Na raça e na transpiração

POR GERSON NOGUEIRA

Todo mundo sabia, até o leãozinho de pedra do estádio Evandro Almeida, que o jogo seria uma parada duríssima, indigesta. E foi mesmo. Depois de um primeiro tempo sem gols, as emoções todas se acumularam no segundo tempo, quando Vinícius defendeu um pênalti e o Cruzeiro fez o seu gol após um cruzamento rasante na área. Foi também quando o Remo se superou e chegou à vitória, de virada, construída em exatos sete minutos.

Um resultado de extrema importância tanto pela reação azulina quanto pela qualidade apresentada pelo Cruzeiro. Não houve um minuto de calmaria para o sistema defensivo do Remo, pois o time mineiro atacava seguidamente e aprofundava as jogadas com o rápido Jajá pela direita.

A presença firme dos volantes Uchoa e Paulinho Curuá foi fundamental para que a última linha conseguisse dar conta das manobras que o Cruzeiro encaixava, principalmente em contra-ataques puxados por Vaguininho e João Paulo ao longo do primeiro tempo.

Ficou a sensação de que o ataque do Remo não conseguia agredir porque as bolas chegavam quase sempre defeituosas lá na frente. As melhores tentativas nasciam dos avanços de Bruno Alves e Ricardo Luz. Brenner teve duas chances, em cabeceios, mas não encaixou e as bolas saíram fracas.

Duas peças destoaram por completo: Fernandinho na esquerda e Erick Flores posicionado mais na armação. Ambos tiveram um desempenho muito abaixo do que o time necessitava para se soltar e tentar envolver o Cruzeiro. A transição continuou lenta como no jogo de sábado diante do Manaus e os erros de passe comprometiam as articulações.

No segundo tempo, o confronto ganhou em intensidade, ficou elétrico. O Cruzeiro cercava a área, o Remo saía em contra-ataques, mas as equipes se igualavam em decisões erradas. Com o Baenão lotado, a torcida finalmente teve momentos para aplaudir e empurrar o time.

Jajá seguia barbarizando pela direita e foi ele que cavou o pênalti logo nos primeiros minutos. Passou por Leonan e foi contido por Daniel Felipe dentro da área. João Paulo bateu no canto esquerdo e Vinícius saltou para fazer a defesa. O lance incendiou a massa nas arquibancadas.

Logo em seguida, aos 6 minutos, Daniel recebeu livre e chutou cruzado. Vinícius salvou a pátria de novo. O Remo respondeu com Bruno Alves, que mandou um tiro cruzado para boa defesa de Rafael Cabral.

O Cruzeiro seguia rondando a área azulina e, aos 16’, Rodolfo cabeceou com muito perigo. A insistência deu certo. Aos 20’, Daniel foi à linha de fundo e cruzou rasteiro. Rodolfo, sozinho na marca do pênalti, só desviou para o fundo das redes.

Com Felipe Gedoz no lugar de Flores e Ronald, finalmente, substituindo a Fernandinho, o Remo partiu com tudo, sem ter mais nada a perder. E a virada veio. Aos 25’, Ricardo Luz sofreu falta pela direita Marlon cobrou e a bola entrou direto. Sete minutos depois, Marlon cobra outra falta, Uchoa raspa de cabeça e Daniel Felipe complementa para as redes.

O jogo continuou em ritmo forte e, aos 40’, Marcelinho chutou de longe e Vinícius fez a defesa. Três minutos depois, foi o estreante Vanilson (que substituiu Brenner) que disparou forte da entrada da área e obrigou Rafael a uma intervenção arrojada. João Paulo ainda teve grande oportunidade, aos 47’, mas o chute saiu à direita. (Foto: Samara Miranda/Ascom Remo)

Papão encara desafio de maior envergadura

Depois da goleada sobre o Atlético-CE no último domingo, o PSC parte hoje para o segundo desafio na Série C enfrentando o ABC, em Natal, em partida adiada da primeira rodada. É um adversário tradicionalmente forte, que começou bem a disputa do Brasileiro. O time deve sofrer poucas mudanças em relação à maneira de jogar, que se mostrou eficiente diante dos cearenses.

Marcelo Toscano e Robinho devem seguir no ataque, mas Marlon pode voltar à equipe, já recuperado de contusão. O meio-campo tem José Aldo como principal articulador, auxiliado por Wesley, que estreou mostrando qualidades de finalizador. Yure também é opção para o setor.

A zaga deve permanecer com Genilson e Lucas, com Igor e Patrick pelos lados. Se for fiel à máxima de que não se deve mexer em time vitorioso, Márcio Fernandes certamente manterá a formação que começou o jogo em Paragominas.

Os desfalques continuam a ser o lateral-esquerdo João Paulo, com fratura no dedo do pé; Serginho, com lesão na coxa e Danrlei, contundido desde antes das finais do Parazão.

Enfrentar o ABC significa um teste importante para o PSC dentro da competição. A goleada sobre o Atlético-CE refletiu a boa atuação, mas teve a contribuição de um dos times mais fracos do campeonato. A batalha de hoje em Natal terá mais peso e desafio. (Foto: Ascom PSC)

Novela rançosa: eleição da FPF continua suspensa

Um capítulo a mais na tediosa novela da eleição na Federação Paraense de Futebol. Marcado inicialmente para hoje, o pleito foi suspenso de novo por decisão judicial. O Tribunal de Justiça do Estado negou um mandado de segurança que desejava derrubar a liminar dada pelo desembargador Amílcar Guimarães e que suspendeu a eleição.

Fica cada vez mais patente que o caminho natural – e lógico – seria uma intervenção na entidade. Ocorre que a CBF dificilmente iria se movimentar nesse sentido. Diante disso, segue o enterro.

(Coluna publicada na edição do Bola desta quarta-feira, 20)

2 comentários em “Na raça e na transpiração

  1. VINÍCIUS é o papagaio velho que aprendeu a falar. Não sabia pegar pênalti – acho que todos lembram. Vejam a importância de um bom preparador de goleiros, além do próprio atleta, que, reconhecendo essa deficiência, esforçou-se por aprender.
    Marlon é outro, que, reconhecendo a sua dificuldade física por conta da idade, adaptou-se à zaga. Isso não é simples, depois de veterano. Além disso, continua a ser um exímio batedor de faltas, responsável pelos dois gols do Remo.
    Se vai, lá em Minas, conseguir passar de fase eu não sei. Mas até lá o Cruzeiro continua freguês do Clube do Remo.

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  2. Caro Gerson, não vi todo esse futebol no Cruzeiro. Já o vi, em outros tempos, com time recheado de craques e jogando um futebol esplendoroso, mas mesmo assim levando surra do Leão (rsrsrs). Hoje o time estrelado é uma pálida lembrança de outros tempos. Quanto ao jogo, temos que destacar que o ataque azulino não funcionou (mais uma vez) e a lateral esquerda foi uma avenida. Se Vinícius foi o craque do jogo, isso já diz muito do que tem de ser arrumado no esquadrão azul paraense. Mas, por enquanto, eu e a torcida azul temos é que comemorar.

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