O perigo da auto-suficiência

Só uma coisa me preocupa nessa grande fase da Seleção Brasileira, com vitórias convincentes sobre adversários credenciados: a auto-suficiência que o torneio preparatório costuma dar ao time vencedor. Talvez seja este o melhor momento do Brasil desde a Copa das Confederações de 2005, quando a equipe foi arrasadora em gramados alemães, demolindo os adversários – o que incluiu a velha rival Argentina.
Coincidência ou não, nenhum campeão da Copinha ganhou o título mundial no ano seguinte. O Brasil já foi vítima dessa situação por duas vezes. Em 1997, na França, quando Roberto Carlos acertou aquele chute fantástico em cobrança de falta, e depois na já citada competição de 2005, quando Adriano e seus companheiros fizeram o mundo acreditar que a Seleção iria simplesmente dar um passeio um ano depois.
Como se viu a seguir, ficou tudo na promessa e a decepção foi grande. Desta vez, pelos padrões espartanos estabelecidos por Dunga, é bem provável que o time não se empolgue além da conta, mas nunca se sabe como o jogador reage à sequência de vitórias. Alguns crescem, outros passam a acreditar que são melhores do que realmente são.
O futebol ensina que vencer requer maturidade, sob pena de tropeços inexplicáveis mais à frente. De qualquer maneira, é inegável a evolução técnica da Seleção, que coleciona cinco vitórias seguidas (Uruguai, Paraguai, Egito, EUA e Itália), com excelente desempenho coletivo e alguns promissores destaques individuais.
Ramires talvez seja o maior deles, pelo desembaraço demonstrado desde a estréia contra os americanos. Sua entrada adicionou velocidade ao meio-campo e abriu perspectivas para Robinho, que passou a jogar mais solto no ataque.
Outro que aparece em plano superior é Luís Fabiano, vivendo fase auspiciosa para um centroavante, quando tudo parece dar certo. Maicon retornou ao time combinando força e técnica e validando a fama de melhor lateral direito da Europa. A defesa, por seu turno, só fraquejou diante do Egito. Nos demais jogos, esteve quase perfeita.
Contra a combalida Itália, o time só precisou jogar realmente bem no primeiro tempo, quando construiu a vitória. Está tudo indo tão bem que o Brasil já pinta como favorito até para a provável final com a Espanha.
 
 
Águia e Paissandu empataram (2 a 2) no sábado à tarde, isolando-se nos dois primeiros lugares do grupo A da Série C. Para o Paissandu, que buscava a primeira vitória fora de casa, o resultado só não foi melhor porque a equipe esteve muito perto de surpreender o Águia. Com três atacantes (Balão, Zé Carlos e Torrô), chegou a virar o marcador no primeiro tempo, mas cedeu o empate em lance rápido do ataque marabaense.
Na tabela, as perspectivas são excelentes para os dois times paraenses. O Águia, com 10 pontos, está praticamente classificado. Já o Paissandu, que chegou a sete pontos, depende de mais duas vitórias para se garantir.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta segunda, 22)

Um comentário em “O perigo da auto-suficiência

  1. De sábado até hoje ouvi muito que o resultado de sábado teve um gosto de derrota para o Paysandu. Que o empate para o Águia teve sabor de vitória e outras coisas mais. Afinal de contas quem era o líder geral da competição? Quem é que ganhava dentro ou fora de casa? Qual era o esquema mais bem definido? Quem tem o artilheiro da competição? Ora, respondidas todas as perguntas os teóricos apontariam o time de Marabá como favoritíssimo, mas esqueceram de um detalhe: o esporte é o futebol. Isso mesmo, o bom, velho e apaixonante futebol onde numa sacada, o treinador de uma equipe reverte as coisas, como fez o Gaúcho que desmontou o João Bocão.
    Quem tem que trazer o amargo do jogo é o Águia, pois perdeu dois pontos em casa.
    Quanto ao Paysandu, a continuar sem ganhar lá fora, mas sem perder também, acabará campeão como em 2001.
    Vamos subir Papão!

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