
POR GERSON NOGUEIRA
O técnico Léo Condé tem apresentação no Remo confirmada para hoje (6), depois de ter a contratação anunciada desde terça-feira. Isso significa que os problemas particulares alegados para adiar sua chegada já devem ter sido sanados, mas não a tempo de permitir que o elenco fosse devidamente preparado na semana (até aqui) mais importante do ano.
A condução do processo de contratação acabou por comprometer os planos do clube, enquanto o adversário – que está em vantagem na final – desfruta de um período de paz e preparação absolutamente focada na disputa do título estadual.
Chamou atenção o fato de que a escolha do técnico não tenha levado em conta o detalhe fundamental da decisão do campeonato. É como se, com Léo Condé, a conversa tenha sido nos moldes do entendimento com Juan Carlos Osório, que aparentemente não foi alertado para a importância do Estadual.
Em todas as decisões tomadas por Osório, principalmente na escolha dos jogadores a serem escalados para a competição, ficou patente o menosprezo pelo Parazão. Na 4ª rodada, quando aconteceu o primeiro clássico, o técnico decidiu lançar um time mesclado, desagradando a direção do clube, que obviamente tinha outro pensamento.
Quando o colombiano foi demitido, no domingo à noite após a derrota no primeiro jogo da final, o clube ainda não tinha um plano B, pecado imperdoável diante das circunstâncias que envolviam o trabalho de Osório. Era evidente que o treinador estava por um fio, gerando insatisfações profundas na torcida e na própria diretoria.
O tempo gasto à procura de um substituto contribuiu para que o efeito Osório, extremamente prejudicial no confronto que abriu a decisão, se prolongasse ainda mais. A conta ficou ainda mais cara, pois os prejuízos podem ser de grande monta em caso de novo revés no domingo (8).
Na hierarquia das competições que o Remo tem a disputar na temporada, o Parazão aparece em terceiro lugar, atrás de Copa do Brasil e Campeonato Brasileiro, mas o peso de uma eventual perda terá efeito multiplicador ao longo do ano inteiro.
A expectativa de grandes arrecadações nas partidas como mandante em Belém, enfrentando equipes de primeira linha do futebol brasileiro, pode sofrer um abalo sísmico, pois a torcida azulina acredita no potencial técnico de um elenco caro e diversificado.
Por esse ponto de vista, conquistar o Parazão não era uma meta prioritária, mas não pode ser entendido como projeto de menor importância. Há uma história envolvida na competição, com imenso significado afetivo e estatístico.
Tudo isso configura um combo de alta importância no ano em que o Remo deixou para trás três décadas de expectativas e frustrações acumuladas. (Foto: Raul Martins/Ascom CR)
Sávio é reabilitado após a treta com Osório
O perdão ao lateral-esquerdo Sávio pode ser o principal reforço para o começo de trabalho de Léo Condé no Remo, inclusive para a partida de domingo contra o PSC. Jogador de grande importância na campanha do acesso e no título estadual do ano passado, ele tem qualidade – como ala e até como zagueiro – para brigar pela titularidade.
Mais que isso: Sávio ganhou, por mérito, a imagem de jogador pé-de-coelho em decisões contra o PSC. Exímio cobrador de faltas, pode vir a ser um reforço de peso na luta do Leão para reverter a situação na final. A conferir.
Dupla direita: uma das chaves do êxito bicolor
Um dos segredos da atuação certeira e quase sem erros do PSC no primeiro jogo da decisão foi o entendimento de que o lado direito era uma rota natural para chegar à área azulina, desprovida de forças de resistência pela esquerda. O acerto da estratégia foi assegurado pela atuação da dupla Edilson e Thaylon, que estão jogando juntos a apenas quatro partidas, mas com encaixe cada vez mais afiado.
Com Edilson posicionado em função mais conservadora e quase sem passar da linha de meio-campo, uma novidade tática lançada por Júnior Rocha, Thaylon tornou-se um ponta clássico, avançando sobre as linhas inimigas e desviando em direção à área para finalizações e cruzamentos.
Logo aos 3 minutos, ele invadiu a área e deixou o centroavante Ítalo em condição de marcar. A bola passou por baixo do goleiro Marcelo Rangel e só não entrou no gol porque a zaga afastou para escanteio.
Além das funções ofensivas, Thaylon colaborou com Edilson quando este precisava enfrentar Alef Manga. Em vários momentos, Thaylon chegou a dar combate direto. A movimentação da dupla contribuiu para a discreta participação do atacante azulino na etapa inicial da partida.
Thaylon ainda encontrou espaço para investir em ações rápidas na área do Remo e foi decisivo ao descolar o passe para Marcelinho marcar o segundo gol, impondo a vantagem que garantiu a importante vitória.
No 2º tempo, a dupla perdeu dinâmica porque o Remo passou a ter Marcelinho e Manga correndo por aquele lado. Foi assim que nasceram jogadas mais agudas, como a que originou o pênalti e o gol azulino.
(Coluna publicada na edição do Bola desta sexta-feira, 06)
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