Coluna: Valtinho e seu maior desafio

Os ventos da mudança começaram a soprar concretamente no Paissandu. O primeiro sinal veio junto com a relação de convocados para o jogo deste domingo, frente ao Águia, na Curuzu. Valter Lima, que assumiu na terça-feira e teve pouco tempo para treinamentos, deu uma pista indisfarçável sobre a escalação do time e pôs o dedo na principal ferida do esquema montado por Edson Gaúcho.
A antiga dupla de defesa titular, Roni & Luciano, está desfeita. Os zagueiros convocados por Valtinho são Rogério Corrêa, Bernardo, Roni e Ademilton. Nos últimos treinos, chegou a exercitar o esquema de três homens na zaga, excluindo Roni e privilegiando os zagueiros que não tiveram chances com Edson Gaúcho.
Tudo isso discretamente, sem alarde, bem ao estilo discreto do ex-técnico do S. Raimundo. Em conversa ao vivo no Cartaz Esportivo da Rádio Clube, na sexta-feira, deixou claro que o sistema 3-5-2 não lhe agrada, tanto que só usou uma vez durante o campeonato estadual.
Mas justificou a experiência com três beques como tentativa de dar maior segurança ao setor, mas praticamente descartou usá-lo ao destacar a força do meio-campo do Águia, acostumado a atuar com dois volantes e um meia-armador (Soares), que normalmente se transforma em terceiro atacante pela aproximação com Bruno Rangel e Marcelo Maciel.
Caso optasse pelo trio, correria o risco do enfrentamento direto (e desvantajoso) com os homens de meio-campo do adversário, que saem muito para a ação direta e têm bastante entrosamento. Na opção preferencial pela dupla central, os escolhidos devem ser Rogério Corrêa e Roni, com boas chances para Bernardo. 
Valtinho, que demonstra inteira consciência da responsabilidade de comandar o Paissandu num momento delicado na Série C, mostra-se mais inquieto com a formação de seu quadrado de meio-campo. Na falta de Dadá, Mael e Zeziel, será forçado a improvisar: admite usar Balão como meia avançado, à frente até de Vélber no setor de criação. Seria o jogador encarregado de ligar o meio ao ataque, que deve ter Zé Carlos e Torrô.
O principal inconveniente dessa opção é a fragilidade na marcação. O segundo é que Valtinho queimará forçosamente uma substituição, pois Balão não agüenta jogar os 90 minutos. A vantagem é que, pelo menos no primeiro tempo, o Paissandu dará ao torcedor motivos para empurrar o time: atacando maciçamente.
 
 
No Águia, que mantém a equipe que começou o jogo em Parauapebas (empate em 2 a 2), há duas semanas, todas as fichas estão depositadas no artilheiro Bruno Rangel e na força ofensiva do meio-campo. Poder de fogo que aumenta bastante quando o time encontra facilidades para o contra-ataque, o que também explica as freqüentes vitórias em terreno inimigo.
A rigor, o Águia seria favorito para o embate, mas um detalhe faz grande diferença em relação a outros adversários do time na Série C: o fator campo/torcida, capaz de multiplicar a disposição do Paissandu em campo.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO deste domingo, 5)

4 comentários em “Coluna: Valtinho e seu maior desafio

  1. Gerson, penso que se essas alterações acontecerem no jogo de hoje, meu Deus.
    Cláudio Santos – Técnico do Columbia de Val de Cans.

  2. Para ficar bem com a imprensa corneteira e com uma parte dos torcedores de alambrado, Válter Lima resolveu fazer o que eles pediram, impondo essas trocas em cima da hora, sem qualquer sequência de treinamentos. Daí se vê a falta de personalidade desse técnico. Também estou muito receoso com essas mexidas.

    1. Diogo,
      Precisa-se dar um voto de confiança ao novo treinador. Até porque ele está fazendo o óbvio ululante ao mexer na zaga. Ou você acha que aquela dupla dava conta do recado, levando gol de cabeça de um baixinho do Luverdense e sendo vergonhosamente envolvida pelo débil ataque do Sampaio? Pode não dar certo com as mudanças, mas duvido que fique pior. Quanto ao meio-campo, as mudanças são forçadas: Dadá e Mael contundidos, Zeziel suspenso e Rossini, que rasgou no trecho. Insisto: a questão não é este ou aquele técnico, o que importa é o clube.

  3. É histórico o desrespeito dos nossos atletas em relação aos treinadores locais. O Valtinho não vai levar nem indicar nenhum deles aos times do sul, nem aos grandes empresários. O atleta vê o técnico local como um entrave em sua carreira, alguém que não tem influência no mundo do futebol. A torcida, igualmente não gosta destes técnicos, pois é conheida a falta de autoridade deles. Dirigente de time grande, quando contrata treinador da casa é para ele, dirigente, ficar escalando o time.

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