POR GERSON NOGUEIRA

Mesmo enfrentando um adversário do pelotão intermediário, o Remo decepcionou em sua estreia na Série A. No Barradão, em Salvador, o time de Juan Carlos Osório conseguiu fazer um 1º tempo equilibrado diante do Vitória, mas não manteve o ritmo e foi derrotado na segunda etapa.

As movimentações iniciais mostraram um time atento, fechado e buscando anular as investidas do time da casa. Aos poucos, o Remo foi se soltando, principalmente pela direita, com João Lucas, Yago Pikachu e Patrick.

Apesar da solidão na meia-cancha, o volante Zé Ricardo compensava com ações rápidas, afinado com Pikachu. Mais confiante, o Remo chegou a ameaçar em investidas de João Lucas e João Pedro. Um disparo de Alef Manga passou rente à trave. Nos acréscimos, Pikachu acertou o travessão de Gabriel, em lance anulado por impedimento.

A equipe continuou a se defender bem no início da segunda etapa, mas o Vitória foi mais competente na exploração dos espaços. Com destacada presença de Mateuzinho entre as linhas de marcação, a bola começou a chegar aos atacantes Renato Kayzer e Baralhas.

A insistência rubro-negra expôs com clareza a falta de combatividade dos volantes Pavani e Dodô, substitutos de Zé Ricardo e Patrick de Paula.

O Vitória se posicionou para explorar a distância entre os setores do Remo, atacando o lado esquerdo da defesa azulina, onde Kayky atuava improvisado. Por lá, os rubro-negros abriram caminho para a vitória.

Aos 9 minutos, uma falha de Marcelo Rangel permitiu o gol de abertura. Em cobrança de escanteio, o goleiro pulou com atraso e o centroavante Renato Kayzer cabeceou livre de marcação. Logo em seguida, Pikachu teve a chance do empate, mas chutou descalibrado.

O árbitro Ramon Abatti Abel apontou um pênalti sobre o atacante Fabri, mas, na revisão do VAR, o lance foi invalidado. O pesadelo azulino prosseguiu e, aos 31’, Baralhas surgiu à vontade na área para aproveitar passe de Fabri em meio a quatro jogadores do Remo.

A zaga azulina parecia em surto ante a pressão do Vitória. Fabri chegou a marcar o terceiro gol, mas o VAR traçou as linhas e anulou por impedimento. O mesmo Fabri ainda botou uma bola na trave de Rangel.

O Remo teve apenas uma boa chance com João Lucas, já nos acréscimos, finalizando nas mãos do goleiro Gabriel um bom cruzamento de Patrick.

A jornada está apenas começando, mas alguns erros apresentados ontem à noite exigem reparos imediatos. Com o mesmo time (salvo mudanças de escalação) que venceu Águia e Bragantino, o Remo mostrou limitações sérias no Barradão. A Série A deve ser levada a sério. (Fotos: Talita Gouvêa/Ascom CR)

Defesa exposta, zagueiros lentos e ataque inexistente

O setor defensivo foi o ponto mais frágil da engrenagem azulina em Salvador, mas não foi o único. O meio-campo carece de criatividade e o ataque ficou dependendo de bolas aéreas. O festejado sistema de infiltrações, passes curtos e jogadas pelos lados, que Juan Carlos Osório costuma usar, não deu as caras no Barradão, ontem.

É certo que o condicionamento está em baixa, foi apenas o terceiro jogo na temporada, mas impressionou a queda de rendimento na segunda metade do jogo. Enquanto o Vitória crescia em campo, o Remo definhava.

No 1º tempo, o time ainda mostrou organização e confiança quando saía de seu campo. Quando Osório trocou Zé Ricardo por Pavani e lançou Dodô, a coisa desandou de vez. As saídas ficavam com Pavani, que insistia e perdia todas as tentativas de drible pelo meio.

Eduardo Melo entrou no lugar de João Pedro e, como o companheiro, não conseguiu jogar pelo simples fato de que o Remo não construiu jogadas para os homens de área. Pikachu busca abrir espaços e pode ser decisivo, mas não pode ficar isolado diante dos marcados.

Dramático em muitos momentos do 2º tempo foi o cenário defensivo. Marllon e Léo Andrade não conseguiam marcar os atacantes do Vitória. Kayky mostrou que não pode jogar na lateral-esquerda. Seria mais útil dentro da área, onde Léo Andrade não disputa bolas aéreas – é um caso raro de zagueiro terrestre. Klaus não pode ser reserva.

Um outro ponto. Osório, que merece todo respeito pelo histórico profissional, não pode incorrer no equívoco de apostar em jogadores que não conseguiram ser efetivos nem na Série B, casos de Dodô e Pavani.

Marketing vira arma de guerra no ano da Copa

A babação de ovo em torno de Lucas Paquetá em parte da mídia sudestina, principalmente a do Rio de Janeiro, chega a ser constrangedora. Jogador mediano, sem títulos importantes no currículo, o meia é saudado por alguns apressados como uma grande atração para o Campeonato Brasileiro no seu retorno ao Flamengo.

Menos, bem menos. Pelo que mostrou ao longo dos anos em que esteve no futebol inglês, defendendo o West Ham, Paquetá é um jogador comum. Será, quando muito, um coadjuvante na disputa do certame nacional.

Depois dos aplausos forçados a Neymar no ano passado, a Série A verá certamente outro projeto mirabolante de marketing em ação. Como de hábito, em ano de Copa, certos jogadores tentarão chegar à Seleção a qualquer custo.

(Coluna publicada na edição do Bola desta quinta-feira, 29)

One response to “Estreia decepciona e preocupa”

  1. Avatar de marcosfonteles58
    marcosfonteles58

    assistindo o jogo deu para entender o motivo que levou o Marcos Braz cair fora. Melhor ficar com o título de bem sucedido de um acesso inesperado do que a responsabilidade de um insucesso previsível.

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