POR GERSON NOGUEIRA

Quando foi contratado pelo Remo, que deu um passo entre o surpreendente e o aleatório, Juan Carlos Osório foi descrito como de fato é. Um técnico cerebral, que gosta de montar times que não guardam posições fixas e é inimigo declarado do convencionalismo tático.

Um dos principais choques causados pela chegada do treinador colombiano foi a mudança de cultura quanto à escalação de jogadores. Com ele, acaba aquela história de escalação que o torcedor sabe de cor.

Logo nos dois primeiros jogos sob seu comando, o Remo experimentou mudanças radicais entre um e outro. Contra o Águia, na Supercopa Grão-Pará, ele botou um time em campo, que foi radicalmente alterado para a estreia no Campeonato Estadual contra o Bragantino.

Depois, Osório fez um bem-bolado para enfrentar o Vitória, na aguardada estreia remista na Série A após 32 anos. A opção foi até razoavelmente bem no 1º tempo, mas a estratégia fez água no 2º por obra do próprio Osório.

A fixação em embaralhar as coisas, algo que o técnico parece preservar como mantra de vida, motivou a primeira derrota do Remo na Série A. Trocas equivocadas desmontaram o meio-de-campo e deixaram a defesa exposta, permitindo ao Vitória marcar dois gols com facilidade.

Até um jogador execrado pela torcida, como Dodô, foi espantosamente lançado por Osório no jogo. Com a derrota, as críticas começaram a ficar estridentes. E ganharam mais ênfase na má condução do time diante do Mirassol, no Mangueirão.

Depois de um 1º tempo surpreendentemente bom, Osório meteu os pés pelas mãos e também se responsabilizou por novo tropeço. Com 2 a 0 no placar, sacou os três atacantes – Alef Manga, João Pedro e Hernández – e abriu as portas da defesa para o ataque do Mirassol.

O que já era desconfiança aberta da torcida, explodiu em hostilidade pura no Re-Pa. Como vários outros técnicos que passam pelo futebol paraense, Osório não deu muita bola para a importância do clássico. Lançou um time mesclado e se deu mal. Escapou por pouco de uma nova derrota.

Com dois jogos desafiadores pela frente, Atlético-MG (em BH) e Castanhal, na quarta e na quinta-feira, Osório vive momento decisivo no comando do Remo. Um revés no Brasileiro pode inviabilizar sua permanência no cargo.

Como se sabe quem é e como trabalha Osório, o desempenho dele não pode ser visto com estranheza. Um treinador que precisa de tempo para fazer um time funcionar não pode dar respostas em apenas 35 dias de trabalho. Por isso, talvez o problema não seja exatamente Osório, mas o critério de escolha que fez o Remo chegar a ele. (Foto: Samara Miranda/Ascom CR)

Um grande volante descobre vocação maior

Seguro nas antecipações, tranquilo no embate direto, absoluto no jogo aéreo. Assim pode ser resumida a atuação do zagueiro Castro, do PSC, no clássico contra o Remo. Pelo lado dele não passou nada. Com categoria, encarou o ataque adversário sem cometer um deslize. É verdade que, no 1º tempo, foram raras as investidas ofensivas dos azulinos.

De toda maneira, foi unânime a avaliação de que Castro foi o melhor jogador em campo, superando até a atuação portentosa do goleiro Marcelo Rangel, que andou salvando gols certos do PSC.

Na liderança do sistema defensivo do Papão, tendo ao lado o uruguaio Quintana, que está de volta à zaga, Castro não sentiu o peso do clássico. Sim, o Re-Pa costuma exercer uma forte pressão sobre os jogadores que encaram pela primeira vez a experiência.

Quando ele foi anunciado como zagueiro, no início da temporada, avaliei que seria uma fugaz passagem pela última linha, antes de ser entronizado na função de origem – foi o elogiado volante do Águia na campanha que levou ao título estadual de 2023.

Júnior Rocha, porém, preferiu manter Castro como zagueiro, e acertou. O antigo volante parece mesmo ter descoberto sua verdadeira função no jogo. A atuação sem defeitos diante do maior rival avaliza a escolha do técnico.

NFL e Jogos de Inverno, dois micos fenomenais

Coisa curiosa. A NFL é tão interessante e empolgante que ontem todo mundo só falava do show engajado e histórico do portorriquenho Bad Bunny no intervalo. O fato é que o resto do mundo não dá a mínima sobre o resultado do Super Bowl, que a mídia norte-americana chama de “final mundial”, com aquela soberba típica de quem mal conhece o mapa mundi.

O embalo que se observa no Brasil ao futebol americano é tão forçado que só perde mesmo para as inacreditáveis Olimpíadas de Inverno, mico que a Globo tenta vender como competição imperdível. Provas monótonas, disputas mais frias que o gelo artificial utilizado na competição e, por consequência, narrações tenebrosamente chatas.

Amanhã, o cardápio de provas inclui esqui na neve (artificial também), skeleton e um tal luge, seja lá o que for esse troço. Não posso deixar de perder. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta terça-feira, 10)

4 respostas a “Osório e a filosofia do risco”

  1. Avatar de marcosfonteles58
    marcosfonteles58

    A boa edição de hoje do blog traz pelo menos duas grandes marcas.
    A primeira tira a máscara de que o eMo jogou o clássico contra o Paysandu com time “B” ou “C”. Foi mais uma escalação do “pesquisador” Osório, que a cada jogo monta um time diferente.
    É a segunda é o destaque merecido dado ao Castro que, a cada jogo, mostra um belo futebol e que no domingo passado anulou os adversários.

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  2. Avatar de marcosfonteles58
    marcosfonteles58

    A boa edição de hoje do blog traz pelo menos duas grandes marcas.
    A primeira tira a máscara de que o eMo jogou o clássico contra o Paysandu com time “B” ou “C”. Foi mais uma escalação do “pesquisador” Osório, que a cada jogo monta um time diferente.
    É a segunda é o destaque merecido dado ao Castro que, a cada jogo, mostra um belo futebol e que no domingo passado anulou os adversários.

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  3. Avatar de VALDEMAR
    VALDEMAR

    Em relação ao super bowl, concordo com a sua opinião.

    Mas, em relação às olimpíadas de inverno, mesmo sendo seu fã, achei seu comentário de baixo nível, me desculpe. As poucas vezes que tenho visto não achei essa monotonia que vc fala, além do mais é de uma realidade ambiental totalmente diferente do que vivemos aqui no nosso calor do dia a dia, não podemos fazer esse tipo de comparação.

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  4. Avatar de Bernardete Kleinibig
    Bernardete Kleinibig

    Ainda, complementando o comentário por mim feito em outra postagem:

    Nada como um dia atrás do outro. Não sendo ciência exata, o futebol no entanto depende de uma série de circunstâncias internas (dentro de campo) ou externas.

    Até uma semana atrás, o Águia de Marabá era dado como uma grande equipe, que daria (pode dar ainda) muito trabalho à dupla RE-PA. No entanto, o time B do Remo impôs ao time marabaense um baile de três a zero, com direito a belos gols.

    Diante do resultado, no jogo seguinte – contra o PSC -, Remo era o favorito, pois, considerando a importância do clássico, se esperava o time titular. Não acontecendo isso (em função do calendário), o Paysandu, bem treinado, dominou as ações no primeiro tempo e no segundo não foi mal. O empate acabou salvando o treinador azulino. Em dado momento do jogo no segundo tempo, intuí que o PSC acabaria vencedor, mesmo com um jogador a menos. Penso que exatamente isso pensou o Osório, e, precavendo-se, fez as substituições tão criticadas.

    Vê-se que antes do RE-PA, o PSC vinha de uma derrota para a Tuna. Porém, ontem, sem polêmicas de arbitragem e sem queixas de gramado ruim, foram dois gols para o Cametá. Cadê o timaço que imprensou o Remo? E em Minas, cadê o timeco que seria implacavelmente derrotado pelo Galo?

    Sobre o gesto de Pikaxu, revoltado contra a falta em Pavani, e a encenação do jogador bicolor, faço uma comparação com um lance em que Hernandez sofreu uma braçada no pescoço, isso no jogo contra o Mirassol. Não foi suficiente para considerar-se agressão, por isso o árbitro não deu importância. Seguiu-se o jogo normalmente. Mas quando é em RE-PA…

    Nada como um dia depois do outro, como diz o provérbio popular.

    Fatores internos: jogadores desentrosados; alguns acabam falhando mesmo; treinador por vezes é infeliz na escalação ou nas trocas (e isso não ocorre somente com o do Remo); algum erro de arbitragem (tempo de acréscimo, p. ex.). Circunstâncias externas: calendário apertado com duas competições ao mesmo tempo; pouco tempo de preparação, diferente de outros anos; jogadores recém-chegados…

    Por isso que eu espero para vê. Não me empolgo diante de vitórias nem mesmo me desespero quando de eventuais derrotas. Critico sim certos analistas da mídia paraense cuja ocupação é levar o torcedor apaixonado ao desespero nos primeiros resultados ruins de seu time e empolgá-los quando de vitórias enganadoras.

    É isso.

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"People ask me what I do in the winter when there's no baseball. I'll tell you what I do. I stare out the window and wait for spring."

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