É dia de celebrar Sir Paul McCartney, 80 anos hoje

Não estou velho nem me aposentando”, afirmou Paul McCartney no ano passado, em uma entrevista para a rádio BBC de Londres. Ainda gravando discos (o último, “McCartney III”, é de 2020), trabalhando em novos projetos (“Lyrics – 1956 to the Present” é um livro com suas letras lançado há oito meses) e subindo ao palco (ele está no meio de uma turnê pelos Estados Unidos), McCartney, de fato, não parece estar completando 80 anos neste sábado (18).

O músico sobreviveu em mais de 40 anos a John Lennon (1940-1980) e em mais de 20 a George Harrison (1943-2001), seus companheiros dos Beatles –o quarto integrante, Ringo Starr, fará 82 em três semanas.

A partir de 1970, quando anunciou o fim dos Beatles em uma coletiva de imprensa, McCartney trabalhou bastante: foram sete discos com a banda Wings e 16 álbuns solos, além de colaborações diversas e incursões no terreno da música erudita.

Mas pelo menos desde os anos 1990 ele vem se tornando cada vez mais um bastião da memória daquela que é considerada a melhor e mais popular banda de rock de todos os tempos –com quem McCartney gravou 12 discos e inúmeros compactos entre 1963 e 1970.

Talvez o primeiro passo nessa direção tenha sido o projeto multimídia “Anthology”, de 1995, que contou com um documentário de seis horas sobre a banda e três CDs duplos resgatando raridades e momentos importantes no estúdio.

Mais importante, na ocasião ele se reconciliou com Yoko Ono, viúva de Lennon, e utilizou gravações caseiras do antigo companheiro para reunir os Beatles remanescentes e gravar duas músicas inéditas, “Free as a Bird” e “Real Love”. Mais recentemente, gravou a minissérie em seis episódios “McCartney 3, 2, 1”, no qual detalha de forma emocionante processos de composição dos Beatles. E cooperou de forma direta no filme de oito horas “Get Back”, de Peter Jackson, que retrata as gravações do álbum “Let It Be” e foi lançado no ano passado.

Fora isso, tem o fato de que seus shows são praticamente um desfile de sucessos dos Beatles. E olha que são muito shows. No Brasil, ele se apresentou em 1990, 1993, 2010, 2011, 2013, 2014, 2017 e 2019. Há rumores de que ele retornará ao país em fevereiro de 2023.

Não foi só a Lennon e Harrison que ele sobreviveu. McCartney sobreviveu a ele mesmo, já que uma das teorias da conspiração mais malucas do mundo da música afirma que o artista morreu decapitado em um acidente de carro em 9 de novembro de 1966.

Conhecida como que Paul Is Dead (Paul está morto), a teoria diz que a tragédia fez com que a gravadora EMI e a agência de inteligência britânica MI-5 se unissem para criar uma farsa. A primeira não queria diminuir a vendagem de discos e a segunda temia suicídios em massa de fãs desesperadas.

Assim, a saída foi obrigar os Beatles remanescentes a manter segredo da tragédia e ainda colocar um sósia no lugar — supostamente escolhido num concurso que considerou quesitos como semelhança, talento musical e espírito jovial.

O mais curioso, no entanto, ainda estava por vir. John Lennon, inconformado com a farsa mundial, teria começado a espalhar dicas denunciando o segredo nas canções e nas capas dos Beatles. A primeira apareceu ainda no final de 1966, quando a banda gravou “Strawberry Fields Forever”.

Na seção final, quando a música volta, é possível ouvir Lennon dizendo “I buried Paul” (eu enterrei Paul). Pode testar, ouça lá. Em outras canções, Lennon teria inserido pistas só ouvidas quando os discos de vinil eram tocados ao contrário.

Dezenas de pistas foram surgindo com o passar do tempo, incluindo até algumas anteriores à data da suposta morte, o que não parece fazer nenhum sentido. Exemplos dessas são a capa de “Rubber Soul” (1965), por exemplo, em que os rapazes foram fotografados de baixo, como se estivessem olhando um túmulo, e a capa da coletânea “Yesterday and Today” (1966), em que Paul aparece com uma boneca decapitada nos ombros e com a cabeça dele no colo.

Em 1967, os alertas estariam na capa de “Sgt. Pepper’s Lonely Heart Clubs Band”. Um único instrumento aparece no chão coberto de flores: o baixo de Paul. Além disso, uma mão atrás do músico parece benzê-lo. E também em uma cena do especial “Magical Mystery Tour”, quando os Beatles dançam com rosas vermelhas na lapela. A de Paul, entretanto, é negra.

A capa de “Abbey Road”, de 1969, se tornaria a mais famosa prova da morte secreta de Paul McCartney. Confira os lances escondidos;

1) Os quatro Beatles andando em fila indicam uma procissão fúnebre. De branco, Lennon seria um anjo; Ringo Starr, de preto, o agente funerário; e George Harrison, de jeans, o coveiro;

2) Paul é o único descalço, o que fez os crentes na teoria dizerem que é assim que as pessoas são enterradas em algumas culturas;

3) Paul segura um cigarro na mão direita, mas, oh céus, o verdadeiro Paul era canhoto;

4) À esquerda, um Fusca tem a placa LMW 28IF. A primeira parte são as iniciais de Linda McCartney Widow (viúva, em inglês). A segunda pode ser lida como “28 if” (if significa se), o que nos leva a dizer que “Paul teria 28 anos SE vivo”. Oras, mas ele não teria 27, na verdade? Ah, é verdade, mas os conspiradores afirmam que, em algumas culturas, a idade da pessoa é contada a partir da concepção, e não do nascimento nove meses depois;

5) À direita, um carro da polícia representa a autoridade que exigiu que essa farsa fosse montada;

E a contracapa também:

1) A garota de vestido azul seria a fã que estava no carro com Paul na hora do acidente e escapou com vida. Aqui, ela aparece passando como se fugisse da cena da tragédia;

2) A placa com o nome Beatles tem uma rachadura no S, explicitando o fim da banda como ela existia;

3) Uma série de pontos ao lado da placa, se conectados, formam triângulos, indicando os três músicos originais remanescentes. Essa foi fraca… A história cresceu tanto que, em 1969, a banda teve que soltar um comunicado oficial negando o boato.

Por isso, hoje podemos dizer com certeza que Paul McCartney, 80, não está velho, nem se aposentando e nem morto.

(Transcrito da Folha de S. Paulo)

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