Fortes sinais de perigo

POR GERSON NOGUEIRA

A vexatória eliminação do PSC na Copa do Brasil, goleado pelo CSA em Maceió, acendeu todas as luzes de alerta para o futebol paraense na temporada. A participação dos clubes paraenses ainda não terminou. Falta a estreia do Remo, que vai entrar na 3ª fase contra um adversário potencialmente mais forte, mas é possível analisar o cenário preocupante que as campanhas de Tuna e PSC desenharam.

É alarmante o desnível técnico em relação a adversários nordestinos que não frequentam a prateleira de cima do futebol brasileiro. Contra o Ceará, a Tuna escapou de uma goleada. Jogou atrás, lutando ferrenhamente para chegar à série de penalidades. Deu sorte e tomou apenas de 2 a 0.

O PSC fez um jogo mais equilibrado com o CSA, sem arriscar muito e fechando a marcação no meio-campo. Bastou, porém, um momento de desatenção para que toda a precária estratégia caísse por terra. É sobre isso que cabe uma reflexão maior.

Os três gols enfileirados entre 15 e 23 minutos do 2º tempo merecem uma reflexão pela facilidade com que foram construídos. O apagão não foi psicológico, como alguns chegaram a avaliar. O que aconteceu foi uma exibição bisonha de incompetência, iniciada no 1º tempo, quando Werley marcou aproveitando um lance de pelada na área bicolor.

A sucessão de erros que facilitou a vida do CSA não nasceu de uma pressão irresistível, mas de falhas toscas de jogadores experientes e com ampla rodagem pelo cenário das séries B e C do país.

O zagueiro Marcão pulou atrasado e deixou a bola passar para Werley cabecear, sem marcação, no segundo gol alagoano. Três minutos depois, o substituto de Marcão, Heverton, tropeçou na bola permitindo a finalização de Yann. Logo a seguir, Lucas Barcelos fez o quarto gol diante de uma defesa destroçada.

Era a zaga titular, ao contrário daquela que permitiu a goleada do Castanhal, há 10 dias, também por quatro gols. Na ocasião, havia a desculpa do campo ruim e da presença de reservas. Desta vez, não.

E que não se crucifique apenas a última linha. O problema é mais profundo. O meio-campo não combate e nem propõe jogo. O principal jogador do time, como já é rotina, não tem fôlego para dois tempos. Quando ele sai, as ações articuladas desaparecem. O PSC paga o preço de ter apostado na experiência, que só é válida quando há qualidade de fato.

Ricardinho é o único veterano que faz diferença no time. Os demais não funcionam. Henan e Toscano, preferidos do técnico, não têm o mesmo nível de Danrlei, que saiu do banco para executar a única jogada digna de aplausos nos 90 minutos, marcando um golaço. 

O tempo é cada vez mais curto, mas ainda é possível fazer ajustes para o Campeonato Brasileiro. O único aspecto positivo disso tudo é que os sinais foram dados. (Foto 1: Vítor Castelo/Ascom PSC)

Muito barulho (e intriga) por quase nada

Sem atitudes concretas para convocar a eleição, a presidência da FPF agarrou-se ontem a uma mal arrumada construção de factoide, com direito a esquema de segurança em torno do prédio-sede, sob o pretexto de se resguardar de suposta ameaça de invasão por presidentes de ligas interioranas.

Na real, o que havia sido aventado era um protesto de clubes e ligas, para cobrar mais agilidade no processo eleitoral, mas sem o caráter agressivo que a reação da FPF deu a entender. O fato é que o aparato de segurança mobilizou a imprensa e gerou muita conversa fiada em torno do nada.

Até um boletim de ocorrência foi registrado sob a justificativa de que a direção da entidade se sentia ameaçada por baderneiros. É claro que se houvesse o perigo de um enfrentamento violento as providências deveriam ser tomadas. O problema é que soou como nova manobra para desviar o foco do assunto que realmente importa: a eleição do novo presidente.

Em manifestação nas redes sociais, Ricardo Gluck Paul, um dos candidatos à presidência, opinou que “as ligas só querem ser ouvidas, valorizadas e fazer parte efetiva da federação. Chega de tratar as ligas com desprezo, soberba e arrogância”.

Com a campanha em marcha, atos e factoides tendem a se repetir cada vez mais. Enquanto a confusão se desenrolava durante a tarde de ontem, surgiu a notícia sobre a costura de uma aliança entre dois candidatos, Adelcio Torres (ex-presidente) e Paulo Romano, ex-diretor da FPF.

Remo tenta sanar a falta de um articulador

Erick Flores, o principal articulador do Remo quando Felipe Gedoz está ausente, como agora, já deu a letra. Os gramados têm atrapalhado muito o desenvolvimento do jogo. Refere-se aos três confrontos que o time precisou fazer fora de Belém. Além de atuar em bons campos, ele precisará demonstrar criatividade para fazer a equipe render mais.

O Remo jogou em Parauapebas e derrotou o Itupiranga por 3 a 0, mas empatou em 0 a 0 com Paragominas e Bragantino atuando nas cidades. Volta agora ao estádio Diogão para enfrentar o surpreendente Caeté e precisará ser mais eficiente na transição e nas variações de jogadas.

Flores será o responsável pela movimentação da equipe a partir do meio-campo. Ainda não entregou uma grande atuação no presente campeonato, mas vai ter amanhã uma nova chance, justo quando o time mais precisa de organização na meia-cancha.

No jogo da 8ª rodada, contra o Águia, Paulo Bonamigo tentou fazer de Marco Antônio o armador da equipe. Não deu certo porque o jogador não tem o mínimo cacoete de organizador. Avançou quando não deveria e se manteve no meio quando a situação exigia avançar. 

Por tudo isso, Flores continua a ser a melhor (e única) alternativa para a função. Pode não ser a opção ideal, mas é a possível.

(Coluna publicada na edição do Bola desta sexta-feira, 18)

11 comentários em “Fortes sinais de perigo

      1. Respondendo ao estimado escriba, realmente desconheço essa longa supremacia a que se refere. Futebol do Ceará dominou o do Pará qdo disputaram diretamente títulos do N/NE (anos 60/70). Tem mais participações em série A e com melhores colocações, vantagem nos confrontos diretos (considerando os jogos entre as principais forças), melhores participações na Copa do BR, sem queda dos grandes para serie D (no PA, Remo já andou até sem divisão). Claro, já houve períodos em que o futebol do PA ficou adiante, principalmente no começo dos anos 2000. Mas, num cômputo geral, futebol do CE se mantém a frente, principalmente nos últimos anos, o que não é demérito algum.

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  1. Valentim, me permita completar seu axioma: “….com Remo e Paysandú se arrastando na Série C, e a Federação Paraense de Futebol (FPF) sem Presidente desde final de 2021 !!

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  2. São duas praças a serem comparadas: Goiás (todos os três principais times na terceira fase da CB) e Ceará (primeira divisão com louvor e no primeiro pote da CB). Com ambos o futebol paraense já rivalizou com vários momentos acima deles. Lembro ainda do torneio Pará-Ceará, sendo o último em 1993. Agora, dois paraenses na série C e na terceira fase apenas o Remo, isto apenas porque ganhou um torneio de fraco nível técnico, a CV.

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    1. Só te pedindo vênia para a devida correção, amigo. Em 93, o Ceará foi o campeão do CE/PA, com o Remo vice. E em 94, inverteu. Curioso que em ambas as edições, o fiel da balança foram os clássicos. Em 93, o Ceará ganhou os 2, e em 94, empatou os 2, ao passo que o Remo, em 93, empatou os 2, mas em 94 saiu vitorioso contra o Paysandu. Mto legais aquelas rodadas duplas…

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  3. Erick nao tem como ser o cara da criaçao joga melhor recuado. Esse Jr Araujo do Caete muito bom jogador na bola parada pode ser util. Fiquem de olho os responsaveis pelas aquisiçoes do Leao.

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  4. A crónica mostra o quanto tengeciam, ou mais q isso, flertam o futebol de PE. Não são, nem nunca foram… Perdem em tudo,na boa, para o Ceará, desde torcida a desempenho. Claro, tragam números q provem o contrário (não existem). Ganham aí pelo Norte, mas se quetem didputar c os times do CE, a lavada geral é grande. Desulpem, mas é a verdade.

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