ao jogo. Lances confusos, marcação de impedimentos e pênaltis passaram a ser mostrados no ato, para desespero dos árbitros. Nesta Copa, um novo passo foi dado. Uma câmera tipo Big Brother, suspensa por fios sobre o gramado, não permite que nenhuma ação dos jogadores ou da arbitragem passe despercebida. Chega a ser uma covardia, mas as deslumbrantes imagens em HD fazem deste o mundial da transparência absoluta.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta sexta-feira, 18)

13 comentários em “Conexão África (11)

  1. Ainda espero por um adversário mais forte para dizer que a Argentina é forte candidata. Até agora só pegou carne sem osso.

  2. Desta décima primeira conexão, me permita uma única e ligeira divergência: acho que o momento certo para uma Seleção tomar forma é exatamente a fase do mata-mata, quando os adversários geralmente não costumam perdoar apagões, erros e vacilos de zagueiros e nem dispensar os cavalos que passam selados. Na primeira fase geralmente os adversários dos supostos favoritos de sempre são mais frágeis o que nem sempre permite aquilatar com precisão o potencial dos ditos Titans. E o grupo da Argentina, com Coréia do Sul e Grécia é um típico exemplo desta realidade. Espero que o Brasil consiga ir em frente para quem sabe, lá adiante, possa testar a força e a beleza do futebol da Argentina.

  3. Realmente, Gerson, Maradona é um eterno craque.

    Merece ter sucesso coma seleção argentina.

    A Seleção Argentina tem a cara de Maradona, pois joga com vontade.

  4. A defesa é fraca e ainda não foi testada, não sei vcs observaram que o Maradona tem 2 auxiliares que ficam o tempo todo buzinando no ouvido dele.

    1. Concordo com você caro Otavio, realmente a defesa deles e parecida com a do remo, parece ate que o Pedro Paulo e Marcio Nunes a compõem, mais além da fraquesa da defesa, ele não tem um bom preparo físico, quando chega aos 10 minutos do segunto tempo, muitos jogadores do time Argentino, começam a se arrastar em campo, aconteceu em todos os seus jogos, o preparador físico deles não é o (José Jorge do remo).

  5. Se a Argentina pegou baba, o Brasil pegou o que? Mesma desculpa da chuva, da chuteira e da estreia. Na verdade, competencia nao se discute. Nao gosto dos comentarios do Maradona, porque e poelmico pela polemica, algo que o jornalismo adora e o Pele ainda responde. Se o rei ficasse calado, o deus(?) calaria a boca.

    1. O foco é a Argentina. Não dê uma de Maradona querendo fazer comparações, amigo Jorge. Somos penta e isso diz tudo. Os argentinos ganharam a copa de 78 politicamente, a de 82 com méritos, aí sim maradona pode se envaidecer e só.

      1. Eu não vi o Pelé jogar futebol, mais pelo que meu pai, já me disso sobre este nego, são coisas para ficar de cabelo em pé. Mais comparar o Maradona, que este eu vi jogar, com o nosso dito Rei do futebol, Pelé, torna-se uma eresia, tanto, que acho que como Maradona, o Brasil teve um monte de jogadores bem superiores ao único, jogador importante que a Argentina já viu, temos Rivelino, Gerson, Tostão, Coutinho, Jairzinho, Didi, Socrates, Zico, Romario, Ronaldo, Ronaldo Gaucho, e agora Ganso e Neimar. Ta bom se não vai ser muita humilhação a turma do Maradona.

  6. Gerson, meu filho, esse cara que vc chamou de craque da coréia do sul e titular do Manchester é outro jogador, aquele, dono das alcunhas acima é o PARK JI SUNG, não viaja!

    Hehehhe, vc é bom, mas eu sou melhor!

    Grande abraço!

  7. O problema Berlli – e eu nao gosto disso – e que o foco dos jornalistas nao e a Argentina, mas as declaracoes estupidas do tecnico. Todo mundo sabe que o Maradona nao e tecnico, mas esta dando certo. O problema e que quando perdia ja dizia bobagens, imagina agora.

  8. Médias argentinas : ataque = 10; meio-campo = 8; defeza 6.
    Atuação individual e às vezes isoladas, é o fascinio do torcedor brasileiro. Por isso vemos maravilhas desde o treinador, no time argentino.
    Até agora o time do Maradona, independente das goledas, foi o que apresentou melhor futebol, mas longe de ser um time fóra de série. Assim penso e não discuto.

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