O Remo não podia esperar um fim de semana mais favorável. No sábado, o Ananindeua operou o milagre de parar o Independente, em Tucuruí, virando o placar em apenas sete minutos. Ontem, o time de Giba venceu seu primeiro Re-Pa no atual campeonato e ainda lucrou com os tropeços de S. Raimundo e Cametá, em Santarém.
A peça de resistência desse roteiro de felizes coincidências foi obviamente o clássico, que repetiu as mesmas doses de sofrimento e angústia para o torcedor remista, mas com desfecho diferente dos anteriores. O Remo, com firme postura defensiva no segundo tempo, conseguiu segurar o escore de 2 a 1 até o fim, mesmo jogando a maior parte do tempo com 10 jogadores – rotina de quase todos os duelos com o Paissandu nesta temporada.
Desta vez, porém, o samba mudou de tom. O adversário, que quase sempre soube aproveitar muito bem a superioridade numérica, perdeu-se em passes laterais e desperdiçou a velocidade inteligente de Tiago, Moisés e Fabrício. Aliás, foi a pior exibição do trio desde que começou a jogar sob o comando de Charles.
Foi também a mais desatenta atuação defensiva de Cláudio Allax, pois pelo seu lado surgiram os cruzamentos que garantiram a vitória remista. E, para regozijo azulino, foi por ali que brilhou a estrela de Marlon, um valor injustamente negligenciado pelos treinadores do clube.
Sob a orientação de Giba, mesmo improvisado na ala esquerda, Marlon já mostrou utilidade nas duas ocasiões em que o Remo usou o sistema 3-5-2. Contra o Santa Rosa, sofreu e converteu o pênalti salvador. Ontem, participou dos dois gols e lutou bravamente enquanto teve fôlego, tornando-se a melhor figura em campo.
As condições meteorológicas foram tão benéficas ao Remo que a vitória foi construída quando o Mangueirão ainda tinha um gramado razoavelmente bom. Quando as poças começaram a aparecer, Marciano já não estava em campo para enfrentar os zagueiros e disfarçar a precária condição física. E, por fim, quando tudo dá certo, até erros óbvios – como a desnecessária entrada de Otacílio – passam despercebidos. Coisas do futebol.
Um jogador experiente como Sandro não tem o direito de agir de maneira tão destemperada diante da marcação de uma falta boba, sem maiores conseqüências para o jogo. Desde o primeiro tempo do Re-Pa, o volante e capitão do Paissandu já vinha pressionando o árbitro com reclamações exageradas. No lance que levou à expulsão, voltou a protestar de forma insistente contra a marcação e praticamente pediu para tomar o segundo cartão amarelo. Depois, transtornado, completou a lambança, insultando o bandeirinha com xingamentos e acusações absurdas.
Quando vejo essas injustificáveis explosões de ira recordo sempre das cenas da célebre batalha dos Aflitos, quando o Grêmio com apenas sete jogadores conseguiu derrotar o Náutico. Todos enaltecem a bravura gremista, mas esquecem as agressões perpetradas contra o árbitro daquele jogo, transmitidas ao vivo pela TV. Quem comandava o esquadrão de ataque era justamente Sandro.
(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta segunda-feira, 12)
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