Valeu pela emoção final

POR GERSON NOGUEIRA

O primeiro tempo deu a impressão de que o PSC iria vencer com facilidade. Empurrada pela torcida e dono absoluto da posse de bola, com linhas adiantadas, a equipe rondou a área azulina e criou seguidos lances de perigo. Faltou apenas mais contundência e infiltração para chegar ao gol. De certa forma, o Remo saiu até no lucro pelo 0 a 0 na etapa inicial.

As emoções só viriam mesmo nos minutos finais da partida, quando surgiram os gols do (justo) empate de 1 a 1. Foi um bom teste para os dois rivais, especialmente em relação à preparação para a Série C. Ambos, pelo que exibiram na Curuzu, ainda precisam de muitos ajustes.

Assim que a bola rolou, ficou patente a diferença de postura das equipes. O Remo limitava-se a defender, à base de chutões, enquanto o PSC trocava passes avançando na intermediária adversária e fazendo a bola girar com Ricardinho, Marlon, Mikael, João Paulo e José Aldo.

Com as linhas bem adiantadas, Márcio Fernandes conseguia imprensar o Remo em seu campo. Com isso, forçava erros dos zagueiros e se mantinha sempre com a posse da bola. Marlon, Everton, Pingo, Gedoz e Uchoa tinham dificuldades para fazer a bola chegar ao ataque. Para piorar, Ricardo Luz e Leonan erravam nas tentativas de avanço pelos lados.

As melhores oportunidades do PSC foram através de Marcelo Toscano, Marlon e José Aldo, mas o lance mais agudo só aconteceu aos 35 minutos, em testada de Mikael que obrigou Vinícius a uma defesa arrojada.

Antes do término da fase inicial, Paulo Bonamigo foi obrigado a tirar Felipe Gedoz, que havia entrado no sacrifício e não suportou o ritmo da partida. Ronald entrou em seu lugar e se dividiu entre a ala esquerda e a recomposição no meio-campo.

Só depois do intervalo o Remo despertou para o jogo e passou a criar situações perigosas no ataque. Na primeira, Brenner recebeu livre, limpou a jogada e chutou forte. Elias defendeu em dois tempos. Em seguida, Marlon desviou cruzamento de João Paulo e quase surpreendeu Vinícius.

Aos 15 minutos, o volante Mikael entregou a bola para Bruno Alves, que bateu fraco. Ronald teve boa chance, mas chutou sobre o travessão. Logo em seguida, Mikael perdeu bola no meio e Marco Antônio invadiu a área, mas custou a finalizar e permitiu corte de Genilson para escanteio.

Finalmente, aos 43’, após cobrança de escanteio, Brenner subiu mais que toda a zaga do PSC e testou no canto direito, sem chances para Elias. O gol calou a Curuzu e deu a impressão de que o Remo iria levar a melhor. Só que, quatro minutos depois, Dioguinho testou uma bola que veio de arremesso lateral e garantiu o empate.

O resultado espelhou o equilíbrio na etapa final, período em que o Remo saiu da inércia e começou a atacar também. O PSC, mais retraído, só acordou nos acréscimos, a tempo de evitar a derrota.

As atuações permitiram observar falhas de lado a lado, mais expostas no Remo. Ao mesmo tempo, a alardeada superioridade do PSC não se materializou no desfecho do clássico. (Foto 1: Samara Miranda/Ascom Remo; foto 2: John Wesley/Ascom PSC)

Leão aceitou imposição e custou a acordar

Os primeiros 45 minutos nem pareciam de um Re-Pa tamanha a facilidade com que o PSC transitava no campo azulino, trocando passes e lançamentos sem ser incomodado. A marcação não encaixava e os volantes Uchoa e Pingo tinham papel decorativo. Ficou faltando a presença física e o passe de Paulinho Curuá, esquecido no banco por Paulo Bonamigo.

A defesa se safava, Vinícius fez grande defesa em cabeceio de Mikael, mas o ataque inexistia. O Remo não deu um chute a gol no 1º tempo, um rendimento de time pequeno, acuado. Só no 2º tempo a equipe passou da linha de meio-campo e criou várias oportunidades.

Ronald e Veraldo, pelos lados, construíram boas situações e Brenner, mesmo isolado, deu trabalho aos zagueiros do PSC e acabou marcando o gol. Ficou provado então que a pífia atuação inicial, além dos erros de posicionamento, resultou de uma timidez tática excessiva.

Bonamigo mexeu bem no desenho de meia-cancha para o segundo período, corrigindo erros primários cometidos no início. Ficou a lição: recuar só se justifica quando há um plano para reagir contra-atacando. Se tivesse visto o VT do 1º jogo da Copa Verde, teria notado que a dupla Ronald e Mafra foi decisiva no empate (2 a 2) na Curuzu – nos contra-ataques.

Papão cai de rendimento com saída de Ricardinho

O PSC é cada vez mais Ricardinho e mais 10. A importância do meia ficou ainda mais óbvia quando ele teve que deixar o campo, aos 7 minutos do 2º tempo, acusando lesão na coxa. Dioguinho entrou e o time passou a explorar lançamentos dos zagueiros para os homens de frente, quase sempre sem chegar ao destino.

A dependência é compreensível. Ricardinho cadencia o jogo quando necessário e acelera quando percebe que há espaço para infiltrar um companheiro entre os marcadores adversários. Além disso, ninguém no atual PSC bate tão bem na bola.

Sem o veterano para organizar a transição, o PSC viu-se obrigado a baixar suas linhas, o que oportunizou espaço ao Remo durante quase todo o segundo tempo. No ataque, José Aldo se lançava para tentar o cruzamento em direção à área, mas a jogada não funcionava.

Danrlei substituiu Marcelo Toscano, mas o ataque continuava encaixotado pela defesa do Remo. Como a bola não parava na frente, o setor de marcação começou a cometer erros seguidos, principalmente Mikael e Patrick (substituto de João Paulo).

O gol no final, nascido de um lance inusitado, deu alento ao torcedor que lotou a Curuzu. A derrota seria um duro castigo. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta segunda-feira, 21)

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