A Federação Nacional dos Jornalistas e os Sindicatos de todo o Brasil programam ações para esta sexta-feira, 23 de abril, quando  Gilmar Mendes transfere a presidência para o ministro Cezar Peluso. Dos onze ministros do STF, quatro já foram presidentes (Celso de Mello, Marco Aurélio, Ellen Gracie e Gilmar Mendes).
 
Desde 2008, enquanto Gilmar esteve à frente do STF, uma série de decisões tomadas deixou claro que critérios técnicos foram preteridos em função de outros, no mínimo escusos. Sob sua gestão, o Supremo também aboliu a Lei de Imprensa, transformando o Brasil no único país do mundo sem regulação para o setor. E além de dar declarações que extrapolavam suas atribuições, libertar o banqueiro Daniel Dantas e criminalizar os movimentos sociais, o presidente do STF foi o principal responsável pela derrubada da exigência do diploma para o exercício do jornalismo, em julgamento realizado em 17 de junho de 2009.
 
O ministro, indicado para o cargo pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, foi o relator do Recurso Extraordinário 511961 do Sindicato das Empresas de Rádio e TV de São Paulo contra a exigência do diploma. Mais uma vez escolheu o lado mais forte. Votou em defesa dos grandes empresários de comunicação. 
 
No dia do julgamento, Mendes demonstrou má-fé e, no mínimo, desconhecimento sobre a profissão, ao contrário do que se espera do representante máximo do Judiciário. “A profissão de jornalista não oferece perigo de dano à coletividade tais como medicina, engenharia, advocacia nesse sentido por não implicar tais riscos não poderia exigir um diploma para exercer a profissão. Não há razão para se acreditar que a exigência do diploma seja a forma mais adequada para evitar o exercício abusivo da profissão”, disse, demonstrando ignorância sobre o fazer jornalístico.

Gilmar Mendes chegou a comparar a profissão de jornalista com a de cozinheiro. “Um excelente chefe de cozinha poderá ser formado numa faculdade de culinária, o que não legitima estarmos a exigir que toda e qualquer refeição seja feita por profissional registrado mediante diploma de curso superior nessa área. O Poder Público não pode restringir, dessa forma, a liberdade profissional no âmbito da culinária”.
 
A luta pelo restabelecimento do diploma prossegue no Legislativo. E cabe a nós, jornalistas, estudantes e professores de Jornalismo de todo o Brasil, continuar acompanhando, pressionando e lutando contra as decisões elitistas e equivocadas tomadas pelo STF. Defender a regulamentação profissional dos jornalistas é lutar pela democracia e contra a sanha desregulamentadora e desreguladora que atinge não somente a nossa categoria, mas muitos outros segmentos dos trabalhadores e da sociedade. (Texto distribuído pelo Sindicato dos Jornalistas do Pará)

7 responses to “Já vai tarde”

  1. Avatar de Diogo Papão - Melhor Brasileiro na Libertadores
    Diogo Papão – Melhor Brasileiro na Libertadores

    Esse cara é um grande mafioso! Não é de estranhar que ele seja tão parecido fisicamente com aquele personagem do político corrupto da Praça é Nossa!

  2. Avatar de Vicente
    Vicente

    Um dia nesse país presidente de órgão colegiado (no caso indicado por mero rodízio) será visto apenas como coordenador dos trabalhos internos. E sempre falará ao público como portavoz desse colegiado – e não como se fosse imperador!
    É o nosso hábito do presidencialismo mandonista. Felizmente, o próximo (Cesar Peluso) é discreto e equilibrado. Não teremos saudades do “baluarte do conservadorismo legalista”

    1. Avatar de blogdogersonnogueira
      blogdogersonnogueira

      Deus lhe ouça, caro Vicente. Essa presunção de autoridade suprema é, infelizmente, um vício que acomete a quase todos que usam toga.

  3. Avatar de Cássio de Andrade
    Cássio de Andrade

    Perdem as elites agrárias e bandidas, o seu mais ilustre representante na egrégia corte.

  4. Avatar de Bruno Figueiredo

    Graças a Deus já vai muito tarde mesmo. Contei os dias por esse momento. Os argumento para queda da exigência do diploma foram no mínimo ridículos.

  5. Avatar de Tavernard Neves
    Tavernard Neves

    Rubens Ricupero, ilibado, competente e culto foi execrado pelo uso da expressão “não terei escrúpulos” referindo-se ao PT, num papo em off. Ricupero nos conta em livro (Diario de Bordo) registros da viagem que fez com Tancredo Neves, testemunhando fatos que passam à historia recente da Pindorama. Conta a resposta de Tancredo quendo ouviu do Pte. de Portugal (Ramalho Eanes) o interesse de levantar a arvore genealógica açoriana da familia de Tancredo. O velho mineiro respondeu : ” não balance muito a arvore pois pode cair um macaco” .
    Ricupero gozava da confiança irrestrita de Tancredo Neves e também da amizade familiar.

  6. Avatar de Tavernard Neves
    Tavernard Neves

    Só para nao esquecer. Hoje ,23, é o Dia Internacional do Livro. Jorge Luis Borges celebrizou a frase: ” sempre imaginei o paraiso como uma grande biblioteca “. Verdade.
    É verdade também que para alguns a biblioteca é um grande inferno.

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