Porta aberta para a gastança

POR GERSON NOGUEIRA

O prazo de inscrição de novos atletas para o Campeonato Paraense continua aberto até o último dia útil antes da rodada final da fase de classificação. O limite ia até a sexta-feira, 25 de fevereiro. Agora, como a 8ª rodada foi transferida para domingo, 6, os clubes podem voltar às compras e contratar reforços. E é aí que mora o perigo.

O artigo 6º do regulamento diz o seguinte: “Cada equipe poderá utilizar no máximo 50 (cinquenta) atletas, sendo que esses atletas também precisar ser inscritos no Parazão Banpará 2022 no sistema de Gestão/CBF e que tenham seus nomes publicados no BID/CBF até o último dia útil que anteceder a última rodada da fase classificatória da competição”.

Para um campeonato tradicionalmente deficitário nas bilheterias, dependente dos recursos provenientes do patrocínio do Governo do Estado, aumentar a gastança e o endividamento a fim de corrigir erros no planejamento inicial representa um perigo no caminho dos clubes.

O Remo, que faz um esforço tremendo para dar conta de um custo mensal em torno de R$ 800 mil, é um dos que vai sair à caça de pelo menos dois reforços. Precisa de um meia-armador e um centroavante. O problema é de conhecimento geral desde o fim da temporada 2021.

Acontece que as contratações para este ano acabaram não contemplando a figura de um camisa 10 para se revezar com Felipe Gedoz. Persistia a ideia de que era possível seguir apenas com Gedoz e improvisando, quando necessário, Erick Flores naquela faixa tão importante de campo.

Um erro que custou caro ao Remo no ano passado, respondendo em parte pelos maus passos na Série B. Há uma grande dificuldade para contratar meias. Os bons estão empregados e custam caro. Arriscar em nomes desconhecidos ou fora do mercado tem se revelado uma política equivocada. Foi assim com Renan Oliveira no início de 2021.

Ao mesmo tempo em que representa a oportunidade de uma correção de rota, a possibilidade de novas aquisições revela-se temerária pelo histórico recente de escolhas equivocadas. O mesmo vale para o ataque, onde Brenner é o único centroavante, depois que Welthon foi dispensado. Raul (foto), inscrito na sexta-feira, é atacante de lado. 

O fato é que os planos para o Parazão terão que obrigatoriamente se misturar com as apostas para o Brasileiro da Série C, visto que os novos contratos terão que contemplar a competição nacional.

Não é somente o Remo que pode voltar a abrir o cofre para se reforçar. O PSC, que surpreendeu na semana passada ao apresentar um novo meia, Serginho, não parece carente de jogadores. Contratou 19 até o momento, contingente aparentemente à altura de suas necessidades.

A história mostra, porém, que os dois grandes da capital costumam pautar seus passos mirando o quintal do vizinho. Não seria de espantar se, diante de novos anúncios do rival, o Papão se sinta impelido a ampliar ainda mais sua cota de gastos neste começo de 2022. A conferir.

Maré baixa expõe o vazio de poder na FPF

Não se pode esquecer que a reabertura do prazo para contratações decorre da lambança histórica cometida pela FPF na programação do transporte até Outeiro dos times do Amazônia e do Itupiranga, no último sábado, 26. Como ninguém observou a tábua das marés e o ônibus deslocado para a viagem chegou no começo da tarde, a balsa não podia atravessar a tempo e o jogo terminou cancelado. 

Algo inacreditável para quem vive no Pará e deveria estar acostumado com os horários das marés.

Os demais jogos, por isonomia, também foram suspensos. Depois de alguns minutos de confusão, funcionários da FPF – que segue, oficialmente, sem presidente, até que a Assembleia Geral seja convocada – decidiram transferir os jogos da 8ª rodada para domingo, dia 6.

O que deveria ter sido providenciado antes da programação de sábado finalmente foi acertado para os jogos de domingo. Amazônia e Itupiranga jogarão na Curuzu, sem riscos de ficar de bubuia e acabar na praia.

Violência se alastra, sem limites ou punições

A semana passada foi rica em acontecimentos que expuseram a brutalidade que convive com o futebol pentacampeão do mundo, quase sempre impunemente. Começou com uma briga sangrenta entre torcedores de Botafogo e Flamengo. Depois, veio o atentado ao ônibus do Bahia, seguido pela invasão de campo após a partida entre Paraná Clube e União-PR. Torcedor do Juventude cuspiu em jogador do Caxias. E, por fim, fato muito mais grave, houve uma emboscada ao ônibus do Grêmio que se dirigia ao clássico com o Internacional, que acabou suspenso.

No atentado à delegação gremista, o jogador Villasanti sofreu traumatismo craniano após ser atingido por uma pedra na cabeça. Danilo Fernandes, do Bahia, sofreu ferimento abaixo do olho por estilhaços de bombas que explodiram no ônibus. 

Esses acontecimentos remetem a outros, igualmente graves. Em janeiro deste ano, baderneiros com a camisa do S. Paulo invadiram o jogo contra o Palmeiras pela Copa SP de Futebol Junior para intimidar os jovens atletas do time adversário. Até uma faca foi encontrada em poder dos invasores. Nada aconteceu, a impunidade triunfou de novo.

Para não ficar exclusivamente em episódios ocorridos no Sul e Sudeste, no ano passado, na Curuzu, uma turba interrompeu o jogo entre PSC e Ituano para agredir/intimidar o time paraense. Foram repelidos pela polícia e voltaram para a arquibancada a tempo de ver a continuação do jogo.

O clube foi punido (dois jogos com portões fechados), mas nenhum dos envolvidos foi pelo menos indiciado em inquérito policial pelo ato truculento. Está claro, desde sempre, que a alegada paixão pelo futebol não justifica e nem respalda atos de violência contra terceiros. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta terça-feira, 01)

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