Os caminhos da formação

POR GERSON NOGUEIRA

Recentes declarações de Roni e seu empresário, negando que o jogador tenha sido formado pelo Remo, reabriram o debate sobre as divisões de base e as deficiências da formação de atletas no futebol do Pará. Segundo os termos estabelecidos na Lei Pelé, o clube formador tem o direito de assinar contrato com o atleta a partir de 16 anos de idade – é o chamado primeiro contrato especial de trabalho desportivo.

Alguns requisitos, discriminados na Lei Pelé, devem ser seguidos à risca para que os clubes recebam da CBF o certificado (CCF). A finalidade é intitular a agremiação a pleitear a indenização por formação estabelecida na legislação e normas nacionais.

O problema é que a maioria dos clubes profissionais registrados (800) e em atividade no Brasil não tem estrutura para se habilitar à certificação, que é renovada anualmente. É obrigatório o investimento nas categorias de base, com a garantia de formação adequada (técnica e social) dos atletas.

Nesse ponto, o atacante do Palmeiras e seu tutor têm razão em dizer que o Remo não é exatamente responsável por sua formação, embora tenha sido fundamental para que o jogador ficasse conhecido e se valorizasse no mercado. A verdade é que Roni não foi formado como a lei preconiza. Teve apoio de baluartes, como é praxe no futebol paraense há décadas.

destaque-501409-roni-remo - Rádio Clube do Pará

Como é de conhecimento público, Roni desistiu após a primeira tentativa no clube e só voltou ao Baenão a pedido de Walter Lima, passando então a ser melhor observado e firmando contrato de jogador profissional.

Depois de se destacar no Campeonato Paraense, o atacante adquiriu visibilidade, mas o Remo não lucrou inicialmente com ele. Brechas legais permitidas pelo clube – e que não passam incólumes a agentes externos – oportunizaram sua saída, às vésperas da final da Copa Verde 2015.  

Para o grande público, a importância da certificação só fica bem clara quando transações envolvendo atletas rendem o pagamento de indenização, às vezes vultosas, aos clubes formadores. Na origem de tudo, está o primeiro contrato assinado entre clube e atleta. O instrumento dá garantias a ambos e a preferência (ao clube) na hora de renovar.

Muitos dos nossos clubes já tiveram o certificado de clube formador, inclusive a Desportiva, mas deixaram de ostentar essa condição após algum tempo. É fundamental que se habilitem, dedicando investimento e trabalho às categorias de base, até para evitar o desprazer de ver a história – como no episódio Roni – recontada de forma negativa.

Na prática, todo o esforço de modernização do futebol brasileiro deveria começar obrigatoriamente pelos cuidados com a formação de atletas. A certificação é um passo importante, capaz de levar a avanços prodigiosos, mas não é panaceia para todos os males.

O fato é que os pontos obscuros da narrativa sobre a passagem de Roni no Remo esperam por luzes esclarecedoras. Não se conhece sequer o valor real do acordo firmado pelo presidente da época, Pedro Minowa, para liberar o jogador em meio a uma transação com tintas cercadas de mistério – até hoje os números não entraram nos balancetes do clube.

Bola na Torre

Guilherme Guerreiro apresenta o programa, a partir das 19h15, na RBATV. Participação de Giuseppe Tommaso e deste escriba de Baião. Em pauta, os reforços dos clubes e as projeções para o Campeonato Paraense 2022. A edição é de Lourdes Cézar.

FPF: promessa de eleição acirrada e turbulenta

Três chapas estão inscritas para disputar a cobiçada cadeira da presidência da Federação Paraense de Futebol no próximo dia 28 de dezembro. A entidade, cuja missão institucional é administrar e ordenar o futebol no Estado, não tem fins lucrativos, mas guarda os encantos do poder.

Na 13ª posição no ranking nacional de federações, a FPF tem longo caminho de recuperação a percorrer. A possibilidade de renovação passa por duas chapas de oposição, que têm propostas e objetivos diferentes.

Uma tem Ricardo Gluck Paul, ex-presidente do PSC, como candidato. Investe no projeto de estadualização do futebol, com apoio de ligas e clubes do interior. A outra é encabeçada por Paulo Romano e conta com o apoio do coronel Antônio Carlos Nunes, vice-presidente da CBF e com forte influência dentro da FPF.  

A chapa do atual presidente, Adelcio Torres, tem como bandeira adotar parcerias e sanear financeiramente a entidade, mas existem embaraços a vencer. Há controvérsias sobre a legalidade da candidatura, pois o estatuto da federação só permite uma reeleição.

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Pep Guardiola: entre a racionalidade e a fúria

Um inventário da passagem de Pep Guardiola pelo Bayern de Munique. Uma aula sobre a obsessão do jovem técnico catalão por um modelo de jogo vitorioso e ao mesmo tempo com um pé no futebol clássico. Martí Perarnau, jornalista espanhol, teve o privilégio de testemunhar de perto todas as ações de Pep no tradicional clube alemão.

Perarnau narra, em “Guardiola Confidencial – Um ano dentro do Bayern de Munique acompanhando de perto o técnico que mudou o futebol para sempre”, de 2015, como Guardiola se lança de cabeça no projeto de repetir no Bayern as glórias conquistadas no Barcelona.

O treinador não conseguiu tudo, como se sabe, mas o legado é admirável. Finalizei num tapa as 400 e poucas páginas do livro, abismado tanto com o apurado poder de observação de Martí quanto com as histórias do dia a dia do gigante Bayern.

Com passe livre para transitar entre jogadores e preparadores, Perarnau não nega fogo. Montou um mosaico admirável sobre a persona do técnico e seus métodos de gestão, com o mérito de desfazer alguns mitos sobre Guardiola. Um trabalho monumental. Recomendo. 

(Coluna publicada na edição do Bola deste domingo, 19)

Um comentário em “Os caminhos da formação

  1. Quanto a essas chapas à presidência da FPF, eu, na qualidade de azulino, só tenho a lamentar e a me preocupar. Não há nada tão ruim no Brasil que não possa piorar.
    Depois de Euclides Freitas e Nunes de Lima, não vejo esperanças de neutralidade aí nesses nomes.
    Quase a mesma coisa de elegerem o falecido contraventor Miguel A. Pinho para o cargo.

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