Trio de ferro domina Parazão

POR GERSON NOGUEIRA

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A classificação dos grupos do Parazão revela um cenário que lembra a avassaladora hegemonia dos grandes da capital ao longo dos anos 70/80/90, período pré-estadualização do campeonato. Naqueles anos de futebol-raiz, o trio PSC-Remo-Tuna foi absoluto na conquista de títulos.

No certame deste ano, as três chaves têm a liderança dos três dinossauros. O PSC é o primeiro colocado no grupo A, com 9 pontos em três jogos. No grupo B, a vantagem é cruzmaltina, com 7 pontos em quatro rodadas. O Remo encabeça a pontuação no grupo C com 10 pontos em quatro partidas.

Curiosamente, a segunda posição é ocupada por times considerados azarões na disputa. O vice-líder do grupo bicolor é o Paragominas, com 4 pontos. A vice-liderança no grupo da Tuna é do Itupiranga, com 6 pontos. Já no grupo C, do Remo, o segundo colocado é o Caeté, com 6 pontos.

A primeira impressão, disputada metade da fase classificatória, é que o reinado dos maiorais está de volta. Pode ser uma visão precipitada porque a distância entre os líderes e os demais times não é tão segura, a ponto de garantir classificação tranquila.

O Papão mantém cinco pontos à frente do Jacaré e o Remo tem quatro pontos de vantagem, mas a Tuna tem o Itupiranga colado em seus calcanhares – a diferença é de um ponto apenas.

Há muito a acontecer ainda no campeonato, inclusive quanto à definição dos dois melhores terceiros colocados ao final desta etapa. Surpresas podem ocorrer, levando em conta que a tendência é de evolução dos times.

Por ora, o desempenho de times interioranos tradicionais, como Águia e Castanhal, está abaixo das expectativas. Bragantino e Independente dão sinais de que irão brigar pelas primeiras posições. (Resultados do sábado podem alterar esse cenário; a coluna é fechada na sexta-feira à noite)

De todos, o Castanhal é o que menos entregou até agora em relação ao que prometia. Organizado e com um volume de contratações superior ao dos demais interioranos, parecia apto a fazer grande campanha. Até o momento isso não aconteceu.

A derrota em casa na última rodada, de virada para o Itupiranga, acendeu de vez o sinal de alerta no clube. Por essa razão, o técnico Cacaio deixou o cargo após mais de um ano no comando. Robson Melo assumiu na sexta-feira, um dia após deixar o Tapajós.

Em campeonato de tiro curto, não há tempo a perder na busca por ajustes importantes. É provável que, além do Castanhal, outros times façam movimentos no sentido de corrigir rota e salvar a campanha.

Bola na Torre

A apresentação é de Guilherme Guerreiro, com participações de Giuseppe Tommaso e deste escriba baionense. O programa começa às 22h, na RBATV. A quinta rodada do Parazão é o tema em debate. Na edição, Lourdes Cézar.

Rodada pode encaminhar classificações

A quinta rodada do campeonato pode começar a definir a classificação para a segunda fase. O Remo, que enfrenta a Tuna às 18h, no Baenão, somará 13 pontos em caso de vitória e estará praticamente garantido. O mesmo ocorre com o PSC, que joga com o Tapajós, pela manhã, no estádio do Souza. O Papão pode chegar a 12 pontos, com um jogo a menos.

A Tuna faz uma campanha de recuperação, com duas vitórias consecutivas. Sem a mesma força do elenco de 2021, que garantiu a conquista do vice-campeonato, a Lusa aposta no combo juventude + experiência.

O Remo chega ao primeiro clássico ensaiando um modelo de jogo baseado em ataques rápidos, alternando lançamentos longos e triangulações. Funcionou bem contra o Itupiranga, mas só deu certo no 1º tempo diante do Tapajós. A marcação forte do time santareno criou problemas para o meio-campo do Leão, principalmente depois da saída de Gedoz.

No Souza, o PSC joga para consolidar a campanha 100%. Venceu todos os jogos sem sustos. A armação, com Ricardinho e José Aldo, municia um ataque ainda em evolução. Sem Henan, lesionado, Danrlei deve entrar jogando. O Tapajós perdeu o técnico Robson Melo, mas deve seguir com a postura de marcar muito e explorar a velocidade de seus atacantes.

A queda de Enderson e as dores da ingratidão

Enderson Moreira conduziu o Botafogo ao acesso à Série A e à conquista do Brasileiro. Teve papel exponencial na guinada que tirou o time das últimas colocações e conduziu à liderança absoluta. Acima de tudo, mostrou competência para agregar um elenco claramente mediano, coisa que seu antecessor Chamusca passou longe de alcançar.

Começou o Campeonato Carioca, um tradicional moedor de cabeças, e vieram os primeiros problemas deste novo patamar do Botafogo, agora um clube S.A. Ninguém que acompanha futebol e conhece a frieza das relações nutria grandes ilusões quanto à permanência da comissão técnica.

Ainda assim, o anúncio do desligamento de Enderson teve forte impacto junto ao torcedor botafoguense. O sentimento de gratidão foi fulminado pela demissão sumária, fria como lâmina, fato agravado pela explicação adicional de que é necessário avançar para outro nível.

Enderson certamente está calejado pelas agruras de uma profissão sempre sob ameaça. Talvez o proprietário do clube, John Textor, esteja certíssimo em querer um técnico estrangeiro, mas um botafoguense-raiz jamais deixará de ver esse desfecho com uma ponta de tristeza e impotência. 

(Coluna publicada na edição do Bola deste domingo, 13)

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