Sob o império da maturidade. Poderia ser este o argumento bonito dos grandes clubes brasileiros para explicar a busca, surpreendente, por jogadores trintões para a temporada 2010. Na realidade, a história é bem diferente. Descortinam-se questões muito práticas (e simples) quando o Corinthians repatria Roberto Carlos (37 anos) e anuncia Iarley (35) e Danilo (34), o Flamengo prestigia Petkovic (38), o Vasco contrata Dodô (35), o Palmeiras mantém o goleiro Marcos (40), o São Paulo endeusa Rogério Ceni (40), o Botafogo festeja El Loco Abreu (33), o Avaí traz Sávio (35), o Santos revaloriza Giovanni (37), o Paissandu redescobre Sandro Goiano (36) e o Remo aposta em Gian (35). Em primeiro lugar, há o fator custo. A maioria desses jogadores – com exceção de Roberto Carlos (36 anos) – cobra salários abaixo do mercado e, ao mesmo tempo, oferece rendimento no nível ou acima dos mais jovens atletas. Em segundo lugar, a maioria está em busca de um final glorioso para suas carreiras e procura se cuidar fisicamente, ciente de que os anos de juventude já vão longe.
Por fim, há o o óbvio fator Petkovic. A inesperada ressurreição do meia sérvio no Flamengo foi responsável, em grande parte, pelo título nacional que o rubro-negro não conquistava há 17 temporadas. Cabe observar que, de certo modo, o êxito de Pet só foi possível em função do baixíssimo nível técnico do Brasileiro 2009 e da quase completa ausência de destaques jovens. Por outro lado, além de beneficiar o clube da Gávea, o exemplo de Pet criou um novo cenário, estabelecendo uma sobrevida para os jogadores veteranos no Brasil.
Resta descobrir se essa onda vai durar ou se é apenas fenômeno passageiro, sujeito a esquecimento neste ano agitado de Copa do Mundo.
Deixe uma resposta