Mais que o ataque, o meio-de-campo é sempre decisivo num time de futebol, capaz de sozinho transformar conjuntos pouco mais que medianos em eficientes máquinas de gols. Sua importância é maior que a do setor ofensivo porque cria as condições para que os gols aconteçam. Não por coincidência, remistas e bicolores estão fechando a semana de preparativos para o clássico de amanhã debruçando-se exatamente sobre a composição da meia-cancha.
O Paissandu, que tem o meio-campo mais arrumado deste campeonato, desde que a diretoria achou Tiago Potiguar e Charles arranjou um lugar para ele no time, projeta sensatamente a escalação dos quatro jogadores que deram equilíbrio à equipe. Tácio, Sandro, Fabrício e Tiago são os principais responsáveis pela virada no campeonato, a partir da semifinal do primeiro turno, em Tucuruí.
Até então, o time esbarrava num problema crônico: tinha um talentoso atacante, Moisés, mas a bola quase não chegava até ele. Por isso, os resultados eram sempre magros e os empates se sucediam. Bastou arrumar a armação para que o ataque fizesse sua parte.
Contra o Remo, nas finais do turno, o quarteto foi fundamental para reverter o favoritismo. Ajudou o time a marcar sete gols em duas partidas, sofrendo cinco. Num confronto marcado por intensa rivalidade e equilíbrio, é significativo que os gols surgissem com tanta facilidade.
Prova de que o meio-campo realmente conseguiu total entrosamento. Tácio e Sandro guarnecem bem a defesa e ajudam na saída de bola. A transição é feita por Fabrício e Tiago, sendo que este quase sempre se transforma num terceiro atacante, pela facilidade do drible e do arremate. Por essa razão, é improvável que Charles mexa na composição titular. Ele sabe, como quase todo mundo, que o caminho das pedras é exatamente por ali.
No Remo, ao contrário, a arrumação ainda não se efetivou. Em alguns jogos, o meio-campo funciona por música. Em outros, parece um bando disperso, sem rosto. Por ali, somente Danilo e Gian mostraram regularidade no campeonato inteiro. Os demais jogadores do setor (Fabrício Carvalho, Otacílio, Ramon, Vélber e Samir) têm mostrado inconstância, embora nem sempre sejam culpados pela situação.
Explico: quando o Remo usava o 4-4-2, nos tempos de Sinomar Naves, o setor de criação até funcionava bem, dependendo da combatividade de Danilo e dos lançamentos de Gian. Quando Giba chegou, o sistema foi mudado e o que não estava perfeito ficou entregue à desarrumação. O 3-5-2 obriga o meia-armador a ser bastante dinâmico, o que dificultou as coisas para Gian, repentinamente obrigado a criar e marcar.
Depois de muito insistir, Giba reviu seus conceitos e simplificou as coisas. Hoje, o Remo persegue o entrosamento perdido por ali, ainda sem mostrar estabilidade plena. Danilo, Didão, Gian e Vélber (ou Samir) seriam nomes óbvios, mas a inclusão de Otacílio compromete a produção de todos.
(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta sexta-feira, 7)
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