Quando um ente querido aniversaria, a gente normalmente transforma a data em motivo para festejos, encontros e homenagens. Pois hoje é dia de fazer um barulho danado porque instituição importantíssima, dos poucos orgulhos que nos resta neste Pará tão pouco valorizado pelos seus filhos – há quem planeje até esquartejá-lo, reduzindo-o a quase nada –, faz aniversário. A nossa Rádio Clube, quarta emissora criada no Brasil, está no berço e cada vez mais presente na vida dos paraenses.
Nesses 82 anos de vida, a PRC-5, voz que fala e canta para a planície desde os idos de 40 e 50, desafiou todas as teorias derrotistas que apontavam o rádio como veículo fadado à extinção depois que a televisão tomou a dianteira e caiu no gosto médio da população no Brasil. Ledo engano. A Clube seguiu altaneira, poderosa e campeã nos lares, bares, esquinas e estádios paraenses.
Pela parte que me toca, posso atestar que os astros da emissora nos anos 60/70, Edyr de Paiva Proença à frente, rivalizavam em pé de igualdade no velho rádio Transglobe lá da casa de meu pai em Baião com os estelares Waldyr Amaral, Jorge Cúri, João Saldanha, Doalcei Bueno de Camargo, Fiori Giugliotti, Rui Porto e Mário Vianna.
Nos dias que correm, a banda esportiva da programação continua imbatível, referência absoluta no futebol paraense. Ninguém, em sã consciência, acompanha um jogo de futebol – no estádio ou pela TV – sem se valer da credibilidade dos informes da emissora.
Sou suspeito, obviamente, pela condição de orgulhoso integrante da equipe de Guilherme Guerreiro, desde a Copa de 2006, mas a audiência predominante em todos os segmentos valida minha opinião. A verdade é que, mesmo nos piores momentos dos nossos clubes, a emissora sempre foi um ponto de referência, até por que não se faz futebol no Pará sem sua luxuosa presença. Parabéns, Clube.
Ao ver o Flamengo desfilar passes errados e chutes a esmo fica difícil imaginar que, há apenas quatro meses, esse time era incensado como melhor do Brasil. Mais inacreditável ainda é a atual performance de seu principal jogador na conquista do título nacional. Adriano, em meio a escaramuças extra-campo, tornou-se uma nulidade no ataque rubro-negro – com presença incerta na Seleção Brasileira que estará disputando a Copa daqui a um mês e pouco.
Contra o tosco time do Caracas, cujo fraquíssimo goleiro aceitou duas bolas fáceis em chutes do Flamengo, os campeões brasileiros deixaram a clara impressão de que irão passar em brancas nuvens pela Taça Libertadores, caso não mudem drasticamente a forma de jogar.
Comunidade botafoguense, ainda entusiasmada com a conquista do título carioca, realiza grande comemoração neste sábado, a partir das 13h, no Bistrô Baú, na D. Romualdo de Seixas. Será o Feijão do Fogão Campeão, organizado por Jorge Ohana e Dênis Cavalcante.
(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta quinta-feira, 22)
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