POR GERSON NOGUEIRA

A utilização de uma linha de três zagueiros no jogo contra o Ituano, na rodada passada, surpreendeu quem acompanha a trajetória do PSC na temporada. Sob o comando de Júnior Rocha, a equipe nunca havia usado um trio na última linha. Curiosamente, a escalação nasceu de uma necessidade.

O técnico precisou reforçar o setor defensivo e usou um sistema que em momentos se transformava numa linha de cinco defensores. Lucas Rodrigues, Pedro Carrerette e Bruno Bispo (substituído por Gustavo Henrique) ganhavam um reforço dos laterais Edilson e Luciano Taboca quando o time era atacado.

É preciso dizer que o sistema funcionou apenas razoavelmente, com direito a sustos tanto no primeiro quanto no segundo tempo. O Ituano desfrutou de pelo menos quatro chances claras de gol construídas e executadas dentro da área do Papão, e salvas pela excelente performance do goleiro Gabriel Mesquita na partida.

Por essa razão, é improvável que Júnior Rocha repita o esquema 4-4-3 contra o Maringá, no próximo sábado (29), no Mangueirão. Uma das possíveis explicações para os erros no combate ao ataque do Ituano é a falta de entrosamento do trio de zagueiros do Papão.

A mudança de um sistema requer não apenas treino, mas repetição em jogos. Durante a partida do último sábado foi possível observar uma outra razão para que o 4-4-2 volte a ser empregado no restante do campeonato. O estreante Gustavo Henrique mostrou segurança nos desarmes e no jogo aéreo, candidatando-se a novo titular da zaga.

Ao lado de Carrerette, Gustavo pode formar a dupla de defensores que o PSC ainda não teve nesta Série C. Até mesmo nos bons momentos, com Castro ainda como titular, faltava um companheiro à altura para ele. Quintana, Iarley e Bruno Bispo não transmitiam confiança.

Além de Gustavo Henrique, há a alternativa de Lucas Rodrigues, mais jovem, mas com qualidades para enfrentar as dificuldades que o campeonato passa a oferecer a partir da próxima fase.

Há também a possibilidade de aproveitamento de Castro, que foi reintegrado, apesar das muitas resistências no elenco. E é justamente essa questão que não garante seu retorno imediato ao time, apesar de contar com apoios de peso – da torcida e do presidente do clube.

Falhas no jogo aéreo atrapalham o Leão

Os gols sofridos no Maracanã contra o Fluminense ainda estão bem vivos na memória do torcedor remista. Foram gols previsíveis e evitáveis. Dois cruzamentos curtos na área bastaram para o Tricolor carioca virar um jogo que era difícil e equilibrado até o início do 2º tempo.

Na primeira bola, cruzada da esquerda por Soteldo, a zaga estava mal posicionada e permitiu que Hulk cabeceasse sem marcação entre Marllon e Tchamba. A bola foi no travessão, caiu rente à linha fatal e ganhou um efeito estranho, indo parar no fundo do barbante.

Logo depois, um escanteio cobrado em dois toques deu origem ao gol decisivo da partida. Riquelme recebeu o passe junto à área, livre de qualquer vigilância, e mandou na área. Não foi um cruzamento alto, mas encontrou o atacante Serna em condições de desviar para as redes.

O Remo já havia sofrido outros gols em bolas na área, igualmente determinantes para resultados ruins. Foi assim contra o Atlético-MG no Mangueirão, quando Reinier teve tempo e espaço para cabecear, escolhendo onde colocar a bola. O mesmo aconteceu contra o Mirassol.

Esses erros nem sempre decorrem de falhas específicas da zaga central. Muitas vezes têm a ver com a origem dos cruzamentos. A marcação frouxa pelos lados oportuniza jogadas treinadas à exaustão por todos os times que disputam a Série A.

A bola aérea é a principal arma ofensiva dos times e, por isso, se tornou o lance mais monitorado pelas comissões técnicas. Segunda pior defesa do campeonato (39 gols), o Remo tem falhado muito nesse tipo de jogada. Nas seis partidas que ocorreram depois da Copa do Mundo, foram 10 gols sofridos, sendo oito em bolas aéreas.

A formação defensiva variou muito nessas partidas. Contra o Corinthians, o Remo teve a estreia de Zé Ivaldo, com atuação ruim. Tchamba, melhor defensor da equipe, retornou contra o Internacional. A dupla com Marllon é a mais utilizada desde que Léo Condé assumiu o comando técnico.

O problema é que Marllon passou a ser muito questionado pela torcida, justamente pela sequência de erros. Mateus Felipe, que teve boa participação nos jogos contra o Santos pela Copa do Brasil, tem sido frequentemente especulado para fazer dupla com Tchamba.

Firme na cobertura e eficiente no jogo aéreo, é um nome provável na escalação do Remo para o jogo com o Coritiba, na próxima segunda-feira. Resta saber se Condé estará disposto a mexer na dupla que considera titular. As arquibancadas, como se sabe, têm poder.

Verdão tem trajetória tranquila e feliz na Copa BR

O Palmeiras, que ontem à noite praticamente garantiu passagem à semifinal da Copa do Brasil, tem uma caminhada interessante no torneio. Sempre bem atendido nos sorteios da CBF, o Verdão enfrentou até aqui só adversário do tipo carne assada. Jacuipense, Fortaleza e Santos.

Na próxima fase, caso a lógica se confirme no jogo de volta contra o Peixe, o Palmeiras terá o cruzamento menos complicado. Vai encarar Vasco ou Vitória. Longe de embates ferozes contra gaúchos ou mineiros.

(Coluna publicada na edição do Bola desta quinta-feira, 27)

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