POR GERSON NOGUEIRA

Foi um começo cercado de desconfiança, afinal o time juntava os cacos depois do rebaixamento à Série C e não havia grana para formar um grande elenco. O técnico Júnior Rocha foi o primeiro grande acerto da nova gestão, repleta de nomes fortes do passado recente. Falou mais alto a experiência de pessoas como Vandick Lima e Alberto Maia, ex-presidentes e detentores de amplo conhecimento sobre o clube.
Quando um trabalho começa bem, quase sempre encontra o rumo certo. Apesar de todas as dificuldades naturais, incluindo sérios problemas de ordem financeira, o Paysandu foi se reerguendo. Aos poucos, mas sempre com firmeza, passando segurança.
O administrativo sustentou os passos iniciais na gestão do futebol. As contratações pontuais deram ao elenco o verniz de experiência que não pode faltar a nenhum grupo em formação. Chegaram Ítalo, Kleiton Pego, Castro, Caio Mello e Marcinho. Desse núcleo germinou o novo PSC, enriquecido pela força da juventude extraída das divisões de base.
O elenco ganhou então o reforço de jovens valores, como Pedro Henrique, Hinkel, Iarley, Brian e Thalyson. Garotos que chegaram em busca de oportunidade para mostrar valor e comprometimento. Júnior Rocha soube equacionar virtudes e juntar características compatíveis.
Os primeiros testes foram promissores, ainda na fase inicial do Campeonato Paraense. Depois, nas etapas eliminatórias, o Papão despontou mais forte e altivo, esbanjando intensidade na marcação e vigor na busca pelo ataque. As vitórias foram se acumulando. O título estadual, conquistado sobre o maior rival, foi a primeira façanha.
As sombras de descrédito foram dissipadas e o time só fez avançar desde então. Na Copa do Brasil, chegou à inédita quinta fase, sempre ofensivo e confiante. No Brasileiro da Série C, a atitude se mantém. A vice-liderança parece pouco para um time com fome de conquistas.
Na quarta-feira, disputando o mata-mata da Copa Norte, nova e impressionante demonstração de força. Diante do Águia, em Marabá, onde as batalhas costumam ser duríssimas, o time transformou um 1º tempo de dificuldades em goleada inquestionável no segundo período.
Fôlego, ambição, raça, disposição. Virtudes que engrandecem grandes times estão presentes na atual fase do Papão. Foram quatro goleadas nas últimas quatro partidas – 4 a 1 no Itabaiana, 3 a 0 no Trem, 4 a 2 no Botafogo-PB e 5 a 1 no Águia.
Por isso, a pergunta procede: quem vai parar esse time? Difícil saber até onde a equipe pode chegar. O excelente desempenho atual ganha contornos ainda mais vitoriosos na conhecida capacidade copeira do Paysandu, que historicamente jamais se rende às dificuldades de percurso. (Foto: Jorge Luís Totti/Ascom PSC)
Um ponta que pode ser decisivo contra o líder
O Remo levou semanas para conseguir fechar a contratação de Jajá, cuja liberação foi dificultada pelo Goiás. Como é natural, muita gente até desconfiou da insistência do clube. Jajá valia tanto esforço? Se essas dúvidas atormentavam muita gente no clube, a sequência de jogos do ponta se encarregou de dar a resposta justa.
Jajá é uma das boas aquisições do Remo para a hercúlea campanha na Série A. Velocista e driblador, teve importância imensa na primeira vitória do time jogando em Belém. Diante do Bahia, no Mangueirão, o técnico Léo Condé instruiu Jajá a explorar as dificuldades da pesada zaga adversária.
Deu certo. No 2º tempo da partida, Jajá foi decisivo nas rápidas articulações com Vítor Bueno e Taliari, terminando como um dos melhores em campo. Fechou a goleada com um belo gol após passe de Alef Manga.
Mesmo com as oscilações próprias da campanha, motivadas muitas vezes por perdas de jogadores importantes, Jajá se manteve firme como titular. Alguns jogos de baixo rendimento, como o empate com o Vasco e a derrota para o Cruzeiro, não diminuem sua importância em partidas recentes.
Diante do Bahia, em Salvador, voltou a brilhar juntamente com toda a equipe. Contra o Botafogo, no Rio, foi fundamental para a conquista da vitória de virada. Não apenas pelo gol que selou o triunfo, mas pela intensa movimentação, revezando-se com Manga nas investidas sobre a defensiva botafoguense no 2º tempo.
Contra o Palmeiras, neste domingo (10), no Mangueirão, quando o Remo joga por três pontos que podem marcar definitivamente o começo da recuperação na Série A, Jajá é uma peça estratégica na formação que Condé vai mandar a campo.
Volante goleador cava lugar na lista de Ancelotti
Danilo, principal contratação do Botafogo nesta temporada cheia de turbulências, é indiscutivelmente o nome mais surpreendente entre os jogadores que se lançaram à luta por uma vaga na lista final de Carlo Ancelotti para a Copa do Mundo.
No final da temporada de 2025, ele não era sequer citado como nome elegível para o Mundial. Conquistou espaço com esforço e muito futebol no confuso Botafogo do Campeonato Brasileiro e da Libertadores.
Além de exibir categoria de um meia-armador, foi além: passou a marcar gols, transformando-se no goleador do time na Série A. Gols bonitos, não acidentais. Na Sul-Americana, anteontem, diante do Racing, voltou a carimbar as redes, sob os olhos de Ancelotti, no estádio Nilton Santos.
(Coluna publicada na edição do Bola desta sexta-feira, 08)
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