POR GERSON NOGUEIRA

O técnico Léo Condé foi apresentado ontem à imprensa, depois de ver o Remo perder o título estadual no Mangueirão, domingo. Na condição cômoda de espectador de luxo, ele preferiu a cautela à coragem, o que não é um bom indicativo, mas o fato não invalida a expectativa quanto ao trabalho no clube a partir de agora.

Caberá a Condé dar os passos necessários para reorganizar a rota no Brasileiro, após quatro jogos sem vitória. O primeiro desafio será amanhã, em casa, diante do Fluminense, de Luis Zubeldía e Paulo Henrique Ganso. Um adversário de retrospecto poderoso e elenco qualificado.

Depois de dois meses sob a direção caótica e medíocre de Juan Carlos Osório, o Remo tem a oportunidade de recomeçar pelas vias normais. Condé não é um técnico badalado, mas tem perfil operário e pragmático. Seus times jogam o chamado feijão-com-arroz, sem invenções.

Talvez seja justamente o que o Remo precisa ter neste momento. Abalado pelo fracasso após a vexatória participação no Campeonato Estadual, o time de Série A está em dívida com o torcedor.

Precisa mostrar a que veio. Antes, havia a justificativa de um trabalho desconexo, conduzido por um treinador atrapalhado. Agora, não mais. Jogadores de rendimento pífio até aqui têm uma nova chance de provar que o investimento do clube não foi em vão.

Do pouco que viu em ação no clássico, Condé deve ter percebido que algumas peças têm que produzir mais. A meiúca – Patrick de Paula, Leonel Picco e Vítor Bueno – é boa no papel, mas ainda não deu liga.

O ataque tem sido quase inofensivo. Nas finais, não teve competência para furar o bloqueio defensivo de uma equipe de Série C. Alef Manga, João Pedro e Pikachu carecem de jogadas construídas pelos meio-campistas, mas jogadores experientes devem ser mais ousados e inventivos.

Essas e muitas outras situações estão a esperar providências para que o Remo finalmente consiga desencantar no Brasileiro. Léo Condé, que só começou a trabalhar na segunda-feira (9), tem pouco tempo para botar a casa em ordem. E o desafio começa logo pela parada duríssima de amanhã (12) contra o Fluminense.

Fundamental a essa altura é Condé perceber a urgência de imprimir espírito de competição a um time que muitas vezes parece excessivamente desplugado e pouco comprometido com o resultado. (Foto: Raul Martins/Ascom CR)

Vaza lista de dispensas e expõe critério confuso

Freitas, Kawan, Panagiotis, Carlinhos, Cantillo, Eduardo Melo. São nomes mais ou menos carimbados nas especulações em torno da lista de dispensas que será definida nos próximos dias pela comissão técnica do Remo. O problema é que um vazamento ocorrido ontem expôs algumas possíveis injustiças.

Jogadores remanescentes de excelente rendimento na campanha na Série B aparecem na suposta relação, enquanto nomes de reforços que não emplacaram são omitidos. Como entender que Klaus seja excluído e Léo Andrade, sofrível e errático em todos os jogos que participou, permaneça?

Pavani e Jaderson, dupla de volantes que pode compor bem o elenco da Série A, também são especulados para sair, mas Catarozzi – apagado até aqui – continuaria. Léo Condé precisa ter cuidado nas escolhas.

Punição exemplar para os arruaceiros do Mineirão

O clássico Cruzeiro x Atlético estabeleceu um recorde no futebol mundial. Teve 23 jogadores expulsos depois de uma briga generalizada que botou fim à partida decisiva do Campeonato Mineiro. O estopim de tudo foi uma agressão do goleiro Everson ao cruzeirense Cristian.

Bandeiras gloriosas do futebol brasileiro foram enxovalhadas por dois times de arruaceiros, que se consideram valentes e donos absolutos da razão. Em consequência direta do sururu ocorrido no Mineirão, os bares das cercanias do estádio viraram ringues de brigas entre torcedores.

Uma coisa está diretamente associada à outra. É ilusão imaginar que a violência de campo não se espraia pela torcida, o que aumenta a responsabilidade de atletas, técnicos, árbitros e dirigentes.

Enquanto a punição maior – através dos tribunais – não sai, cabe aos envolvidos no vergonhoso espetáculo de truculência pedir desculpas públicas pelo ocorrido, comprometendo-se a não repetir as cenas de truculência. É o mínimo a fazer.

Homenagem a quem merece tudo

Peço permissão aos baluartes para dedicar a coluna de hoje, 11 de março, à minha amada mãe Benedita, que comemora 90 anos neste dia abençoado junto à família em Baião. Obrigado, para sempre. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta quarta-feira, 11)

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