
POR GERSON NOGUEIRA
O Remo chegou à Primeira Divisão de forma até surpreendente, graças a uma arrancada vitoriosa nas 10 rodadas finais da Série B 2025. Muitos no clube merecem reconhecimento pelo feito, mas, como se sabe, grandes conquistas vêm acompanhadas de responsabilidades do mesmo porte.
É justamente onde o Remo se encontra hoje. Após cinco rodadas, o time ganhou três dos 15 pontos que disputou. Começo modesto e trôpego, como acontece com a imensa maioria dos emergentes que chegam à Série A.
Diante do clima de desesperança que ameaça se abater após a derrota para o Fluminense, há uma questão a ser considerada. O campeonato está apenas começando e existe tempo suficiente para que o Remo reaja nas próximas 33 rodadas. O lado desafiador é que a reação precisa começar já.
Pelo grau de complexidade do campeonato, um dos mais difíceis do mundo, os times precisam se organizar para obter resultados, conquistando pontos que permitam segurança dentro da disputa. E, para pontuar, é necessário ser competitivo e letal, principalmente nos jogos em casa.
O abatimento percebido após a partida contra o Flu, na quinta-feira (12), não veio da derrota e nem do placar, mas da brutal diferença de categoria entre as equipes. O Remo se comportou como um time de Série B guerreando contra uma das mais sólidas equipes da Série A.
Imaginava-se, após partidas horrorosas nas finais do Parazão, que o time não iria fazer três jogos ruins. Fez.
Nos lances iniciais, a vibração imposta pelo Remo, com incentivo da torcida, deu a falsa impressão de equivalência. Mas, à medida que o tempo avançou e o Flu chegou ao gol, tudo ficou bastante claro. O visitante fez uma partida tranquila e bem resolvida, enquanto o Leão não teve forças para pressionar e tentar equilibrar as ações.
A segunda parte do jogo foi ainda mais aflitiva para os azulinos. As alternativas buscadas, com a entrada de novos jogadores, mostraram-se inócuas e expuseram as limitações do elenco. Jajá, Nico Ferreira e Patrick não conseguiram jogar, anulados pela movimentação do Flu.
O fato é que a sensação de inferioridade não pode entrar em campo, neste domingo (15), contra o Coritiba, no Couto Pereira. É um jogo-chave para estancar a sangria e renascer na competição.
O momento é de reagir, e isso vai depender muito das escolhas de Léo Condé. É fundamental que os auxiliares permanentes ajudem na busca de escolhas mais compatíveis com as necessidades do momento.
É notório, por exemplo, que Yago Pikachu pode ser mais participativo entrando no decorrer das partidas. Patrick, ausente das escalações há oito jogos, não podia ser opção quando o time precisava de velocidade.
Quanto à estratégia, um time que busca ser forte na marcação não pode se expor utilizando apenas dois volantes, principalmente contra times tecnicamente qualificados. As chances continuam vivas e o campeonato está aberto, mas o Remo tem que começar a vencer. (Foto: Samara Miranda/Ascom Remo)
As raras boas notícias de um jogo traumatizante
Apesar da pífia atuação coletiva e de vários problemas individuais, o Remo saiu do Mangueirão na quinta-feira com pelo menos três notícias positivas.
Marcelo Rangel consolidou-se como titular indiscutível, mostrando segurança e arrojo diante de um dos ataques mais poderosos do campeonato.
Duplexe Tchamba, o zagueiro camaronês, fez uma partida consistente, entendendo-se com Marlon e exibindo um nível de concentração impressionante. Foi o melhor do time.
Vítor Bueno, criticado nas finais do Parazão, pontificou nos lances mais criativos do Remo, além de aparecer como finalizador – deu o cabeceio que Fábio salvou em cima da linha. Precisa de parceiros para produzir mais e melhor, mas confirmou o potencial criativo.
Bola na Torre
Guilherme Guerreiro apresenta o programa, que começa às 22h, na RBATV. Na bancada, Giuseppe Tommaso e este escriba de Baião. Em debate, a participação dos clubes paraenses na Copa do Brasil e os desafios do Leão na Série A. A edição é de Lourdes Cezar e Lino Machado.
Revelação do Parazão atrai proposta do exterior
O gerenciamento de carreiras no futebol profissional atual gera dúvidas, incertezas e atritos frequentes entre atletas das divisões da base e clubes formadores. Desde a fase final do Campeonato Paraense, o Paysandu administra uma situação delicada envolvendo o volante Pedro Henrique, uma das joias da base, destaque do time de Júnior Rocha.
Aos 18 anos, Pedro Henrique despontou nas últimas rodadas da Série B 2025, assumindo a titularidade e ganhando experiência para permanecer no time. No Parazão deste ano, manteve a performance e tornou-se um dos protagonistas do time campeão. Foi eleito uma das revelações do torneio.
O sucesso e a visibilidade fizeram com que o volante despertasse o interesse de empresários dispostos a negociá-lo com o futebol português. A expectativa de vir a disputar a Champions League mexeu com o jogador, mas a proposta apresentada não cativou a direção do clube.
O plano defendido pela diretoria do PSC prevê a participação de Pedro Henrique no time que vai disputar o Brasileiro da Série C, a partir de abril próximo. A ideia é permitir que o atleta ganhe maturidade, antes de qualquer negociação com o futebol estrangeiro.
(Coluna publicada na edição do Bola de sábado/domingo, 14/15)
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