Classificação desenhada

POR GERSON NOGUEIRA

O cenário é dos mais favoráveis às pretensões de PSC e Remo no Campeonato Brasileiro da Série C. Nas outras edições, a possibilidade de sucesso era relativa. Desta vez, até pelo nível geral dos competidores, os representantes do Pará desfrutam de condição privilegiada para conquistar classificação (à próxima fase) e acesso.

Finda a 9ª rodada, o Mirassol lidera com 20 pontos, seguido do PSC com 18, ABC e Botafogo-PB com 17, Remo e Figueirense com 16, Volta Redonda e São José com 13, fechando o G8 da competição.

Pelo andar da carruagem, restando ainda 30 pontos em disputa, a dupla paraense pode se garantir na próxima fase apenas com os resultados de seus jogos em Belém. O retrospecto confirma isso. Remo e PSC estão entre os times com melhor aproveitamento dentro de casa, com quatro vitórias e um empate.

Somente o Mirassol teve um desempenho tão positivo. Outras equipes até se mantêm invictas como mandantes – ABC, Manaus, Botafogo-PB e São José –, mas sem alcançar o mesmo quantitativo de pontos.

O líder Mirassol, o vice-líder PSC e o quinto colocado Remo ostentam melhor performance como mandantes – 86.7%. Não por acaso, os que têm mandado mal seus jogos amargam as últimas posições, casos de Campinense e Brasil-RS (41.7%), Vitória (40%), Floresta e Aparecidense (33.3%) e Atlético-CE (8.3%).

Como o modelo de disputa da Série C prevê apenas jogos de ida na primeira fase, alguns clubes fazem mais partidas em casa do que outros. PSC e Remo têm 10 jogos como mandantes e 9 como visitantes. Os bicolores ainda farão um jogo a mais em Belém, pois disputarão o clássico Re-Pa (3 de julho) na condição de visitantes.  

Tradicionalmente, competições nacionais favorecem times de melhor aproveitamento em casa. A Série C atual amplia essa vantagem. Quem conseguir mostrar força dentro de seus domínios e ao lado de suas torcidas tende a se beneficiar na pontuação final.

A dupla Re-Pa dispõe ainda de um combustível extra: a imensa força de suas torcidas, reconhecidas como das mais vibrantes do país. Tanto no Baenão quanto na Curuzu, os visitantes têm sempre o desafio extra de superar o barulho dos torcedores nas arquibancadas.

Quando a esse entusiasmo da massa torcedora vem se juntar um futebol eficiente e ofensivo, a combinação é praticamente imbatível. Os jogos recentes demonstram isso. O PSC derrotou o Manaus (2 a 0) em seu último confronto na Curuzu com o apoio de mais de 10 mil pagantes.

O Remo recebeu o Campinense no Baenão, em noite de temporal em Belém, e colocou mais de 11 mil torcedores nas arquibancadas, com uma vibração que contribuiu para a goleada de 4 a 0.

As próximas rodadas irão mostrar se – conforme indicam sites de projeções – a dupla Re-Pa conseguirá atingir os 30 pontos mínimos necessários para se habilitar aos quadrangulares que definem o acesso.

CBF deixa o pão-durismo de lado e ajuda clubes

Famosa pela parcimônia com que abre o cofre para ajudar os clubes, a CBF surpreendeu ontem com a informação de que vai destinar R$ 8 milhões para os 20 clubes da Série C. Cada clube vai receber uma bonificação de R$ 400 mil. No começo da competição, a entidade havia liberado R$ 250 mil. O aporte chega em hora das mais apropriadas, com as dificuldades financeiras geradas pelos problemas econômicos que assolam a tudo e todos no Brasil.

No caso de PSC e Remo, a grana soma-se ao repasse de R$ 1,5 milhão que cada um irá receber do governo do Estado, a título de ajuda para suportar as dificuldades que uma competição deficitária (e sem transmissão de TV) amplifica bastante. Detalhe: o Pará é o único Estado que disponibiliza esse tipo de suporte aos seus representantes no Campeonato Brasileiro.

Um jogo disputado em ritmo de futebol grandioso

Foi a melhor partida do insosso Campeonato Brasileiro deste ano. Não que tenha sido um primor de técnica ou jogadas cerebrais, longe disso, mas valeu pela intensidade do jogo, disputado em ritmo frenético. Não havia tempo para embromação ou catimba. Fluminense e Atlético-MG jogaram nos moldes do que foi o futebol brasileiro até a década de 1980.

Os times não tinham medo de ir ao ataque. Se tinham, disfarçavam muito bem. Eram quase irresponsáveis nesse esforço ofensivo. Nem sempre as coisas eram resolvidas no talento, mas sempre havia entrega e busca pelo gol. Isso encantava as torcidas e fazia lotar os estádios.

Foram oito gols. Arias, Samuel Xavier, Luiz Henrique e Cano (duas vezes) marcaram para o Flu. Hulk, Jair e Sasha fizeram os gols do Galo. O primeiro tempo terminou 3 a 2 para os tricolores, o Atlético empatou logo no início da etapa final. Depois, Cano e Luiz Henrique se encarregaram de liquidar a fatura.

”Agradecer muito o (Fernando) Diniz, me falou muitas coisas, me botou muito pra cima, me elogiou muito! Falou pra eu jogar solto, que sou um garoto que joga com alegria e tenho sempre que jogar assim”, disse o garoto Luiz Henrique, explicando em grande parte a motivação para que ele e seus companheiros atuassem com tanta volúpia ofensiva.

Todos, de alguma forma, temos saudade desse jeito de praticar futebol. Os europeus, sortudos, praticam isso com mais assiduidade. Aqui, décadas de retranca e medo deixaram o jogo feio, entregue a esquemas pensados para emperrar as jogadas. Diniz, com seu carrossel improvisado, mostrou por 90 minutos que de vez em quando é possível jogar com fúria e deleite.

(Coluna publicada na edição do Bola desta sexta-feira, 10)

Um comentário em “Classificação desenhada

  1. COMO já disse anteriormente neste espaço, da décima à décima quarta rodada, a sequência de jogos se apresenta mais favorável ao Paysandú que ao Remo. Três jogos em casa: Botafogo, Brasil e Confiança. Rigorosamente há um jogo difícil (em tese), que é o contra o Remo, no Baenão.
    Já para o Clube do Remo, a sequência se apresenta complicada com Volta Redonda e Figueirense, fora de casa, e ainda o clássico.

    Concluo então que, findas essas cinco rodadas próximas, o Paysandu, salvo alguma surpresa, já estará garantido entre os oito clubes para a próxima fase.
    Já o Remo – a não ser que engrene de vez – ainda dependerá dos cinco jogos restantes.
    É aguardar.

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