Andrew Jennings: o repórter que derrotou Havelange, Blatter, Teixeira e outros corruptos do futebol

CONVERSA PÚBLICA com Andrew Jennings, inimigo número 1 da FIFA - Agência  Pública

Por Jamil Chade

Morreu no dia 8 de janeiro o jornalista britânico Andrew Jennings. Seu trabalho pioneiro sobre a estrutura do poder no futebol e no COI revelou as entranhas da corrupção e foi um marco na denúncia sobre o funcionamento das organizações que comandam o esporte. Em suas redes sociais, a causa da morte não foi detalhada, apenas indicando que ele sofreu de uma “doença repentina e breve”.

Jennings, ao longo de sua vida, investigou o envolvimento britânico no Irã, a máfia na Chechênia e outros temas polêmicos. Nascido em 1942, o repórter começou a chamar a atenção no final dos anos 60, ainda no Sunday Times. Em 1986, já na BBC, a rede de televisão se recusou a difundir um documentário realizado por ele sobre as entranhas da Scotland Yard. O material acabou se transformando em um livro, com um impacto grande.

No esporte, Jennings abriu as portas a um jornalismo que não se conformava em apenas entreter milhões de torcedores. Sua contribuição no caso brasileiro também foi significativa. Foi com base em uma de suas investigações que o esquema de corrupção montado por João Havelange na Fifa passou a ser alvo de atenção internacional. Parte de seu trabalho também foi direcionado à gestão de Ricardo Teixeira, ex-presidente da CBF, além de nomes como Sepp Blatter, Nicolás Leoz e outros cartolas.

No caso brasileiro, antes da Copa de 2014, Jennings fez um apelo: “chegou a hora de o governo dizer para a Fifa: vocês fedem”. Já na CPI do Futebol, em 2015, ele alertou que “a Fifa e a CBF são entidades podres e que precisam urgentemente de um novo estatuto para que elas não tomem mais o dinheiro das pessoas”, afirmou Jennings.

Em 1992, seu livro “The Lords of the Rings: Power, Money and Drugs in the Modern Olympics” sacudiu a família olímpica, gerou a queda de cartolas, abriu uma crise e obrigou o COI a realizar uma reforma profunda. Considerado por muitos como um divisor de águas na imprensa esportiva, Jennings inspirou uma geração inteira de jornalistas.

No dia em que a Fifa foi alvo de uma operação policial, em 27 de maio de 2015, consegui falar logo pela manhã com ele, que estava em sua fazendo no norte da Inglaterra. Sua reação foi simples: “finalmente”.

Thanks, Andy, and rest in power.

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