
POR GERSON NOGUEIRA
Será uma semana de muita reza e apelos à Nossa Senhora de Nazaré por parte da torcida azulina. O desafio representado pelo vice-líder Palmeiras, adversário de quinta-feira (5) à noite, em São Paulo, justifica o fervor religioso. O duelo pode representar o renascimento do Leão na luta pela permanência. Uma derrota, porém, desfaz de vez o sonho.
No turno, o Remo empatou com o Palmeiras no Mangueirão em 1 a 1. A atuação dos azulinos foi quase impecável, atuando em pé de igualdade com o time paulista. Poderia até ter saído vitorioso, caso um pênalti claro – bola tocou na mão de Marlon de Freitas dentro da área – tivesse sido marcado. Um dos muitos erros de arbitragem que atrapalharam o Leão nesta Série A.
A lembrança deve servir de inspiração para o Remo, que respira por aparelhos na competição. Com 29 pontos, o Leão precisa vencer todos os cinco jogos restantes para ter chance de salvação.
Caso consiga alcançar essa façanha, o Remo terminaria com 44 pontos. A linha de corte tem se mantido em 45 pontos nos últimos anos, mas os estatísticos admitem a possibilidade de baixar até para 43 pontos.
O fato é que vencer o poderoso Palmeiras é o desafio imposto ao Remo neste momento. A missão, vista por todos como praticamente impossível, representa também uma chance de renascimento na competição. Uma arrancada de recuperação seria um feito e tanto, nunca alcançado antes.
A atuação contra o Botafogo resgatou a confiança da torcida. A vitória, obtida com esforço e um certo grau de dramaticidade, quebrou a longa sequência negativa e deixou o time a 8 pontos do Mirassol, que é o primeiro fora da zona de rebaixamento.
Na partida contra o Glorioso, alguns jogadores se destacaram no aspecto coletivo e também no desempenho individual. Jajá mostrou novamente que recuperou a velha forma física e pode ser decisivo. Marcelinho foi o mais destacado na organização ofensiva.
Leonel Picco, que tem sido aproveitado com mais frequência por Thiago Carpini, acabou coroando a boa atuação com um chute perfeito no início do 2º tempo. O golaço foi determinante para a vitória azulina. Deve ser a referência do meio-campo contra o favorito Palmeiras.
Lobby pesado tenta ressuscitar a jogatina
Uma mobilização discreta, mas perigosa, tenta reativar as bets, que foram extintas por decisão do presidente Lula. Por iniciativa do ministro Luiz Fux, do STF, uma audiência pública será realizada amanhã (3) no STF para discutir “os efeitos da proibição das apostas esportivas no Brasil”. O encontro foi convocado para abordar as consequências econômicas e jurídicas da medida para o setor esportivo.
Na verdade, o lobby dos clubes está em marcha, buscando reverter a proibição feita por Lula em setembro. É fundamental que outros setores da sociedade participem do debate, principalmente os órgãos de saúde e as associações de supermercados. O efeito prático mais visível do fim da jogatina on-line foi o aumento de 6,5% na venda de produtos alimentícios nos supermercados.
O vício em apostas asfixiou a economia doméstica e gerou problemas sérios de saúde mental, que estouraram na rede pública. Luiz Fux, ministro que já havia se declarado contra as bets, parece ter sido convencido a analisar possíveis prejuízos de empresas de apostas (Globo entre elas) e dirigentes gananciosos, que chegaram a publicar uma risível nota pública prevendo o “fim do futebol brasileiro”.
Fux autorizou a participação dos ministérios da Justiça e da Saúde. Sendo assim, o Ministério da Justiça e Segurança Pública terá dez minutos para apresentar manifestação, a partir das 14h40. Na sequência, às 14h50, será a vez do Ministério da Saúde, também com dez minutos de exposição.
Pesquisas e estudos sérios comprovam as consequências danosas da ludopatia, transtorno associado à dependência de jogos de azar, para a saúde mental dos apostadores.
O debate também deveria incluir temas como o comprometimento das relações familiares e o abismo financeiro enfrentado por pessoas que desenvolvem comportamentos compulsivos relacionados às apostas.
Direto do blog campeão
Reproduzo aqui os comentários do amigo Antônio Valentim, escritor e blogueiro, sobre dois assuntos abordados pela coluna nesta semana.
“É profundamente lamentável a atitude desses dois e de outros jogadores, que, apesar de vindos da pobreza, adotem tal pensamento discriminatório, típico da extrema direita. Condeno a atitude do Rony, caboclo, sangue indígena, mas que, também por falta de letramento, seguiu por esse caminho, esquecendo seu povo humilde. Certamente é fã do ‘menino’ Ney, um dos seres mais abjetos que já vi”, opina Valentim sobre as postagens preconceituosas de Willian José e Rony em relação ao Norte e ao Nordeste.
“Gostaria de fazer uma observação quanto à pronúncia do nome de Duplexe Tchamba, pois já que a língua do seu país de origem é o francês, é mais provável que se pronuncie um nome parecido a ‘diplexê’ e não duplex, como pode parecer em português. Esse nome dá margem a piadas. Fica aqui essa observação, pois se ele fosse inglês ou francês, todos se esmerariam em pronunciar corretamente o nome do jogador”, opina Valentim sobre a forma como Duplexe Tchamba deve ser chamado.
Vasco é operado sem anestesia por Daronco
Critiquei na última coluna o protagonismo deletério das arbitragens brasileiras. Ontem, na semifinal da Copa do Brasil, Anderson Daronco operou descaradamente o Vasco no confronto com o Palmeiras. Barboza, beque palmeirense, meteu a mão na bola com requintes de malandragem, e o parrudo apitador avaliou o lance como normal.
O erro grosseiro pode ter decidido a disputa da semifinal em favor do clube de Tia Carminha.
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