POR GERSON NOGUEIRA

Aquele Internacional dos tempos de Falcão, Figueroa, Caçapava e Valdomiro ficou na história e deixou um legado de competitividade intensa e qualidade técnica indiscutível, mesclando força e habilidade. O respeito que o mundo do futebol tem pelo Colorado deriva, em boa medida, dessa imagem histórica daquele timaço que ganhava praticamente tudo.
É sob o peso forte dessa lembrança que o torcedor azulino enxerga o time gaúcho, no confronto desta noite (19h), no estádio Jornalista Edgar Proença, válido pela 4ª rodada do Campeonato Brasileiro.
Ao Remo de Juan Carlos Osório enfrentar esse novo Inter com método e organização. Jogar como naquele primeiro tempo diante do Mirassol, forçando o jogo de velocidade e não dando espaço nas disputas de meio-campo. Mais ainda: aproveitando todas as chances possíveis para estabelecer uma vantagem no placar.
No fim de semana, o Inter meteu 4 a 0 no Ypiranga pelo certame gaúcho, com excelentes atuações de Alan Patrick e Alexandro Bernabei. Osório e seus comandados precisam estar atentos à movimentação desses jogadores, sem descuidar dos demais, por óbvio.
Alan Patrick, pelo futebol que exibe há duas temporadas, é merecedor de vigilância absoluta, marcação forte e contínua. Nem sempre é possível exercer esse tipo de cerco a um meia-armador qualificado, dono de recursos variados, mas o melhor caminho é não descuidar um só instante.
Para a partida desta noite, o Remo não terá Diego Hernández, lesionado, mas pode contar com o recém-contratado Jajá. É uma alternativa para a estratégia de forçar ações pelas extremas. Sem lateral-esquerdo, com a suspensão imposta (em má hora) a Sávio, Osório pode improvisar Léo Andrade por ali, o que é sempre temerário.
Como tem atuado no 3-4-3 em vários jogos do Parazão, é possível que o técnico repita o sistema, utilizando João Lucas, Marllon e Kayky. Foi assim que o Remo jogou contra o Cametá na semifinal.
Quanto ao quadrado de meio-campo, a formação mais provável é: Leonel Picco, Patrick de Paula, Zé Ricardo e Vítor Bueno. No ataque, a dupla mais utilizada por Osório: João Pedro e Alef Manga.
Yago Pikachu, Zé Welison, Nico Ferreira e Carlinhos são alternativas para mudar a cara do jogo na segunda etapa. Caso a situação exija pressão e correria, Jajá tem boa possibilidade de aproveitamento. (Foto: Samara Miranda/Ascom CR)
Vento da intolerância se alastra pelos campos
A coluna destinou espaço nos últimos dias para casos escabrosos de racismo e preconceito. Vini Jr. é o caso mais exemplar, atacado covardemente pelo argentino Prestianni (Benfica) no palco iluminado da Liga dos Campeões da Europa, sob os olhos do mundo.
De repente, o ódio brotou de novo no Brasil. O goleiro Hugo Souza virou alvo da fúria intolerante. No jogo com a Portuguesa de Desportos, no estádio do Canindé, o corintiano foi xingado e insultado após contribuir decisivamente para a vitória de seu time na cobrança de penalidades.
Durante as cobranças e nos 90 minutos, Hugo agiu com extrema elegância com os adversários, até mesmo nas comemorações. Mas a ala de descerebrados da torcida da Lusa resolveu imitar o argentino que ofendeu Vini Jr. e caprichou nas agressões verbais.
Hugo foi chamado de “favelado”, “sem dente”, “piolhento”, “passa fome” e uma infinidade de outros termos de natureza racista e discriminatória.
Há um certo espaço no estádio da Portuguesa ocupado por figuras obcecadas em xingar e ofender adversários e torcedores de outros times. Há cerca de 20 anos, jornalistas paraenses foram duramente ameaçados por uma horda de jovens torcedores uniformizados do clube de origem lusitana.
Gritavam que éramos todos ali “paraíbas” e “baianos”, termos pejorativos que alguns sudestinos e sulistas adoram utilizar como forma de depreciar pessoas nascidas no Norte e no Nordeste do Brasil, como se essas regiões pertencessem a um outro país.
A cultura do ódio que domina setores da sociedade brasileira, de forma acentuada desde a explosão extremista de 2018, é responsável pela contaminação de corações e mentes. E vale a velha lição de Nelson Mandela: não basta condenar o racismo, é preciso ser antirracista.
A rica experiência do Bate-Bola do Troféu Camisa 13
O amigo Gandur Zaire Filho fez generosos agradecimentos a este escriba pela participação no movimentado e proveitoso Bate-Bola do Troféu Camisa 13, realizado anteontem (23), no auditório da TV RBA. Não precisava, quem tem a agradecer sou eu. Ao lado dos craques Rodolfo Marques e Lucas Quirino, tive oportunidade de aprender um pouco mais sobre este ofício que tanto amamos.
O jornalismo esportivo tem passado por transformações profundas, nas últimas duas décadas, a partir da onda digital. Novas ondas estão por vir. Precisamos estar prontos para aceitá-las de bom grado. Este foi um dos temas mencionados no debate, brilhantemente conduzido pela apresentadora Paula Marrocos.
Acontecimentos desse tipo são importantes para oportunizar reflexões e disseminar aprendizado útil, tanto para quem fala quanto para quem ouve e observa as teses defendidas. Obrigado a todos que compareceram e tiveram paciência e tolerância para assistir nossa resenha de quase 2h e meia.
(Coluna publicada na edição do Bola desta quarta-feira, 25)
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