POR GERSON NOGUEIRA

Atacantes vivem de gols. A confiança para arriscar finalizações nasce justamente da segurança que só uma sequência de gols garante. Jajá vive esse momento iluminado. É o principal goleador do Remo no Campeonato Brasileiro, com sete gols marcados. Sua ausência no jogo com o Coritiba, na rodada passada, foi muito prejudicial ao ataque azulino.
Os 32 chutes a gol do Remo no jogo mostram a forte presença ofensiva do time. No 1º tempo, a pressão exercida pelo ataque remista só resultou em fracasso pela ausência de um finalizador. Na equipe que constrói situações na área adversária, mas perde muitas oportunidades, Jajá é hoje uma preciosidade.
Mesmo sem ter sido contratado para ser um jogador de definição, Jajá se amolda às condições que a estrutura ofensiva do Remo tem. Atacante velocista e driblador, acabou se destacando entre os demais dianteiros pelo destemor no aproveitamento das chances oferecidas.
Fez isso de maneira brilhante em jogos fundamentais para o Remo, como na vitória sobre o Botafogo no Rio de Janeiro e no empate com o Atlético-MG no Mangueirão. Tornou-se peça de extrema importância no sistema utilizado pelo técnico Léo Condé. Não apenas pelos gols, mas pela capacidade de abrir as linhas de marcação.
A rigor, Jajá é o único atacante do Remo que rompe bloqueios defensivos usando o drible como arma. Esse talento faz com que o time dependa de suas arrancadas pela esquerda, levando perigo ao gol adversário e prendendo os defensores em seu próprio campo.
Além da sentida falta no confronto com o Coritiba, um jogo repleto de chances desperdiçadas, Jajá seria uma ausência ainda mais notada contra um adversário do porte do Flamengo, no jogo deste domingo (6), no Mangueirão.
Por esse motivo, é compreensível que a comissão técnica azulina esteja disposta a esperá-lo até o último momento na esperança de que esteja fisicamente apto. Caso não possa atuar, o Remo terá que arranjar soluções ofensivas com Taliari e Galeano, ou Alef Manga, contra um dos melhores sistemas defensivos da competição.
Pedro Henrique, a “cria” que deu certo
Em meio às oscilações do time nas partidas finais da fase de classificação da Série C, um jogador escapou das cobranças mais fortes da torcida: o jovem volante Pedro Henrique, na condição de mais regular jogador do PSC na temporada, tem sido a peça de referência no meio-de-campo e um símbolo do espírito vibrante que o time historicamente tem.
Como solitário representante da base no time titular, o brilho de Pedro Henrique expõe uma nova realidade dentro do elenco bicolor. É fato que aquele PSC operário, intenso e implacável na marcação, que conquistou todos os títulos que disputou no primeiro semestre, não existe mais. Foi descaracterizado com a progressiva e natural mudança de peças.
O time perdeu a essência do jogo solidário à medida que as chamadas crias da Curuzu começaram a perder espaço na equipe. Jogadores como Iarley, Salomoni, Brian, Klaivert, Henrico, Cauã Dias, Miguel Ângelo, Kauã Hinkel e Matheus Capixaba deixaram de ser aproveitados até mesmo como alternativas de jogo.
Alguns fatores explicam essa mudança, principalmente a queda de rendimento técnico. Outro ponto que freou o entusiasmo com os garotos da base foi a preferência por atletas mais experientes, em função das dificuldades impostas pelo campeonato.
Enquanto as competições eram mais regionais, com um nível de competitividade menor, as crias formavam a base do time. Em alguns casos, a escalação era amplamente dominada pelas revelações. A comissão técnica referia-se com orgulho ao aproveitamento dos garotos.
Pouco a pouco, essa presença foi minguando até ficar reduzida a Pedro Henrique, titular absoluto e inquestionável, com um aproveitamento técnico que se mantém inalterado desde o primeiro semestre. Além dele, apenas Thalyson e Thaylon permanecem prestigiados.
Pedro Henrique se destaca tanto entre os jovens atletas do Papão que, antes mesmo de terminar a temporada, foi alvo da cobiça do Flamengo. Contratado pelo rubro-negro carioca início do ano, foi liberado para continuar atuando pelo Papão até o fim da temporada.
Esse acordo terminou se revelando providencial, pois o volante é uma saudável presença de talento na meia-cancha, tanto nos desarmes quanto na construção de jogadas. Além disso, empresta ao time a fundamental marca da raça que nasce e é cultivada desde as divisões de base.
Copa do Brasil: um desfile de jogos ruins
Por inteira justiça, o único grande confronto das quartas de final da Copa do Brasil foi entre Atlético x Cruzeiro. Dois belos jogos de futebol, com equipes agressivas e bem treinadas. A definição da vaga veio depois de uma virada espetacular e merecida do Galo em sua casa, por 2 a 1.
Nos demais jogos, o mau futebol prevaleceu. Palmeiras e Santos valeu apenas por lampejos da primeira partida, vencida pelos palmeirenses por 3 a 0, placar que se manteve inalterado na volta, disputada na Vila Belmiro. Jogos previsíveis, desinteressantes e esquecíveis.
Vasco e Vitória foi um duelo terrível, tanto no Rio quanto em Salvador. A destacar apenas a comovente raça cruzmaltina em busca do resultado e atuações notáveis de Andrés Gómez, um dos melhores da competição.
Por fim, o Gre-Nal foi disparado o confronto mais feio de todos. Um festival de faltas e pancadaria. Maltrataram a bola. O Grêmio se classificou ao vencer ontem, mas a atuação foi pouco mais do que sofrível.
(Coluna publicada na edição do Bola desta sexta-feira, 04)
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