Em busca da liderança

POR GERSON NOGUEIRA

Quando o Remo entrar em campo amanhã, às 19h, na Arena da Amazônia, para enfrentar o Manaus pela Série C, é bastante provável que o time seja o mesmo que iniciou a partida de estreia em Belém, diante do Vitória-BA, no sábado passado. Só algum problema de última hora pode obrigar o técnico Paulo Bonamigo a fazer alguma alteração na equipe.

Apóstolo da filosofia de mexer o mínimo possível na escalação, Bonamigo tem um outro motivo forte par repetir o time: a atuação satisfatória contra um adversário credenciado, que está na briga pelo acesso, mesmo com as condições precárias do gramado no primeiro tempo.

Contra o Manaus, que teve boa estreia empatando com o Brasil-RS, em Pelotas, o Remo tenta conquistar a segunda vitória no Brasileiro, resultado que pode lhe dar a liderança na pontuação.

Foi possível notar que, com a entrada de Rodrigo Pimpão no ataque, ao lado de Brenner e Bruno Alves, o Remo ganhou mais presença física na frente e capacidade de recomposição no corredor esquerdo. Pimpão e Leonan mostraram entendimento, ao contrário da faixa direita, onde Bruno Alves e Ricardo Luz não tiveram o mesmo desempenho.

O meio-campo terá novamente o trio Anderson Uchoa-Paulinho Curuá-Marciel, de muita movimentação e mais segurança nas saídas para o ataque. O passe, com Marciel, ficou melhor do que antes, com Marco Antônio. Ambos não são armadores, jogam improvisados na função, mas Marciel dá mais segurança e é melhor nos passe.

Erick Flores, cotado para entrar, acabou sacado de última hora, pois ainda sente incômodo muscular. O mesmo ocorre com o zagueiro Everton Sena. Ambos devem estar à disposição para enfrentar o Cruzeiro, pela Copa do Brasil, na próxima terça-feira.

Ponto fraco da atual formação, o lateral direito Ricardo Luz tem nova chance entre os titulares, mas a preocupação com o setor deve forçar a contratação de um novo jogador para a Série C.

Pela boa atuação na etapa final contra o Vitória, é grande a expectativa pela entrada do ponta-direita Netto. Não que Bruno Alves, o titular, seja inferior, mas o novato mostrou ser mais incisivo e agudo ao investir em jogadas de infiltração em direção à área. Brenner e Pimpão podem se beneficiar muito dessa movimentação. (Fotos: Samara Miranda/Ascom Remo)

Rincón: elegância de girafa a serviço do jogo

“Foi no Mundial de 90. A Colômbia tinha jogado melhor que a Alemanha, mas perdia por 1 a 0 e já estavam no último minuto. A bola chegou ao centro do campo. Ela procurava uma coroa de cabeleira eletrizada: Valderrama recebeu a bola de costas, girou, soltou-se de três alemães que o chateavam e passou-a a Rincón, sua e minha, minha e sua, tocando e tocando, até que Rincón deu alguns passos de girafa e ficou sozinho na frente de Illgner, o goleiro alemão. Illgner fechava o gol. Então Rincón não bateu na bola: acariciou-a. E ela deslizou, suavezinha, pelo meio das pernas do goleiro, e foi gol”.

Mestre Eduardo Galeano, em “Futebol ao sol e à sombra”, descrevendo o estupendo Freddy Rincón, médio de altíssimo nível que morreu ontem aos 55 anos.

Helder repete ajuda aos clubes paraenses

Personalidade esportiva do ano, escolhido pelo Troféu Camisa 13, o governador Helder Barbalho reafirma a preocupação com o esporte paraense ao repetir o gesto da temporada passada, destinando a Remo e PSC a verba de R$ 1,5 milhão, para cada um. Os recursos visam fortalecer a participação dos clubes no Campeonato Brasileiro da Série C.

Castanhal e Tuna, que representam o Pará na Série D, receberão R$ 300 mil, direto de uma linha de patrocínio do Banpará.

Trivial variado dos baluartes da coluna

“Que Remo e Paysandú, entre outros, fiquem de olhos bem abertos. O Manaus foi grosseiramente garfado diante do Brasil. Quem sabe esse ponto não classifique o time rio-grandense à segunda fase? Ou venha a fazer falta ao Manaus? Está ainda bem nítido em minha memória aquele jogo entre Juventude e Ypiranga, em que combinaram o resultado e assim o Remo foi alijado. Na mesma competição, o Náutico foi beneficiado diante do PSC com a marcação de um penal inexistente aos 49 minutos do tempo final. Em 2021, o Remo foi rebaixado não apenas pelos seus próprios erros; também houve vários “erros” de arbitragem no primeiro turno sem VAR, e, mesmo como o VAR, naquele jogo inicial contra o CRB. Não é só futebol, segundo o Guerra”. Antônio Valentim

“O futebol brasileiro está virando piada. E de mau gosto. No desenrolar dos jogos, marmanjos levam empurrões e caem rolando no chão e fazendo caretas horripilantes como se tivessem fraturado algum osso e este tivesse ficado exposto. Imaginem se um desses marmanjos tivesse recebido a cabeçada que um técnico de futebol desferiu recentemente no rosto de uma auxiliar de arbitragem. A moça apenas recuou um pouco a cabeça e se manteve de pé. Isso não tira o impacto e a gravidade do crime. Essa e outras agressões devem ser condenadas e punidas com rigor”. Miguel Silva

(Coluna publicada na edição do Bola desta sexta-feira, 15)

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