POR GERSON NOGUEIRA

Quando o jogo em Cametá estava 2 a 0 e parecia caminhar para a eliminação do Remo, o técnico Juan Carlos Osório deu sua última cartada.  Botou em campo quatro jogadores que responderam positivamente e operaram as mudanças que levaram à virada.

Zé Ricardo, Vítor Bueno, Patrick de Paula e Nico Ferreira foram as peças escolhidas para tentar quase o milagre de evitar a derrota àquela altura. Pois o milagre se concretizou. Muito pela movimentação imposta por Patrick de Paula e Vítor Bueno, aproximando-se dos homens de ataque.

E, acima de tudo, pela inspirada participação de Nico Ferreira, que substituiu Diego Hernández e jogou aberto na extrema direita, forçando o jogo sobre o ofensivo lateral Taboca, um dos destaques do Cametá.

Nico fez dois cruzamentos certeiros e precisos, que resultaram nos gols de empate do Remo, aos 22 e aos 40 minutos. Bolas altas jogadas no centro da área. Na primeira, João Pedro recebeu e acionou Carlinhos. Na segunda, as posições foram trocadas e Carlinhos foi o garçom para o gol de João Pedro.

O terceiro gol também teve participação de Nico Ferreira no início da manobra para chegar à área do Cametá, provocando o rebote para o disparo espetacular de Patrick de Paula aos 49’.

Há coisas que o futebol não explica. Os substituídos – Zé Welison, Pikachu, Pavani e Diego Hernández – não atuavam mal, muito pelo contrário. Apesar da boa atuação, não conseguiram fazer com que o Remo construísse a vitória que se desenhava no 1º tempo.

A participação dos quatro, com destaque para Nico, Patrick e Vítor Bueno, foi estratégica para mudar a dinâmica da partida e garantir a mais espetacular virada vista no campeonato até agora. (Foto: Luís Carlos/Ascom CR)

Um inesperado destaque no meio-campo bicolor

Caio Mello, que atuou apenas duas vezes como titular do PSC no campeonato, foi uma das boas surpresas da atuação diante do Castanhal, domingo. Deu equilíbrio e organização ao meio-de-campo, funcionando como um parceiro eficiente e ativo de Marcinho na armação de jogadas.

Com avanços verticais em direção à área, manteve um bom entendimento com Pedro Henrique e Marcinho, interagindo com os atacantes Kleiton Pego, Ítalo Carvalho e Thaylon. Mostrou uma qualidade no passe que pode ser extremamente benéfica à organização do time.

O destacado desempenho contra o Castanhal pode determinar sua presença no time que vai disputar a decisão do Parazão com o maior rival.

Machismo estrutural explode no ambiente do futebol  

O mais recente episódio de machismo explícito no futebol veio na forma de um ataque do zagueiro Gustavo Marques, do Red Bull Bragantino, à árbitra Daiane Muniz. Ele questionou a capacidade dela por ser mulher. Uma demonstração clara do machismo estrutural que observa o futebol como um território exclusivamente masculino.

“Não adianta colocarem uma mulher” para dirigir um jogo decisivo, disse Gustavo. Alguns tentaram relativizar, dizendo que ele falou “no calor do momento”. Ora, o aborrecimento pela derrota não pode gerar preconceitos. É a prova de que sempre pensou dessa forma discriminatória.

O problema é a tolerância ao comportamento machista. Até as medidas punitivas normalmente são abrandadas nesse tipo de caso. A ofensa de gênero está prevista no Artigo 243-G do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD): suspensão de cinco a 10 partidas, além de multa que pode chegar a R$ 100.000,00.

Há também a possibilidade de sanções administrativas relevantes. No âmbito trabalhista, o clube pode adotar punições, como multas salariais e suspensões por indisciplina ou descumprimento de normas internas. Duro é imaginar que isso vá acontecer de fato.  

Racismo: Uefa pune argentino que insultou Vini Jr.

A Fifa anunciou ontem que o argentino Gianluca Prestianni foi alvo de uma “suspensão preventiva”, sob acusação de ter dirigido insultos racistas ao brasileiro Vini Jr. no jogo do playoff de acesso às oitavas de final da Liga dos Campeões, entre Real Madrid e Benfica.

“Isto surge sem prejuízo de qualquer decisão que os organismos disciplinares da UEFA possam, subsequentemente, tomar, em decorrência da conclusão da investigação e da sua respectiva submissão aos organismos disciplinares da UEFA”, diz a nota.

Durante o jogo da semana passada, Vinícius denunciou Prestianni ao árbitro francês François Letexier, instantes depois de ter marcado o golaço que valeu ao Real um triunfo de 1 a 0, no Estádio da Luz. Gianluca Prestianni lhe teria chamado “mono” (“macaco”, em português).

O argentino, que tapou a boca com a camisa na hora de falar com o brasileiro, nega o insulto racista, mas está fora do jogo da volta no Santiago Bernabéu. O técnico José Mourinho, que foi conivente com os insultos contra Vini, também está fora. Foi expulso por reclamações.

(Coluna publicada na edição do Bola desta terça-feira, 24)

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