POR GERSON NOGUEIRA

Em jogo de muita marcação no meio-campo, lentidão na troca de passes e erros excessivos na construção de jogadas, o Remo conseguiu uma vitória importantíssima diante do São Paulo, no Mangueirão, com um gol de Marcelinho já nos acréscimos, quando o empate já parecia desenhado.
O 1º tempo foi terrível para o sistema defensivo do Leão, que encontrou imensas dificuldades para marcar o trio Arthur, Calleri e Ferreirinha. Avançados e explorando as jogadas em velocidade pelos lados, criaram seguidos momentos de perigo na área azulina.
Com destaque para o lance, aos 21 minutos, em que Arthur recebeu passe e avançou livre para finalizar. Chutou forte, mas a bola resvalou no goleiro Ivan Quaresma e saiu pela linha de fundo.
Outro momento decisivo ocorreu aos 47’. Em cobrança de falta, Arthur mandou no ângulo esquerdo, mas Ivan desviou com a ponta dos dedos. No rebote, o próprio Arthur desferiu outro chute e o goleiro voltou a espalmar.
O lance foi revisado pelo VAR porque havia a dúvida se a bola havia entrado na primeira defesa de Ivan, mas as imagens mostraram que o lance foi legal. A torcida azulina festejou o lance como um gol.
Na etapa final, o jogo mudou. O Remo tomou conta da partida, com posicionamento mais adiantado e utilização de Marcelinho e Yago Pikachu pela faixa direita, pressionando a defensiva do São Paulo.
A partir dos 30 minutos, Léo Condé lançou Leonel Picco, seguido por David Braga, Poveda e Mateus Alexandre. Tirou Zé Ricardo, Vítor Bueno, Pikachu e Zé Welison. Forças renovadas para tornar o time mais agressivo.
Marcelinho, porém, ficou mais livre para atuar como avançado, e foi assim que ele se posicionou para decidir o jogo. Chutou cruzado e rasteiro, sem chances para o goleiro Rafael.
Um excelente resultado para o Remo fechar a campanha antes da Copa do Mundo, renovando esperança e injetando entusiasmo na torcida.
Papão, com 2 a menos, perde em Floripa
Com um início promissor, o PSC deu a impressão de que poderia arrancar uma vitória em Florianópolis mesmo com a utilização de um time praticamente reserva contra o Figueirense. Fez um gol ainda na primeira etapa, aos 14 minutos, em finalização inspirada de Juninho, que aproveitou bem a saída em falso do goleiro Igor.
Depois de abrir vantagem, o PSC recuou e cometeu erros seguidos na defesa, permitindo ao Figueira empatar logo aos 24 minutos, com Lucas Alves. O ritmo da partida foi se alterando e o time catarinense ganhando confiança, criando oportunidades e fazendo o Papão se encolher.
As expulsões de Pedro Henrique (no fim do 1º tempo) e Taboca, ambos por faltas violentas, inviabilizou o projeto bicolor de conseguir pelo menos o empate. Enfraquecido, apesar das mudanças executadas pelo técnico Júnior Rocha, o PSC passou a ser fustigado pelo ataque do Figueira.
Até que, aos 24 minutos, Emerson Galego marcou o gol da vitória, após cruzamento na área. Um resultado normal nas circunstâncias, mas que atrapalhou a sequência vitoriosa do Papão na Série C.
Reservas da Seleção brilham na goleada
O amistoso festivo contra o modestíssimo time do Panamá teve como aspecto mais interessante a grande atuação dos reservas no 2º tempo. A goleada de 6 a 2 foi construída graças aos gols e movimentação de Rayan, Igor Thiago, Danilo Santos e Paquetá, principalmente.
É claro que o jogo conta pouco em termos competitivos, mas Carlo Ancelotti deve ter ficado satisfeito com a entrega dos suplentes. Prova de que está todo mundo focado e a fim de ganhar espaço no time titular – e muita coisa pode mudar até a estreia na Copa contra Marrocos.
Outro destaque foi o golaço de Vinícius Jr., lembrando seus melhores momentos como jogador do Real Madrid. Abre a esperança de que possa chegar à Copa em nível melhor do que há quatro anos no Qatar.
O espetáculo circense visto na convocação foi mantido no Maracanã e certamente vai se intensificar nos próximos dias – para êxtase da pachecada e horror dos torcedores ditos normais. Que Deus nos ajude.
Não há mais encanto, apenas um time normal
Krimau, ex-atacante da seleção de Marrocos (primeiro adversário do Brasil na Copa do Mundo), taxativo:
“Neste momento, o Brasil não é mais como era antes, sinceramente. Na época do Ronaldinho, de jogadores que a gente conhecia, era diferente. Hoje, é uma seleção normal. Não é mais um grande time”. Gabaritou muito bem.
Botafogo volta a padecer com arbitragens
Vamos combinar: o Botafogo só foi campeão em 2024 porque tinha um time tão bom, mas tão bom, que não havia como os juízes lhe tirarem o título. Até tentaram, mas o time era excepcional, com John, Luiz Henrique, Almada, Igor Jesus, Gregore, Alex Telles & cia.
Quando o Botafogo volta a ser um time comum, a garfada é inevitável, como aconteceu no sábado diante do Bahia, em Salvador.
Para azedar ainda mais a situação, os três goleiros (Neto, Raul e Léo Link) incrivelmente ruins fazem de cada jogo uma montanha-russa.
(Coluna publicada na edição do Bola desta segunda-feira, 01)
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