POR GERSON NOGUEIRA

A torcida azulina esperou tanto pela primeira vitória na Série A após 32 anos que merecia uma recompensa em alto nível. O Remo encarou o Bahia, ontem, no Mangueirão, e não se contentou em vencer, mas caprichou na dose e aplicou uma goleada acachapante de 4 a 1 sobre a última equipe invicta da Série A.
O placar final de 4 a 1, conquistado a partir de uma reação que começou nos 15 minutos finais do 1 tempo, fez justiça ao grande desempenho ofensivo do time paraense. Uma transformação que fez o time parecer inteiramente diferente daquele visto na primeira meia hora de jogo.
Com Kike Oliveira e Erick Pulga usando e abusando da velocidade em cima da lateral esquerda do Remo, o Bahia parece ter descoberto ali o mapa da mina para chegar ao gol. Tentou quatro vezes, de forma aguda, até conseguir balançar as redes.
Desde os primeiros minutos, o Bahia concentrava sua atenção sobre os lados do campo. O Remo se defendia na esquerda com Tchamba, que às vezes tinha a colaboração de Alef Manga, mas não encontrava o mesmo apoio em Patrick, o volante que caía por aquele lado.
O primeiro grande susto veio em cobrança de escanteio que foi na cabeça de João Lucas, levando muito perigo ao gol de Marcelo Rangel. O Remo se atrapalhava na construção de jogadas pelo meio e não acertava os passes para Manga, Taliari e Pikachu.
Em cobrança de escanteio, Vítor Bueno mandou no poste direito da trave baiana, levantando a torcida azulina. Instantes depois, uma ducha de água fria: Kike Oliveira recebeu junto à área, avançou até a linha de fundo e levantou na pequena área para o cabeceio certeiro de Everaldo, aos 32’.
Jogada rápida, simples e objetiva. Erick Pulga driblou Tchamba, se livrou de Patrick e deixou Kike à vontade. Foi uma repetição de tentativas anteriores e a zaga azulina mostrou ali a deficiência no jogo aéreo, principalmente quando surpreendida com cruzamentos rasantes.
Em resposta, Taliari acertou um tiro certeiro, mas a bola bateu na zaga. Sem conseguir entrar na área, Marcelinho acertou um tiro de longa distância e o goleiro Ronaldo machucou o cotovelo ao fazer a defesa. Foi substituído por João Paulo.
A parada para hidratação energizou o Remo, que impôs pressão em jogadas seguidas de Alef Manga, Pikachu e Tchamba. Martelou tanto que, após um cruzamento alto, a zaga deu rebote e Vítor Bueno acertou um tiro no canto direito do gol de João Paulo, empatando o jogo aos 53’.
Como era previsível, após o intervalo, o Remo partiu para o ataque, em jogadas rápidas pelos lados, assustando o Bahia com suas próprias armas. Após avanço de Pikachu e Marcelinho pela direita, a bola foi disparada em direção ao gol e João Paulo deu rebote. Taliari aproveitou e desempatou.
Quando o jogo parecia nas mãos do Remo, o atacante Erick Pulga saiu enfileirando dribles e acabou derrubado na área. Luciano Juba cobrou a penalidade e Marcelo Rangel saltou para defender, incendiando a torcida nas arquibancadas do Mangueirão.
O Remo passou a dominar as ações, sempre presente no campo ofensivo. Vítor Bueno, Patrick e Pikachu foram decisivos para a mudança de postura. Inspirado, Bueno lançou uma bola sobre a zaga nos pés de Taliari, que fuzilou para as redes de João Paulo, fazendo 3 a 1.
O Bahia tentava chegar, mas não acertava mais o passo, nem mesmo com as mudanças efetuadas por Rogério Ceni. O Remo não tirou o pé e foi em busca do quarto gol. Aos 37’, Manga cruzou para Jajá fechar a goleada.
Vale dizer que o Remo de Léo Condé não derrotou um time qualquer. O Bahia está há três anos sob o comando de Rogério Ceni, com boas campanhas no Brasileiro e nas competições sul-americanas. Até ontem, havia sofrido apenas três gols no campeonato. (Foto: Samara Miranda/Ascom Remo)
Atuações individuais em destaque e coletivo em construção
O jogo destacou as performances de Vítor Bueno e Gabriel Taliari, mas outros jogadores estiveram muito bem, contribuindo imensamente para a bela atuação do Remo. De maneira geral, foi a melhor apresentação do Remo na Série A, com visível evolução quanto a entrosamento e organização.
Marcelo Rangel, ao defender o penal cobrado por Luciano Juba, deu ao time a energia necessária para consolidar a vitória e alcançar a goleada que antes do jogo era improvável. Rangel fez outras defesas importantes, mas o penal foi crucial para garantir o primeiro triunfo na competição.
Taliari estreou de verdade neste domingo. Havia entrado no 2º tempo contra o Flamengo, mas o que vale mesmo é a atuação como titular diante do Bahia. Mostrou que sabe jogar como um municiador do ataque e finaliza muito bem. Teve três chances para fazer o gol e botou a bola no barbante em duas delas. Gols bonitos, de quem conhece o ofício.
Vítor Bueno estava dispersivo no início da partida, embora tenha acertado a trave na cobrança de um escanteio. Como todo o time, subiu de produção a partir da parada para hidratação. Com um chute certeiro de fora da área, empatou a partida e reanimou o time. Na etapa final, participou com assistências dos gols de Taliari.
Patrick, jogador de confiança do técnico Léo Condé, se destacou na mobilização para marcar os atacantes do Bahia no 2º tempo, principalmente. No período em que o Bahia foi melhor, até os 30 minutos da etapa inicial, ele não se encontrou e foi envolvido nas articulações rápidas do Tricolor baiano. Cresceu na segunda parte do jogo.
Marcelinho, que substitui João Lucas, foi muito bem nos avanços e fez o que podia para conter as jogadas de Luciano Juba pelo lado esquerdo do Bahia.
Yago Pikachu, posicionado na função que mais gosta de executar, avançado pela direita, deu muito trabalho ao setor defensivo do Bahia, invertendo função com Marcelinho e tendo participação importante na origem do segundo gol. Jogou os 90 minutos e parece ter achado um lugar no time, o que é bom para ele e para o Remo.
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