Coluna: Quando a fama atrapalha

Caboclo do interior, naturalmente cabreiro com as tentadoras armadilhas do mundo moderno, fico sempre preocupado quando vejo um grande astro do esporte nacional curtindo as delícias da fama e a desfrutar da condição de celebridade instantânea – com direito àquela babação de ovo própria da mídia sem compromisso.
Já virou clichê. Campeão olímpico desfila em escola de samba, recebe tratamento de herói em sua cidade, marca presença em eventos sociais e pontifica nas páginas de Caras e outras publicações do gênero. Nada contra o desfrute em si, mas a coisa muda de figura e complica de verdade quando essas atividades mundanas atrapalham treinos e preparação física.  
Não há milagre nessa área. A verdade é que nenhum atleta de alto rendimento pode abrir mão de sua agenda de treinamentos sem sofrer sérias conseqüências. Não por acaso, a vida útil dos ídolos nacionais do esporte é cada vez mais curta.
Aplica-se aqui o velho conceito de que é dificílimo chegar ao topo e mais difícil ainda manter-se lá. Cansamos de ouvir os relatos sobre as terríveis dificuldades vivenciadas por nossos atletas, que surgem ao acaso, sem qualquer apoio, planejamento ou incentivo.
É fato que inexistem políticas oficiais de descobertas de talentos esportivos no Brasil. É mal que não vem de hoje. Na verdade, remonta aos anos 60 e nunca passou sequer perto de uma solução. Nascem então as exceções, os chamados gênios da raça. Atletas que conseguem superar todas as mazelas e conquistam o mundo.
Foi assim com Ademar Ferreira da Silva, Joaquim Cruz, João do Pulo, Aurélio Miguel, Gustavo Borges, os “meninos” e “meninas” do vôlei, Guga, Hortência, Oscar e alguns outros. Atualmente, a fama e a glória sorriram para Maurren Maggi e César Cielo, como justo prêmio a esforço, disciplina e talento de ambos.
Maurren, medalhista olímpica, passou um bom tempo estrelando campanhas publicitárias, viajando pelo país e badalando bastante. Essa dedicação a atividades mundanas é até compreensível, mas certamente golpeou de morte suas chances no recente Mundial de Atletismo, realizado na Alemanha. Reapareceram as lesões e a campeã em Pequim amargou um sétimo lugar.
Ao mesmo tempo, a assessoria de Cielo inunda as redações com press-releases sobre a trepidante vida social do homem mais rápido das piscinas olímpicas. Talvez sejam exigências de patrocinadores ou compromissos previamente assumidos. Mas, tomara que, mais à frente, essas preciosas horas não venham a fazer falta, quando milionésimos de segundos dependem de dedicação extremada aos treinamentos.
 
 
Será na próxima quinta-feira, 27, às 19h, o lançamento oficial de “Bola na Torre – o Jogo”, no Terrace Gourmet do Shopping Pátio Belém. Mais um golaço da incansável dupla Guilherme Guerreiro & Giuseppe Tomazo, invadindo a área do entretenimento educativo a partir do sucesso do Bola na Torre na TV.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta terça-feira, 25)

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