POR GERSON NOGUEIRA

A derrota para o Flamengo frustrou os planos de recuperação do Remo, mas não quebrou o entusiasmo do torcedor que lotou o Mangueirão. Após o cerco azulino nos últimos minutos, criando duas chances, a torcida entoou o grito de “eu acredito”, como incentivo ao time, que permanece na 19ª colocação do Brasileiro.

Em campo, o Remo fez um jogo de risco calculado, marcando baixo e esperando oportunidades para sair em contra-ataque. Ao longo dos primeiros 45 minutos, o time entregou a bola ao Flamengo e sofreu com a constante movimentação de Arrascaeta, Jorginho e Samuel Lino.

Apesar de ter a posse de bola, o Flamengo finalizava mal. Nos primeiros 20 minutos, com três meias criando alternativas, chegou duas vezes com Arrascaeta, mas só acertou a direção do gol com Pedro, aos 17’.

Aos 26’, Taliari recebeu cruzamento de Taliari, mas perdeu o domínio da jogada antes de finalizar. O Flamengo investia com Samuel Lino, que chegou com perigo aos 29’, mas acabou desarmado por Marcelinho.

Para o Flamengo, a partida não oferecia riscos e o meio-de-campo cadenciava o jogo. O Remo não buscava acelerar, aceitando passivamente a proposta rubro-negra. A estratégia de recuperar a bola para contra-atacar não funcionava porque Galeano era pouco acionado com campo livre.

Na reta final, o Remo mudou a postura e quase abriu o placar. Marcelinho foi à linha de fundo, cruzou para Taliari cabecear no canto esquerdo de Rossi, que espalmou para escanteio. Na sequência, dois outros escanteios, botando pressão sobre o Flamengo e levantando a torcida.

O 2º tempo trouxe o Flamengo mais ágil, presente na área azulina e levando extremo perigo. Logo aos 3 minutos, Samuel Lino disparou da entrada da área e a bola acertou a trave direita do Remo. Dois minutos depois, Pedro desviou de cabeça. Rangel fez uma grande intervenção.

A primeira chegada azulina ocorreu aos 8’. Marcelinho cruzou para o cabeceio de Leonel Picco, que passou rente ao poste direito de Rossi. O Fla respondeu com Pedro chutando para defesa espetacular de Marcelo Rangel.

Léo Condé trocou Pikachu por Jajá, deslocando Galeano para a direita, para fechar o corredor explorado pelo lateral Ayrton Lucas, que acertou cruzamentos seguidos em direção à área.

Aos 19’, porém, saiu o gol que decidiu o jogo. Arrascaeta manobrou pelo centro do ataque e encontrou Samuel Lino livre de marcação. O atacante tocou rasteiro no canto esquerdo de Rangel, sem chances.

Condé colocou Alef Manga e Vítor Bueno, o Fla já tinha Bruno Henrique, mas o jogo mudou de cenário a partir dos 30’, quando o Remo passou a ter a bola e investiu em cruzamento. Galeano quase alcançou Manga dentro da área para finalizar um contra-ataque fulminante, aos 31’.

A pressão continuou, mas a zaga resistiu às bolas altas do Remo. Pelo esforço final e pela importância da vitória, que põe o Flamengo na liderança, os rubro-negros festejaram muito ao final do jogo, reconhecendo as dificuldades impostas pelo Leão no Mangueirão.

Números que valorizam o futebol paraense

Além da maior defesa do campeonato, de Marcelo Rangel em chute de Pedro, o jogo entre Remo e Flamengo teve números superlativos de público (mais de 51 mil pessoas) e renda (R$ 6,2 milhões), recorde de público e renda na rodada e no futebol paraense na temporada. Tudo emoldurado por um espetáculo majestoso da torcida, com destaque para os mosaicos apresentados pelo Fenômeno Azul.

Homenagens a Alcino e Mesquita, ídolos azulinos e artilheiros da vitória sobre o Flamengo em 1975, e a referência especial ao Círio, incorporada definitivamente às festas azulinas desde o acesso à Série A em 2025.  

São momentos especiais que valorizam ainda mais a presença do Pará (através do Remo) na Série A. A imagem institucional do futebol paraense, sempre associada a grandes públicos e à alegria contagiante da população, se fortalece nacionalmente.

Mais do que nunca, o gigantismo dos números do jogo de ontem amplia a importância da permanência do Remo na Primeira Divisão, garantindo a presença do Pará na primeira prateleira do futebol brasileiro.

Pé-quente, Juninho é esperança para a estreia

O atacante que se destacou na campanha do Paysandu, marcando gols decisivos, pode estar de volta nesta segunda-feira (7) ao ataque para o jogo contra o Brusque (SC) na estreia no quadrangular final da Série C.

Com o baixo rendimento de Kleiton Pego no jogo contra o Maringá, Juninho surge como alternativa para atuar pelo lado esquerdo da ofensiva bicolor. Caso entre, vai formar dupla com o centroavante Ítalo, principal goleador do Papão na temporada.

Juninho se destacou nas conquistas da equipe no primeiro semestre, mas interrompeu a participação na Série C ao se lesionar com gravidade em plena luta pela classificação na 1ª fase. Depois de recuperado, poderia ter voltado contra o Maringá, mas não foi aproveitado na partida.

Com a necessidade de ter um time agressivo na estreia no quadrangular, é grande a possibilidade de aproveitamento do jovem atacante, que tem facilidade para atuar pelos lados e está entrosado com os companheiros.

Além dele, o Papão deve ter o recém-contratado Renan Castro na lateral-esquerda e a manutenção da dupla Lucas Rodrigues e Pedro Carrerette na zaga. A meia-cancha, setor vital do time, continuará com Pedro Henrique, Caio Mello e Marcinho.

Muito além dos nomes, o PSC precisará de organização, intensidade e bom aproveitamento nas jogadas de ataque, a fim de superar o Brusque. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta segunda-feira, 7)

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