POR GERSON NOGUEIRA

David Braga, Eduardo Melo e Andrés González podem representar um ponto de evolução no time do Remo para as oito decisivas partidas finais no Campeonato Brasileiro. Os treinos realizados durante a pausa da Super Data Fifa permitiram ao técnico Thiago Carpini fazer as observações necessárias sobre todos os jogadores do elenco, gerando alguns achados.
O centroavante Eduardo Melo, que foi deixado de lado por Léo Condé, cuja clara preferência era por Gabriel Poveda, renasceu sob o olhar de Carpini. Depois de longo período em recuperação, Eduardo voltou a ser escalado contra o Grêmio e aproveitou bem os 20 minutos que lhe foram dados na partida.
Duelou com os zagueiros e criou problemas principalmente nas bolas aéreas. Pela movimentação permanente, ele se diferencia do perfil de Poveda, um centroavante à moda antiga que adota um posicionamento mais fixo dentro da área.
Contra o Vasco, Eduardo foi a grande novidade no time titular. Carpini resolveu utilizar o atacante como pivô, incomodando e prendendo os zagueiros vascaínos. Quase conseguiu marcar, desviando de cabeça um cruzamento de Marcelinho.
O Remo do 1º tempo foi estrategicamente programado para conter o forte ataque do Vasco. Ao mesmo tempo em que entrou com uma linha de cinco na defesa, com Zé Welison recuado, o time resgatou as transições e os avanços pelos lados, com Marcelinho e Taliari.
Como o meio ficou capenga, sem criatividade, o time teve problemas para ser mais agressivo, o que afetou o rendimento de Eduardo Melo e Taliari. Atento a isso, o técnico optou por um time mais solto na etapa final, lançando David Braga para botar a bola no chão e imprimir uma rotação mais rápida à linha de frente. Deu certo.
O Remo igualou o tempo de posse de bola com o adversário e teve pelo menos duas oportunidades de marcar, ambas com Taliari. De passadas largas, Braga alia força física e técnica para vencer a marcação. Contratado para compor elenco, o meia-atacante pode se transformar em poderosa arma de mudança para o sistema ofensivo do Leão.
Vítor Bueno é, em tese, o titular do setor de criação, mas David Braga está pedindo passagem, depois que evoluiu fisicamente. Em determinados casos, Bueno e Braga podem até jogar juntos, ampliando a qualidade da articulação entre meio e ataque.
O jovem Andrés González, que o Remo contratou para reforçar o Sub-20, é um outro atacante que pode ser utilizado na reta final do Brasileiro, diante da redução das peças ofensivas. Hábil e forte na finalização, ainda não foi escalado, mas tem sido preparado para entrar a qualquer momento.
Permanência de Mazola Jr. segue indefinida
No melhor estilo ‘técnico bombeiro’, Mazola Jr. foi contratado para dirigir o PSC nos quatro jogos que restavam no quadrangular final da Série C. Esperava-se que operasse um verdadeiro milagre. Quase conseguiu. Assumiu o time com apenas um ponto, na lanterna, e conquistou quatro. Por um triz, não obteve o sonhado acesso.
Caso a diretoria resolva avaliar o trabalho pelo desempenho nas quatro partidas, é inegável que Mazola fez um bom trabalho. Poderia ter garantido o acesso se tivesse sido contratado um pouco antes.
O dilema é que nada pode ser definido antes da eleição, marcada para novembro. Apesar da provável reeleição de Márcio Tuma, o planejamento para a próxima temporada só deve ser iniciado a partir de dezembro.
As limitações técnicas de elenco que atrapalharam a campanha do time na Série C devem ser alvo de ações prioritárias da diretoria, levando em conta a receita do clube para 2027. De qualquer forma, o trabalho terá que começar pela contratação de um comandante. Aprovado pela torcida, Mazola Jr. é a bola da vez.
Vaidades prejudicam o Vasco na Sul-Americana
Não há o que discutir mais: a encrenca criada em torno do local da partida Vasco x Boca Juniors, pela Copa Sul-Americana, é pura birra pessoal e clubística. As barreiras criadas para que o time cruzmaltino realize o jogo no Maracanã vão muito além do contrato de exclusividade de uso do estádio pelo Flamengo e o Fluminense.
A simples rivalidade também não explica a recusa do Flamengo em concordar com a cessão do estádio. O problema maior parece estar mesmo na relação tempestuosa entre os presidentes Bap (Flamengo) e Pedrinho (Vasco). Típica fogueira de vaidades.
Em última análise, as farpas trocadas entre ambos, que incluem uma ação judicial do flamenguista contra o vascaíno, expõem uma pinimba paroquial e desnecessária, que agride o princípio da boa convivência entre os clubes, mesmo entre rivais históricos.
Além da torcida do Vasco, que esgotou os ingressos para o jogo, quem sai perdendo é o futebol brasileiro. Afinal, se o impasse persistir, a Conmebol pode determinar que o jogo seja realizado em Assunção, no Paraguai.
(Coluna publicada na edição do Bola desta quarta-feira, 14)
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