A paixão que desbotou

POR GERSON NOGUEIRA

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Faz algum tempo já que o futebol vem perdendo pontos junto à massa, derrapando aos poucos na escala de popularidade. É uma realidade palpável, que pode ser medida com uma pesquisa informal dentro de casa ou na vizinhança. Sinal inequívoco desse progressivo desencanto é a falta de interesse pela Seleção Brasileira.

Aliás, a Seleção talvez seja o maior motivo de afastamento do torcedor. Até mesmo quem sempre acompanhou o escrete demonstra cansaço ou tédio. Aqui mesmo neste espaço já desabafei várias vezes quando ao enfado com os jogos do Brasil nas Eliminatórias. Não é pinimba apenas com as quedas e tolices de Neymar. Vai muito além disso.

Começou lá atrás, quando o Brasil se agarrou ao anti-jogo, a partir da estratégia do medo defendida por treinadores acovardados. A trinca Zagallo, Parreira e Lazaroni estão na origem do problema a partir da Copa de 1974. Cautela passou a ser característica de um time que sempre encantou pela ousadia dos dribles e a alegria dos gols. 

Desde a Copa da Alemanha foram disputadas 12 Mundiais e o Brasil só ganhou duas. Mesmo quando saiu vitorioso, em 1994 e 2002, o jogo jamais foi tão brilhante como nas três primeiras conquistas. De maneira geral, a Seleção sempre reflete o futebol praticado no país e a escassez de novos craques.

Aliás, as recentes premiações da Fifa escancaram essa estiagem de talento. Há 14 anos que o Brasil só é coadjuvante ou plateia nas festas de entrega anual do Prêmio The Best. As causas do problema são, portanto, bem mais profundas e não é difícil entender as razões da decadência atual.

Pesquisa publicada ontem pelo Observatório Febraban-Ipespe retrata em números objetivos o grau de desinteresse da população brasileira pelo futebol, situação que se acentua ainda mais na Região Norte, por motivos ainda mais peculiares. O levantamento foi realizado entre 19 a 27 de novembro, com 3 mil pessoas nas cinco regiões do país.

No Norte, quando perguntados sobre qual o melhor símbolo para traduzir o Brasil hoje, 65% dos entrevistados disseram que a natureza é a definição mais precisa do país. Em seguida, os símbolos escolhidos foram o povo (27%) e o futebol, citado por 20% dos entrevistados.

Quanto aos temas que mais irão mobilizar as pessoas em 2022, ano de Copa do Mundo, questões econômicas (desemprego e inflação) foram apontadas por 57% das pessoas, seguidas pelas eleições, com 40%. Os problemas sociais (fome, pobreza, desigualdade) vêm a seguir, com 26%. Curiosamente, apenas 16% da população considera que a Copa será o tema que mais vai movimentar 2022.

Houve tempo em que ano de Copa do Mundo era sagrado. A expectativa da torcida tinha início um ano antes. Esse ardor cívico-boleiro não resistiu às seguidas frustrações com o escrete, das quais a mais reluzente foi o vexame monstruoso diante da Alemanha (7 a 1 em Belo Horizonte) na Copa de 2014, realizada no país. Paciência, afinal, tem limites.

Mané & Elza: o casal estrelado que encantou o Brasil

Elza Soares, a voz mais intensamente marcante da música brasileira, partiu ontem, aos 91 anos. Quando alguém com carreira tão gloriosa deixa este mundo, não há motivo para lamentos ou tristezas. Por mais de 60 anos Elza fez a alegria de tantos. Todos ganhamos com sua arte, é hora de festejar tudo que ela deu ao mundo.

Quis o destino, com suas réguas próprias, que a morte de Elza fosse no mesmo dia e mês da morte de seu amado Mané Garrincha, a Alegria do Povo por outros motivos. O botafoguense Mané morreu há 39 anos. Em vida, como se sabe, o casal foi muito perseguido. Elza quase foi apedrejada nas ruas, xingada e achincalhada em pleno regime militar no Brasil. Teve gana e fibra para se manter de pé.

O tempo, senhor absoluto da razão, se encarregou de mostrar que ela e Mané eram muito maiores que seus detratores, imensamente maiores. Um clarão no céu se abre para que a cantora e o craque descansem em paz.

Carlitinho, um médio-volante que marcou época

Carlos Alberto era um habilidoso médio-volante, como se dizia até o final dos anos 60. Conhecido pela torcida remista como Carlitinho, fez dupla histórica com Sirotheau e foi titular ao longo de pelo menos quatro temporadas. Foi campeão estadual e também conquistou as Copas Norte de 1968, 1969 e 1971.

Carlitinho morreu ontem, aos 76 anos, em Castanhal. Além do Remo, defendeu a camisa aurinegra do Japiim, sempre naquela faixa de campo à época chamada de meia-cancha. Jogou muita bola.

Em busca de entrosamento, Leão vence 2º amistoso

O Remo fez o segundo jogo-treino da pré-temporada, ontem, derrotando a seleção de Parauapebas por 1 a 0. O gol foi do zagueiro Kevem desviando cruzamento de Felipe Gedoz. Pouco foi possível avaliar em cima do desempenho do time que iniciou a partida. Movimentação ainda contida, pouca participação dos laterais e ataque que ainda carece de entrosamento.

Tudo dentro da normalidade, apesar da rispidez de algumas jogadas. O Remo treina há 10 dias, e não houve tempo para um repertório mais variado de jogadas. A rigor, a tendência é de que tudo passe a funcionar melhor – para todos os times – a partir da 3ª rodada do Parazão.

Há, no caso azulino, a impressão de que um lugar no ataque está reservado para o recém-contratado Brenner, investimento mais vultoso do clube neste começo de temporada. Por óbvio, muita coisa tende a mudar no setor avançado da equipe a partir da entrada de um novo centroavante. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta sexta-feira, 21)

3 comentários em “A paixão que desbotou

  1. Time fraquissimo, sou realista, pelo que vi vai ter muita dificuldade com os times do interior, jogadores que vieram fazer teste pra ver se dar certo, ai vem a diretoria e comissão técnica dizer que o time é jovem, vai ter muita intensidade e correr muito, hora, se é para correr, contrata atletas de de atletismo que correm muito mais que os pernas de pau que contrataram. Te dizer! Ainda dá tempo seu Bonamigo e diretoria, com Fábio Bentes de corrigir tudo isso.

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