POR GERSON NOGUEIRA

Para espanto geral, o técnico campeão paraense da temporada resolveu arrumar as malas e deixar o Águia na manhã de ontem. Mathaus Sodré comunicou sua decisão aos dirigentes no café da manhã e resistiu a todos os apelos para permanecer no comando. O time marabaense está em Rio Branco (AC) para enfrentar o Humaitá pela Série D.
Diante da desistência inesperada de Sodré, o Águia viu-se, de uma hora para outra, entregue a um mar de incertezas. O clube não estava pronto para ficar sem treinador em plena disputa do Campeonato Brasileiro.
Segundo a diretoria do clube, Mathaus Sodré alegou “divergência de interesses internos”, sem explicar direito o que isso quer dizer. Passa, à primeira vista, a impressão de que a política de contratações adotada pelo clube desagradou ao treinador.
Mathaus teria ambições maiores na temporada, mas a saída do lateral-esquerdo Evandro para o Remo pode ter influído na decisão, apesar de o Águia ter se movimentado com rapidez, contratando o experiente Rayro para substituir Evandro.
Em nota, o Águia de Marabá informa que o técnico Mathaus Sodré pediu desligamento do clube. “A diretoria, que recebeu este pedido com surpresa, irá se reunir e um pronunciamento acontecerá em breve”.
Um extenso comunicado foi divulgado pela assessoria do técnico, dando uma satisfação ao torcedor marabaense. Segundo Mathaus, o Águia não depende e nem precisa mais de sua presença. “Minha gratidão eterna a esse grupo, pois ninguém faz nada sozinho: meu staff, escolhido com tanto critério com méritos, e que ao longo dessa jornada se mostrou incessável em todos os momentos tornando todo o trabalho possível”, diz a nota.
Reservou uma saudação especial aos jogadores, segundo ele, “guerreiros que se entregaram totalmente a esse projeto, acreditando no trabalho de um jovem treinador e embarcando nessa jornada comigo, tornando possível todos os sonhos que sonhos e trabalhamos juntos para tornar realidade”.
Mathaus, 36 anos, virou ídolo em Marabá após comandar a brilhante campanha do Águia no Campeonato Paraense, que culminou com o inédito título estadual, após desbancar o PSC nas semifinais e o Remo na decisão, em pleno Baenão lotado. Com o triunfo no Parazão, o Águia ganhou o direito de disputar a Copa do Brasil e a Série D do próximo ano.
Não há dúvida sobre a competência do jovem técnico, que levou o time a uma inédita classificação para a 3ª fase da Copa do Brasil, após eliminar o Botafogo paraibano e o Goiás. O Águia ocupa a 3ª colocação do Grupo 1 da Série D, com 19 pontos, com boas chances de classificação.

Os números expressam a excelente passagem de Mathaus pelo Águia. Disputou 29 jogos, com 14 vitórias, oito empates e sete derrotas – 57,4% de aproveitamento. Quando tudo indicava que o próximo desafio era o acesso à Série C, eis que o treinador resolveu sair. Uma perda séria e que deve ter consequências imediatas.
Pela primeira vez, CBF valoriza a Seleção feminina
Nunca uma Seleção Brasileira feminina mereceu tanta atenção por parte da CBF como a atual, que a partir do dia 20 de julho entra em campo para disputar a Copa do Mundo em gramados da Austrália e da Nova Zelândia. Para começo de conversa, o escrete dirigido pela sueca Pia Sundhage viajou em jato fretado, regalia que até então só era concedida à Seleção masculina.
A fase de preparação incluiu uma atenção especial às jogadoras que atuam no futebol europeu, algo impensável há alguns anos. É óbvio que a aposta da CBF se sustenta no fato concreto de que a equipe tem, pela primeira vez, boas possibilidades no mundial.
Pia Sundhage afirmou que a seleção tem chances reais de brigar pelo título mundial, agora ou em 2027. “Penso que as dez melhores seleções têm chances reais de vencer, e a do Brasil é a oitava. Com o histórico que temos e o apoio, pode ser sim. Será que será já neste ano? Não sei. Pode ser que seja em quatro anos”, observou, antes do embarque.
A preocupação em dotar o escrete de outros recursos, além do talento natural, marca o trabalho desenvolvido por Pia. Para ela, exibir talento não é o suficiente para vencer torneios. As atletas mais jovens são as que mais se adaptaram a essa visão de jogo, que inclui marcação forte e velocidade.
Nada que exclua Marta, de 37 anos, que vai pra sua última Copa do Mundo. Melhor jogadora já revelada no Brasil, ela continua importante, mas o time não depende mais exclusivamente dela. As ações coletivas podem armar a Seleção para o momento em que Marta já não puder ajudar.
Outra veterana, Cristiane Rozeira, não teve o mesmo tratamento dado a Marta. Aos 38 anos, Cris continua em forma e é um dos destaques do Santos no Brasileirão de futebol feminino, com 11 gols marcados.
Desde que Pia assumiu o comando, Cristiane deixou de frequentar as convocações da seleção, perdendo espaço para atletas mais jovens, como Andressa Alves, Nycole, Debinha, Gabi Nunes e Bia Zaneratto.
Todas têm em comum virtudes do agrado de Pia: velocidade com e sem bola e fácil adaptação a posições e funções táticas que a técnica utiliza. São características que a veterana Cristiane não tem. Há especulações sobre outras razões para Cris ter sido descartada, mas Pia não dá pistas.
O interessante é que no Mundial da França, em 2019, o destaque da seleção foi a atacante do Santos, que fechou sua participação com quatro gols marcados. O problema é que, apesar do êxito individual de Cris, o Brasil não passou das oitavas de final.
(Coluna publicada na edição do Bola desta sexta-feira, 07)
Deixe uma resposta para Rildo RemoCancelar resposta