Segurança no meio-campo

POR GERSON NOGUEIRA

A aclimatação à cultura remista não foi tão tranquila. Ex-jogador do PSC, Anderson Uchoa chegou no ano passado para ser a referência do setor de marcação do time que Paulo Bonamigo estruturava para a disputa do Campeonato Paraense e do Brasileiro da Série B. O início foi pouco animador, pois o time acabou afundando na competição considerada mais fácil. A perda do título estadual de 2021, após eliminação dramática para a Tuna, marcou negativamente todos os titulares daquela equipe.

Uchoa, que havia feito um gol importante no primeiro jogo daquela semifinal com a Tuna, acabou incluído no pacote de queixas do torcedor, embora tivesse realizado um bom papel. O processo de adaptação foi cumprido com louvor e isso ficaria patente na Série B.

Inicialmente sob a direção de Paulo Bonamigo, o sergipano de 31 anos assumiu a titularidade ao lado de Lucas Siqueira, ajudando a fortalecer o setor a partir do início da recuperação, já sob o comando de Felipe Conceição. Nem mesmo as hesitações do técnico quanto ao modelo ideal para a meia-cancha, Uchoa seguiu se destacando pela regularidade.

Identificou-se com a camisa azulina, a ponto de fazer a torcida esquecer que havia sido o grande herói da recente conquista do maior rival – foi autor do gol que garantiu o título de 2020 ao Papão aos 51 minutos do 2º tempo do Re-Pa decisivo.

Depois da decepção pelo rebaixamento na Série B, Uchoa deu a volta por cima com os companheiros no recomeço das competições. Não participou das finais da Copa Verde, mas voltou para o Estadual assumindo a posição de titular indiscutível. A dúvida era apenas quem estaria ao seu lado na meiúca. Pingo foi o parceiro inicial, mas Paulinho Curuá assumiu esse papel na fase de mata-mata do campeonato.

Além dos méritos como médio, Uchoa fez renascer a veia artilheira no primeiro jogo da semifinal com a Tuna, com um cabeceio impressionante entre zagueiros muito mais altos. Voltaria a marcar na vitória sobre o PSC no Baenão, novamente com um salto que superou os beques adversários.

Assim, de gol em gol, aliando técnica e simplicidade na condução das jogadas no meio, Uchoa se estabilizou definitivamente no time titular do Remo. É peça fundamental para a transição. Até quando está fora do time acaba se destacando. Sua ausência (por suspensão) no Re-Pa que encerrou o campeonato é avaliada no Baenão como um dos motivos para o apagão que quase custou a conquista da taça. (Foto: Samara Miranda/Ascom Remo)

Sobre a “quarta-feira da vergonha”

Recebo e transcrevo aqui a manifestação do leitor Antonio dos Santos Pinheiro sobre a coluna de domingo (10), “Confirmado: a várzea é aqui”.

“A leitura de sua coluna de domingo, 10/04 lavou minha alma. Tenho lido outros seus colegas, inclusive de outros jornais, e me assustou o posicionamento de um deles sobre a atitude dos dirigentes do Paysandu, na quarta-feira, 06/04 – quando o Remo foi campeão paraense, ao apagarem as luzes do estádio, além de agredirem (foram seguranças?) os componentes do time contrário, inclusive a uma mulher. E isso em pleno século 21. Fui esportista quando mais novo, pratiquei atletismo e handebol, do que muito me orgulho, e sou partidário do ‘saber perder e saber ganhar’, mas fiquei realmente assustado quando certo jornalista afirmou que, ‘para ele’, o caso fica apenas no ‘campo do folclore’, embora pode ter sido vergonhoso, bizarro, desastroso, imbecil e outro adjetivos mais apropriados. Voltamos aos tempos de 1.900, antigamente, quando isso era comum, embora não aceito e rejeitado?

Mas, quando inicia sua coluna tratando do ‘descaso’ de empresas quanto ao patrocínio esportivo, você nos mostra o quanto é difícil para os patrocinadores acreditarem em pessoas tão amadoras e sem nenhuma seriedade que infestam o esporte local. Dá vergonha de ver coisas desse tipo serem ‘curtidas’ por profissionais que deveriam erguer suas vozes (usando seu poder – a imprensa) contra situações que mancham nosso Estado.

Sempre li sua coluna e agora vou ler mais ainda, deixando de ler aqueles que, acho eu, deixam de lado o profissionalismo e permitem o afloramento de suas paixões clubísticas, o que não deve ocorrer quando estão informando seus leitores, mas apenas no quintal de suas casas, quem sabe enchendo a cara de vergonha. Parabéns pelo seu posicionamento, digno do grande profissional que você é.

Encerro aqui, agradecido pela atenção e, embora estejamos em plena Semana Santa, usando um texto tradicionalmente natalino:

Glória a Deus nas alturas e Paz na Terra aos homens de boa vontade. Com refletores ou sem eles”.

CBF muda para continuar tudo como está

Continua a onda de expurgos que os novos donos do poder na CBF têm realizado desde a queda em desgraça do ex-presidente, Rogério Caboclo, enredado numa espiral de acusações de assédio sexual e outras irregularidades. O manda-chuva da vez, Ednaldo Rodrigues, demitiu ontem quatro ocupantes de altos cargos na entidade: Manoel Flores, diretor de competições; Reynaldo Buzzoni, diretor de registros; Gilberto Ratto, diretor de marketing; e Carlos Eugênio Lopes, vice-presidente jurídico.

Flores, Ratto e Eugênio eram praticamente móveis e utensílios da casa desde os tempos de Ricardo Teixeira. Os três eram muito ligados também ao paraense Antonio Carlos Nunes, até hoje firme e forte na prateleira de cima da cartolagem que dita as regras no país do futebol.

Os afastamentos estão inseridos no processo de reformulação iniciado por Ednaldo com a entronização de Wilson Seneme para comandar a arbitragem. Mas que ninguém festeje as mudanças, mais vinculadas a uma reacomodação de poderes, ou se iluda quanto a uma provável economia de gastos. Os substitutos serão anunciados nos próximos dias, todos no mesmo nível salarial de R$ 200 mil, a nababesca remuneração do pessoal linha de frente da entidade. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta quarta-feira, 12)

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