
POR GERSON NOGUEIRA
O jogo foi movimentado como toda decisão, mas careceu de mais apuro técnico e de lances mais agudos. Pela correria imposta nos primeiros minutos, ficou a impressão de que o PSC iria atropelar o Nacional, que se resguardava com até oito jogadores. O desenvolvimento do jogo não confirmou o domínio absoluto dos bicolores, que só conseguiram a vitória num lance isolado de finalização do zagueiro Castro.
Mesmo repetindo erros vistos na derrota para o Caxias, domingo, o Papão se lançou ao ataque, explorando os avanços de Thalyson pela direita. Logo de cara, ele foi para cima de Miliano, que apelou e levou o amarelo.
Aí começaram as finalizações tortas, de parte a parte. Quintana arriscou de fora da área, aproveitando um rebote, mas o tiro saiu longe. O Nacional respondeu com um chute igualmente tosco de Ruan Santos.
O Naça se encolhia para recuperar a bola e sair em contragolpe. Aos 15 minutos, Rafa Marcos bateu forte e Gabriel Mesquita espalmou, mas não havia ninguém à espera do rebote. O jogo então ficou restrito às tentativas de meio-campo, com forte marcação e muitos erros de passe.
Para o 2º tempo, o PSC voltou mais empenhado em cercar a área do Nacional e finalizar em direção ao gol. Como os atacantes não resolviam, aos 5 minutos, o zagueiro Castro arriscou um chute do meio da rua e enganou o goleiro do Naça. Um golaço, apesar da falha do arqueiro baré.
Vale dizer que Castro já fez um gol assim, na Copa do Brasil, contra a Portuguesa de Desportos, no Canindé (SP). Acertou uma bomba quase do meio-campo e garantiu a vitória naquela partida.

Depois do gol alviceleste, a torcida passou a pedir mais um, atenta à necessidade de abrir um placar mais folgado para o jogo da volta da final da Copa Norte, semana que vem, em Manaus. O Nacional pareceu em dúvida quanto a pressionar e segurar a derrota pelo escore mínimo. Acabou ficando no meio-termo.
Com muitas modificações nos 20 minutos finais, os times se descaracterizaram, passando a apostar na velocidade e na força. O Nacional ainda levou perigo aos 32 minutos, com um chute rasante que obrigou Gabriel Mesquita a uma defesa arrojada, mas ficou nisso.
O torcedor vibrou nas arquibancadas, mas o time não fez uma atuação digna de final. Sem qualidade nas ações de meio-campo, ficou dependendo excessivamente de Marcinho e das arrancadas de Thalyson. No ataque, Ítalo e Kleiton Pego tiveram atuações discretas novamente. (Fotos: Jorge Luís Totti/Ascom PSC)
Leão recompõe o setor de criação
Depois de várias rodadas utilizando um sistema centrado na marcação e na intensidade, a partir do meio-de-campo, o Remo voltou a utilizar um meia-armador clássico na partida contra a Chapecoense na 15ª rodada do Brasileiro da Série A. Vítor Bueno, recuperado de lesão, reapareceu como titular, ocupando a vaga deixada por Zé Ricardo, suspenso.
A formação inicial da meia-cancha azulina sob o comando do técnico Léo Condé tinha Vítor Bueno como titular, fazendo a ligação entre meio e ataque, muitas vezes aparecendo como um quarto jogador de frente. Foi assim a sua participação na primeira vitória do Remo no campeonato, diante do Bahia, no Mangueirão.
O problema é que, logo depois desse jogo, Bueno se lesionou e o Remo teve que aprender a jogar sem ele. Em algumas ocasiões, Condé experimentou David Braga, mas este também se contundiu e a formação passou a ser entregue a três homens de marcação – Zé Welison, Patrick e Zé Ricardo, sendo este último posicionado mais à frente.
Com Bueno, o Leão torna-se naturalmente mais ofensivo e ganha em qualidade de passe na condução do jogo entre meio e ataque. É um ganho e tanto. Diferentemente das bolas lançadas e das transições rápidas, o meia pode cadenciar as ações quando necessário, dosando energias do time e buscando brechas na defesa adversária.
É importante observar que o time vai bem nas duas situações. Cresceu de rendimento com a marcação forte, recuperando bolas e avançando sobre as linhas inimigas. Foi bem lá no início do trabalho de Condé, quando Bueno começava a se entrosar na troca de passes com Taliari, Jajá e Alef Manga, como também evoluiu na sua reaparição diante da Chape.
Não é exatamente um time se amoldando a um jogador, mas um sistema que passa por adaptações pontuais, sem alterar a essência e o objetivo maior, que é seguir competitivo e forte contra qualquer oponente.
Sobre as diferenças incontornáveis
Internautas atentos perceberam que a primeira manifestação de Cristiano Ronaldo, após ter confirmada a convocação para a seleção de Portugal, foi compartilhar a lista dos convocados nas redes sociais.
Já a primeira manifestação de Lionel Messi após a convocação para a Copa do Mundo foi postar a bandeira do país.
Kyllian Mbappé, logo depois de ser convocado para disputar sua terceira Copa pela França, mostrou orgulhosamente uma imagem com a camiseta da seleção.
Por fim, Neymar postou como primeira imagem após a convocação a mensagem de uma casa de apostas on-line.
Escolhas são escolhas.
(Coluna publicada na edição do Bola desta quinta-feira, 21)
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