Por Cristiano Dias (O Estado de S. Paulo)

Centro de Johannesburgo, tarde de sábado. Em plena luz do dia, na saída do Carlton Center, um dos mais importantes edifícios comerciais da África do Sul, fui atacado por nove homens armados que me jogaram ao chão. Levaram documentos e dinheiro, mas me deixaram a vida. Desde então, me pergunto se esse país tem ou não condição de organizar uma Copa do Mundo. Dentro de 60 dias, estarão aqui as melhores seleções e os jogadores mais caros do mundo. Com eles, virão jornalistas e alguns milhares de torcedores. Baseado no fato de que tudo isso é inexorável, a resposta é sim, haverá uma Copa. Será a Copa da África, mas não será uma Copa qualquer.

Não haverá torcedores comemorando pelas ruas. Confraternização, só em bares dentro de shoppings ou em lobbies de hotel. Em jogos noturnos, preocupação em dobro. Não haverá aqui jantares varando a madrugada. A volta para casa não será uma caminhada feita de conversas amenas sobre futebol. Johannesburgo não é Berlim ou Paris – ressalva seja feita, também não é como outras cidades sul-africanas, bem menos violentas.

Para os brasileiros, que acham que tudo isso é uma bobagem porque já estão acostumados com a violência das grandes cidades, um alerta: abram os dois olhos. Separados pela distância de um oceano, é difícil ter a dimensão do que foi o apartheid. Nosso único parâmetro seria a escravidão, no período colonial, que terminou 122 anos atrás.

Em termos históricos, o fim do apartheid e a eleição de Nelson Mandela são eventos recentes. É impossível exigir que a África do Sul supere o passado em tão pouco tempo. Voltando à comparação, seria como se a princesa Isabel assinasse a Lei Áurea em 1991 e, três anos depois, o Brasil elegesse Zumbi dos Palmares como presidente. Mudança radical.

Clima pesado. O clima na África do Sul é pesado, o ressentimento está no ar. E nem é preciso ter tanta sensibilidade para perceber, basta olhar as estatísticas. Todos os dias são registrados 50 assassinatos, 100 estupros e 700 assaltos à mão armada – isso entre uma população quatro vezes menor do que a brasileira. Muitos sul-africanos começam a perder a paciência. Metade da população negra está desempregada. A euforia criada pela Copa do Mundo fez com que muitos acreditassem na miragem da redenção. Mas os empregos não vieram. O Mundial enriqueceu poucos. Ou, como me disse um sujeito na fila de um banco: “A Copa está chegando, mas e daí?”.

Égua, sumano, agora deu medo… e pensar que ainda é preciso enfrentar oito horas de voo até lá.

23 respostas a “Repórter brasileiro agredido na África do Sul”

  1. Avatar de Diogo Papão - Melhor do Brasil na Libertadores
    Diogo Papão – Melhor do Brasil na Libertadores

    Verdade, Gerson. Violência por violência, melhor morrer assassinado por aqui mesmo, perto de casa, sem grandes trantornos burocráticos envolvendo traslado de corpo.

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    1. Avatar de blogdogersonnogueira
      blogdogersonnogueira

      PQP, amigo Diogo. Depois desse estímulo todo, tou quase correndo da raia… heheheh…

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      1. Avatar de Fábio Sá
        Fábio Sá

        Hei, Gérson. Se quiser eu vou no teu lugar. kkkk!!!

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      2. Avatar de blogdogersonnogueira
        blogdogersonnogueira

        Hehehe, foi de brincadeira, Fábio… estaremos firmes nessa brigada paraense na cobertura do mundial africano, junto com Tomazão, Valmireko e provavelmente Géo Araújo.

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  2. Avatar de Vicente
    Vicente

    Vai lá, mano véio. Nunca ouvi falar que o pessoal de Baião corresse da raia. Pelo menos pode virar notícia – teremos um belo obtuário.

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    1. Avatar de blogdogersonnogueira
      blogdogersonnogueira

      Éguaaaa, mano Vicente… assim eu embarco de vez na primeira canoa de volta pra Baião.

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  3. Avatar de Juca
    Juca

    Gerson,leva uns 5 segurança,bancado pela governadora,quem sabe ela da essa forra,depois de deixar o Pará perder a sede da copa e o Gp de atletismo.

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    1. Avatar de blogdogersonnogueira
      blogdogersonnogueira

      Boa, grande Juca… vamos ver se ela nos arranja uns armários pra garantir a turma da Clube.

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  4. Avatar de Marlene da Silva
    Marlene da Silva

    Morrer durante a cobertura de uma Copa do Mundo. Penso que seja a melhor maneira de um jornalista esportivo partir dessa pra melhor.

    Não que eu queira isso pra você, Gerson. Ainda tens algumas copas pela frente.

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    1. Avatar de blogdogersonnogueira
      blogdogersonnogueira

      Humm, hum. Bem posto, sumida Marlene. Cada voto mais estimulante que o outro, tou ficando animado. Hehehe

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  5. Avatar de Cláudio Santos - Técnico do Columbia de Val de Cans
    Cláudio Santos – Técnico do Columbia de Val de Cans

    Penso eu, que a essa hora, o Gerson já está reunido com o Guerreiro, pedindo seu desligamento da turma da clube que vai cobrir a copa, devido a esses “estímulos” dos amigos. rsrsrsrr

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    1. Avatar de blogdogersonnogueira
      blogdogersonnogueira

      Hehehe, mas um legítimo filho da Estrela Solitária não foge à luta, grande Cláudio… a África que nos aguarde.

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  6. Avatar de Acácio
    Acácio

    Gerson, vai para Baião e comenta da tua rede.

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    1. Avatar de blogdogersonnogueira
      blogdogersonnogueira

      Grande ideia, Acácio… tenho pensado nisso

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  7. Avatar de Jorge Santos
    Jorge Santos

    Quando o cel Nunes falou, todo mundo caiu de pau. Insinuou-se ate crise diplomatica. Aconteceu. E agora?

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    1. Avatar de blogdogersonnogueira
      blogdogersonnogueira

      E não é que o coronel tinha razão, Jorge? Queimei a língua feio dessa vez…

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  8. Avatar de Kelson
    Kelson

    Esse jornalista mora em qual cidade da Suécia ? Pura preconceito….ele deve ser do time que acha que as famosas “vuvuzelas” são um absurdo !!!

    Quanto ao nobre GN… esse não foge da raia…

    Abs,

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    1. Avatar de blogdogersonnogueira
      blogdogersonnogueira

      Obrigado pela confiança na fibra baionense, caro Kelson. Espero não decepcioná-lo.

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  9. Avatar de Sylvio Novoa
    Sylvio Novoa

    Como o cara e do Estadao, a midia do sul nao vai falar nada…

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  10. Avatar de Carlos Berlli
    Carlos Berlli

    A África do Sul foi pedra marcada para a Copa 2010, como a Brasil para sediar em 2014, sem levar em conta as consequências. Na Africa a questão social que já quisito de reprovação. O Brasil por achar que há capacidade e competência para montar uma estrutura a altura e o que temos testemunhado é o tempo correndo e já o Murumbí, palco para abertura, sendo vetado. Dos males o menor foi Belém ficar de fora. Já pensou o quanto a nossa governadora estaria perdida no meio desta multidão? Jeitinho brasiliero só entre nós, daí para diante é passar vergonha.

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  11. Avatar de Edmundo, Neves
    Edmundo, Neves

    Gerson, qq dia lhe convido pra ir assistir uma partida nos campinhos da grande Belem…pra vc ir se acostumando ha ha ha … qdno chegar a Africa, não lhe causara espanto a violencia…rsrsrs

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  12. Avatar de Marcelo Maciel

    Já querem deixar o “Pequenininho”…

    Pow Gersão, “gol é bom muito bom bom bom”.

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  13. Avatar de Sérgio Soeiro
    Sérgio Soeiro

    Acho que é preconceito. Claro que deverão ser tomadas medidas de segurança além das necessárias quando de copas realizadas em cidades de primeiro mundo.
    Seria algo muito parecido com as medidas tomadas no carnaval baiano.
    Além de quê, violência não é privilégio somente do terceiro mundo. Tenho um grupo de amigos que assistiu a Copa de 1998, na França (quase que eu ia), que passou uma experiência terrível nas mãos de um bando de hooligans ingleses em conluio com os skinheads.

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