O torcedor nem sempre tem a oportunidade de ver bons jogos disputados por emergentes no Parazão. São eventos ignorados pela transmissão da TV no proclamado campeonato da interiorização e vítimas de mal disfarçado menosprezo, a começar pelo horário esquisito em que são encaixados. Foi o caso do clássico interiorano Ananindeua x Águia, ontem à tarde, no estádio Baenão.
Sob um mormaço de savana africana, os jogadores se lançaram à disputa com disposição de quem disputa taça. Mas, além da transpiração, as poucas testemunhas (190 pagantes) foram brindadas com um futebol de bom nível, praticado por alguns jogadores que poderiam estar vestindo as camisas de times das séries A ou B.
No primeiro tempo, a vontade superou a técnica e a pontaria foi atropelada pela afobação. Ainda assim, os dois lados proporcionaram jogadas inspiradas, próprias de equipes bem treinadas. O único gol saiu no minuto final, em escanteio cobrado por Soares com a perícia habitual, mas não se diga que faltou movimentação e chances de gol. Só o centroavante Jales, do Águia, desperdiçou três grandes oportunidades.
O melhor estava por vir no segundo tempo. Logo a um minuto, a rede voltou a balançar, em jogada dos espertos Canu e Marituba, com finalização deste último. Com o empate, o Ananindeua marchou resolutamente para a vitória. Ea começou a acontecer aos 7 minutos, com Mocajuba. Técnica e precisão no arremate.
O torcedor não teve nem tempo de se distrair. Dois minutos depois, nova igualdade. Lance executado por Tiago Marabá, que deu assistência milimétrica para o lateral Aldivan desviar do goleiro e balançar o barbante. O Águia estava de novo no jogo, disposto a perseguir a vitória.
A partir daí, descortina-se um cenário que agrada a todo torcedor. Disputa aberta, visando sempre o gol. Defesas sob pressão contínua. E aí o técnico Luís Oliveira saca seu grande trunfo, que estava no banco de reservas: o arisco Joãozinho, que já foi do Remo, mas que só se sente verdadeiramente em casa quando defende as cores do Ananindeua.
Pisou no gramado e foi logo infernizando a zaga marabaense. Numa tabelinha perfeita com Marituba apareceu, de repente, diante do goleiro Alan. Sem embaraço, tocou de lado para desempatar. João Galvão lançou mais um atacante (Márcio Rogério), tirou Tiago e seguiu rondando a área do Ananindeua, sem furar o bloqueio. Joãozinho, ao contrário, era implacável: saltou com os beques e usou a cabeça no quarto gol.
O placar ainda seria movimentado, por Daniel, em cabeçada elegante, diminuindo a diferença. Gustavo, nos acréscimos, mandou bola na trave, mas o Ananindeua não deixou escapar o triunfo. Por justiça, deve-se registrar que, além de todos os citados, o espetáculo teve também participações especiais de Cledir, Fabinho Paraense, Gil e Analdo.
(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta sexta-feira, 22)
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