POR GERSON NOGUEIRA

Enquanto uma parte da torcida ensaia o coro de “fora Condé”, como se o problema fosse exclusivamente de comando técnico, o Remo mergulha nos preparativos para as duas partidas em casa que podem significar a virada de chave do time na Série A. A meta é superar Coritiba e Flamengo e sair do Z4, reabilitando o Leão no campeonato.

Na hipótese de ganhar os seis pontos, o Remo ficaria com 29 pontos, aproximando-se da primeira página da classificação. Na rodada seguinte, o desafio será diante do Bahia, em Salvador, antecedendo mais dois jogos em Belém, contra Santos e Grêmio.

Das 14 rodadas que ainda serão disputadas, o Remo fará oito partidas no Mangueirão, e precisa vencer pelo menos seis para pavimentar a permanência, desde que conquiste mais quatro pontos como visitante.

Léo Condé, sob a pressão natural provocada pela longa presença na zona de rebaixamento, sabe que o pulo do gato (ou do leão, no caso) são essas próximas cinco rodadas. O time precisa mostrar disposição e ânimo de quem quer de fato continuar na Primeira Divisão.

Ao mesmo tempo em que precisa ajustar a pontaria, o Remo terá que caprichar na engenharia defensiva. Entre os dois setores, um terceiro adquire importância crucial no processo de soerguimento da equipe: o meio de campo, eixo de equilíbrio e formulação de jogadas, não pode ter a postura pouco agressiva dos jogos contra Atlético-MG e Fluminense.  

Seja com o trio de volantes Zé Welison, Zé Ricardo e Vítor Bueno ou com Zé Welison, Leonel Picco e Bueno, o time precisa ser mais eficiente na marcação, ágil na recuperação de bolas e criativo na distribuição.

Para a torcida, a presença de Leonel Picco é obrigatória. Excelente nos desarmes, o volante argentino também aumenta a média de altura do time. Condé claramente prefere Zé Ricardo e até Patrick naquela faixa de campo, mas as pazes com a torcida passam pela escalação de Picco.

Um outro ponto que vai se definindo a cada nova partida é a necessidade, principalmente em jogos em casa, de uma linha ofensiva rápida e habilidosa, formada por Galeano, Taliari e Jajá.

Castro volta para reforçar a zaga do Papão

A reintegração do zagueiro Castro ao elenco do PSC, a tempo de ser utilizado nas próximas partidas da Série C, marca importante mudança de postura por parte dos dirigentes e da comissão técnica do clube. Cumprido o rito punitivo, com o afastamento do atleta após problemas comportamentais, a carência técnica do setor defensivo e o custo financeiro (rescisões não saem barato) falaram mais alto.

O fato é que a volta do zagueiro, um dos destaques do time na temporada, já era defendida abertamente pela torcida, principalmente nas redes sociais, avaliando que a punição de Castro representava um prejuízo para a equipe.

Apesar da posição inicial da comissão técnica contrária ao perdão, a diretoria encaminhou com habilidade a situação e o final feliz foi sacramentado porque o jogador vinha treinando na Curuzu, em separado.

Um outro aspecto a destacar é que Castro, apesar do excelente desempenho com a camisa do PSC, não encontrou clube interessado em sua contratação, depois que a notícia sobre os atos de indisciplina circulou na internet.

Para o técnico Júnior Rocha, a mudança de rumos vem em boa hora. Ele passa a contar novamente com o seu melhor zagueiro, que deve recuperar a titularidade mesmo depois da chegada de reforços para a zaga – Pedro Carrerette, Lucas Rodrigues e Gustavo Henrique. Nenhum deles é superior a Castro. No fim das contas, a decisão satisfaz todas as partes.

Falta, como ato final, reconduzir de imediato os garotos Klayvert e Salomoni, que foram punidos junto com Castro – Artur Septimio já não está no clube.

Convivências e conveniências do futebol

O bicolor juramentado Aldo Valente, sempre crítico em suas análises sobre o Paysandu, enviou o seguinte comentário à coluna, comparando as atuações do time contra Ferroviária e Ituano. Segundo ele, muitas vezes as vitórias encobrem as mazelas: “Contra o Ituano, os jogadores passaram o recibo”, confirmando que na partida contra a Ferroviária não teria havido o empenho esperado, o que facilitou a goleada.

“Alguma coisa muito mal explicada até hoje promoveu aquele fiasco. Na semana anterior, o treinador Júnior Rocha, em coletiva, com todas as letras cobrou mais seriedade de alguns jogadores, sem citar nomes. O resultado da denúncia foi a goleada para a Ferroviária, um time muito básico que não era tudo aquilo para impor uma derrota tão humilhante”.

O que se viu em campo, enfatiza, “foram jogadores desinteressados, recuando e perdendo bola na saída das jogadas e gols tomados sem nenhuma reação”. Para Aldo, “a diretoria deve ter atendido as pautas dos rebelados e colocado panos quentes, como se nada tivesse acontecido. No futebol, tudo é permitido e permissível”.

“Até quando essa permissividade vai continuar, só Deus sabe. Mas, mexer em alguns paradigmas que os jogadores criaram, é um sacrilégio. A folga de 48 horas depois de um jogo parece ser inegociável, mesmo diante da necessidade evidente de mais treinamento. Enfim, separar a boa convivência em grupo dos jogos de conveniência, é uma arte muito complicada de se conciliar”, finaliza Aldo Valente.

(Coluna publicada na edição do Bola desta quarta-feira, 26)

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