Golaço salva a noite do Papão

POR GERSON NOGUEIRA

A jogada individual de Patrick Brey, de insistência e técnica, resultando num chute perfeito na gaveta da trave de Pedro Paulo, salvou a noite do PSC, ontem, em Natal. O jogo era rigorosamente equilibrado, mas o ABC havia saído na frente ao final do 1º tempo após falha grotesca do goleiro Thiago Coelho, que espalmou a bola nos pés de Fábio Lima.

O empate em 1 a 1 fez justiça à produção dos dois times. O ABC teve momentos mais agudos no primeiro tempo, mas couberam ao Papão as chances mais claras de gol. O mandante era mais ágil nas chegadas ao ataque, mas o controle da partida quase sempre esteve com o PSC.

Os dois melhores lances do ataque paraense foram protagonizados por Marcelo Toscano e Robinho. O ABC optou pelo jogo reativo, saindo em contragolpes rápidos, com Kelvin e Fábio Lima.

E foi na melhor escapada que o lateral Felipinho levou a melhor sobre Igor Carvalho e cruzou em direção à pequena área. Thiago Coelho foi na bola, mas errou ao dar o rebote para o centro da área, onde estava Fábio Lima, que só escorou para as redes.

Impetuoso e empurrado pela torcida, o ABC tentou ampliar no início da segunda etapa. Kelvin fez um disparo forte, que Thiago Coelho defendeu com segurança. Henan, que havia entrado no intervalo da partida, quase conseguiu empatar em seguida, mas o goleiro Pedro Paulo apareceu bem.

Com saídas rápidas pelo lado esquerdo, puxadas por Patrick Brey, e algumas investidas de Robinho na direita, o PSC passou a exercer uma pressão maior. Patrick então iniciou e concluiu a jogada mais bonita da noite. Entrou na área, tentou chutar duas vezes, foi bloqueado e na terceira acertou um voleio perfeito. A bola foi na gaveta esquerda.

O Papão se entusiasmou e envolveu o ABC por alguns minutos. Nesse período, Toscano recebeu livre na área, mas errou o chute. José Aldo também arriscou, mas a zaga abafou o chute.

Os minutos finais foram marcados por um jogo mais aberto. O PSC pareceu cansar e não conseguiu segurar as investidas do ABC, que ameaçou seguidamente com bolas cruzadas por Felipinho e Kelvin. Em duas ocasiões, o defensor Marquinhos subiu livre para cabecear levando perigo. E ficou nisso. O resultado foi justo, apesar da diferença de repertório entre os times.

Atacante mostrou serviço em poucos minutos

Vanilson jogou pouco mais de 20 minutos contra o Cruzeiro, anteontem, tempo suficiente para confirmar o acerto de sua contratação em três boas jogadas, uma delas quase resultando em gol. Um disparo da entrada da área, que foi defendido com dificuldades pelo goleiro Rafael. O fato é que o atacante impressionou pela movimentação dentro e fora da área, participando de triangulações com Ricardo Luz e Bruno Alves.

A longa espera pelo jogador tinha feito, de certa forma, o torcedor se desinteressar pela sua contratação. Cotado para chegar no começo da temporada, permaneceu no futebol árabe. Com o término do Parazão, as negociações se concretizaram e Vanilson finalmente aterrissou no Baenão.

Mostrou qualidades de finalizador, habilidade na condução da bola e iniciativa para jogar pelos lados. Todo mundo sabe que são incontáveis os casos de jogadores que arrebentam na estreia e depois afundam. Vanilson não parece ser desse grupo, mas, de qualquer forma, ele certamente terá a oportunidade de entrar jogando, o que permitirá fazer uma avaliação mais justa.

A conferir.

A aposentadoria triunfal do pai de Bob Cuspe

Havia uma dupla que encantava a todos pelo humor gonzo e o traço hilário. Wood & Stock (“sexo, orégano e rock’n’roll”) foram dois personagens criados pela mente inquieta do genial Angeli, meu quadrinista preferido. Wood e Stock são dois hippies sessentistas perdidos no tempo e, através deles, Angeli traçou um retrato definitivo da geração rock’n’roll com acidez, graça e um quê de generosidade.

A dupla caiu no gosto popular e ganhou até um longa-metragem de animação em 2006. Angeli foi além de Wood e Stock. Da mesma linhagem da dupla de roqueiros envelhecidos nasceu Bob Cuspe, o escrachado pós-punk, e Rê Bordosa, a garota desvairada que surfa no desbunde sem culpa.

Aos 65 anos, Angeli está abandonando o traço e a prancheta. Vitimado por uma doença pouco conhecida, a afasia, que afeta sua comunicação escrita e verbal, sentiu-se impossibilitado de continuar trabalhando em alto nível. É algo como um craque pendurando as chuteiras.

Que tenha forças para enfrentar este novo desafio na vida. De minha parte, só cabe agradecer pelas muitas risadas deliciosas que suas tiras me inspiram até hoje. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta quinta-feira, 21)

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