POR GERSON NOGUEIRA

Amazonas FC acerta contrato com atacante Ronald, ex-Remo

Foto: Samara Miranda/Ascom CR

O noticiário esportivo dos últimos dias destaca a contratação de Ronald pelo Amazonas para a disputa da Série C nacional. Formado nas divisões de base do Remo, com características que normalmente agradam aos técnicos modernos – velocidade, chute forte e boa capacidade de drible –, o jogador teve algumas chances no time titular, mas nunca mereceu um trabalho continuado, para que explorasse melhor suas qualidades.

Ronald foi notado pela primeira vez em 2020, quando disputou oito partidas do Parazão daquele ano como titular. Arisco, letal nos contra-ataques, lembrava pontas que marcaram época no futebol paraense. Essa expectativa garantiu a ele cinco anos como opção.

Atuou mais em 2021 (24 jogos), um pouco menos em 2022 (15), mantendo a média em 2023 e 2024. Ronald, como todo moleque da base, dependia sempre da boa vontade dos técnicos. Alguns não tinham paciência, como Felipe Conceição, na Série B 2021. Além de escalar o atacante sempre na direita, fora da posição original, insistia com jogadores tecnicamente inferiores.  

Na disputa da classificação à 3ª fase da Copa do Brasil, diante do Cruzeiro, em Belo Horizonte, com o Remo sobrando em campo, Conceição deixou Ronald mofar no banco e desperdiçou uma excelente alternativa de explorar o contra-ataque. O Leão acabaria eliminado nas penalidades.

Uma lesão grave na Série C em 2023 frustrou a melhor temporada de Ronald no Evandro Almeida. Dribles em velocidade e presença decisiva nos contra-ataques, ele acabou vitimado pela violência dos marcadores. Voltou meses depois, mas não desfrutava mais do mesmo espaço.

A desculpa habitual dos técnicos quando alguém cobrava uma chance para Ronald era sempre a baixa estatura, o que parecia uma espécie de condenação. Em 2024, sob o comando de Rodrigo Santana, na campanha que garantiu o acesso à Série B, a torcida teve a chance de ver em algumas partidas lampejos do talento ofensivo do ponta-esquerda.

Foi dele o gol que assegurou a importante vitória sobre o Caxias, na Serra Gaúcha, naquele que ficou conhecido como o “jogo da neblina”. A partir do final de 2024, Ronald começou a ser emprestado a outras equipes (Carajás, São Joseense, Izabelense e Palmas), distanciando-se de suas origens.

No final do ano passado, o Remo encerrou o contrato e liberou Ronald. Agora ele vai tentar a sorte no Amazonas. Parece um veterano, mas tem apenas 23 anos, carregando as marcas das frustrações – dele e da torcida, que um dia acreditou na consolidação de um ponteiro à moda antiga, com as virtudes e manhas que o futebol sempre consagrou, mas que nem sempre os clubes se interessam em valorizar.

Henrico volta à Curuzu em busca da grande chance

Sem maiores badalações, Henrico foi o primeiro reforço apresentado pelo PSC. Após rápida passagem pelo time profissional, ele se destacou nas categorias de base da Tuna. Foi lá que Ignácio Neto, auxiliar técnico permanente do Papão, acompanhou a evolução do atleta. 

O lado curioso é que Henrico, oriundo do Marajó, já havia passado pela Curuzu. Jogou pelo PSC nas categorias sub-13 e 15. Na Tuna, conquistou a tríplice coroa na base do sub-20, envergando a braçadeira de capitão.

A ideia de voltar a vestir a camisa alviceleste parecia distante, mas o sonho foi viabilizado pela indicação de Ignácio Neto, com quem trabalhou na Lusa. Ao lado de outros garotos,

Henrico, aos 21 anos, está entre os cotados para participação nos jogos do Parazão. A promessa é do próprio técnico Júnior Rocha, que defende o aproveitamento de jovens valores do clube no Campeonato Estadual.

Parque Olímpico: lazer e esporte para o povo

Novo complexo esportivo, entregue pelo Governo do Pará na última terça-feira (13), o Parque Olímpico Mangueirão começa a se consolidar como alternativa de esporte e lazer para moradores dos bairros próximos. Centenas de pessoas já frequentam o local para atividades esportivas nas quadras, exercícios na academia ao ar livre, caminhadas na pista e momentos de lazer e convívio social.

Situado entre o estádio Jornalista Edgar Proença (Novo Mangueirão) e a Arena Guilherme Paraense (Mangueirinho), o Parque Olímpico tem acesso pela rodovia Transmangueirão. O investimento do governo do Estado presenteou a população com um dos maiores complexos esportivos da Região Norte.

O equipamento foi projetado para atender crianças, jovens e adultos, incentivando a prática esportiva como instrumento de promoção da saúde, lazer e transformação social.

Importante: o espaço funciona de segunda-feira a domingo. Às segundas, devido à manutenção, o funcionamento é das 18h às 22h. De terça a domingo, o Parque Olímpico abre das 8h às 22h.

A partir de segunda-feira (19), o uso das quadras ocorrerá mediante agendamento, por meio do contato institucional da Seel – telefone (91) 98538-5560. O objetivo é garantir organização e acesso democrático ao espaço, com duração de 1h30 para atividades coletivas, tanto nas quadras de areia quanto nas poliesportivas.

(Coluna publicada na edição do Bola desta sexta-feira, 16)

2 respostas a “A base (quase) nunca reconhecida”

  1. Avatar de Miguel Silva
    Miguel Silva

    É na TV, é no rádio e nos jornais. Pra onde viro vejo torcedores, jornalistas e dirigentes de clubes falando na base. E Remo e seu rival discutem esse assunto por motivos diferente. O Remo, hoje na série A, encontra sérias dificuldades para contratar jogadores a altura do desafio. Então, lamenta a falta de crias prontas para suprir o time principal. O rival, que caiu para a Série C, tem motivos diferentes. Com pouco dinheiro e diversas ações judiciais, tem, por necessidade, de recorrer aos jovens atletas da casa.

    Aí, a base parece uma caixa cheia de jóias que alguém lança a mão em momento de dificuldades. No caso local, não é. Esses garotos que formam as divisões inferiores dos nossos clubes carecem de aprimoramento técnico e físico, apoio psicológico e econômico. Nesse angu, faz falta aos nossos clubes CTs decentes, de verdade, igual ao que o Remo utiliza em PE, de um clube da quarta divisão do Campeonato Brasileiro e profissionais competentes como técnicos, fisicultires, nutricionistas e psicólogos.

    Na questão do aprimoramento técnico e físico, o exemplo de Ronald é emblemático. Ninguém em sã consciência nega o talento desse jogador, mas é evidente que faltou a ele uma formação técnica que retirasse dele vícios recorrentes como não dosar sua correria, falta de aprimoramento nos chutes ao gol e o excesso de individualismo. Para quem assistiu a Copinha SP, essa competição evidenciou deficiências técnicas e físicas de nossos times sub-20.

    Então, os nossos clubes precisam sair da retórica e investir de verdade nos jovens jogadores de suas bases se quiserem ter relevância e não ficarem reféns de empresários e jogadores mercenários.

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    1. Avatar de blogdogersonnogueira

      Muito bom observado, Miguel. Uma história repetitiva e sem solução, por enquanto.

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