Ranking da CBF expõe realidade

POR GERSON NOGUEIRA

VÍDEO: assista aos melhores momentos de Paysandu 2 x 2 Clube do Remo | copa  verde | ge

Saiu o ranking nacional de clubes. É como o boletim escolar de final de ano, revelador das realidades. Os dois gigantes paraenses aparecem em posições opostas. O Papão perdeu colocações e é o 40º, com 3.498 pontos, 175 atrás do Londrina, que é o 39º. O Remo cresceu, ficando apenas duas posições atrás do rival, em 42º, com 3.244 pontos, cinco atrás do Figueirense (41º).

Mesmo levando em conta todos os percalços vividos por ambos nos últimos anos, o desempenho da dupla paraense podia ser melhor do que é, principalmente quanto ao PSC, que caiu cinco posições em relação a 2021. No ranking do ano passado, ocupava a 35ª posição, com 4.120 pontos.

O levantamento mostra que o Papão, após ter permanecido na Série C pelo terceiro ano consecutivo, acabou ultrapassado por Londrina, Náutico, Guarani, Brasil e Criciúma. A queda alviceleste é ainda mais significativa se considerarmos que há sete anos o clube era o 26º colocado.

Em situação oposta, após subir para a Série B no ano passado, o Remo saltou da 50ª colocação para a 42ª ultrapassando oito clubes – Botafogo-PB, Oeste, Confiança, Brusque, Santa Cruz, Botafogo-SP, ABC e Tombense. No duro período de sete anos sem divisão, o Remo chegou a ficar atrás do Águia de Marabá no ranking.

É importante observar que o ranking foi remodelado em 2013 passando a ter a configuração atual, centrada em competições nacionais realizadas desde então, para azar de Remo e PSC – principalmente este, cuja conquista da Copa dos Campeões e brilhante campanha na Libertadores 2003 ficaram para trás. O título brasileiro do Remo na Série C 2005 também não é levado em consideração.

Os demais clubes paraenses ranqueados aparecem depois dos 100 melhores: Bragantino (106º), São Raimundo (120º), Castanhal (123º), Independente (125º), Paragominas (140º) e São Francisco (216º).

No ranking das federações, que é importante para definir vagas nas competições nacionais, a FPF também perdeu espaço nos últimos anos. Está agora em 13º lugar, com 8.967 pontos, distante 1.924 pontos da Matogrossense (12ª), menor em tradição e conquistas.   

Quando a arbitragem era inimiga do futebol

Quem reclama de arbitragem no Brasil de hoje não sabe o que diz. É preciso rever alguns arquivos e, em particular, os vídeos no YouTube mostrando a vergonhosa atuação de José Assis Aragão na decisão entre Flamengo e Atlético-MG no Maracanã, em junho de 1980. Pela TV, o país viu o apitador garfar escandalosamente o Galo.

A marcação de um impedimento inacreditável, com Palhinha quase dois metros da linha de defesa, impediu o que seria o terceiro gol atleticano já na segunda etapa. O placar apontava 2 a 2, com Reinaldo marcando os gols do Galo, apesar de caçado em campo por Rondinelli e até por Andrade, um volante de boa técnica.

Eram tempos difíceis, em plena ditadura militar, com o general João Figueiredo, aquele que amava cavalos, nas tribunas dizendo que ia torcer pelo clube mais querido do país. Aragão levou a sério a coisa e meteu a mão, com vontade e método.

Para coroar o desastre, ele expulsou Reinaldo, melhor homem em campo e justamente a maior vítima da violência naquela final. Procópio, técnico do Galo, até hoje aponta o dedo para Aragão. E lembra, com razão, que aquele timaço do Flamengo não precisava de ajuda externa.

Treinado por Claudio Coutinho, o Fla alinhava simplesmente Raul, Adílio, Andrade, Carpegiani, Tita, Zico, Nunes. Era o time que seria campeão do mundo no ano seguinte. O Galo não ficava atrás, com João Leite, Luisinho, Cerezo, Palhinha, Reinaldo e Éder.

Era para ter sido a final inesquecível pelos motivos justos, a técnica e a categoria dos times, mas passou para a história pela criminosa participação de um árbitro venal. Relembrei esse capítulo triste do futebol ao assistir, ontem, o documentário que conta a história do Galo.

Direto do blog campeão

“Gerson, o Remo começou bem o planejamento para 2022. A volta do Bonamigo é animadora. A presença do João Galvão é excelente: estudioso do futebol, conhecedor de valores do nosso interior, será um observador útil, sobretudo na primeira etapa do Parazão. Precisamos garimpar valores da região. Apenas como torcedor aflito, festejo as decisões da Diretoria. Time de raça e qualidade, sem loucuras é o que todos os remistas esperam. Abração”. Ronaldo Passarinho

“Enquanto isso, na Curuzu, teremos em 2022 novos executivos, coordenador e treinador, mas o ‘elenco dos sonhos’, da mesma Diretoria de 2021, é formar outro sucatão com jogadores sub-40. (…) Exemplo: perfil de Henan em 2021 – 40 jogos na temporada; 5 gols marcados: 3 no primeiro semestre, 2 no segundo semestre (um contra o Paysandú…); marcou em apenas 12,5% dos jogos; minutos jogados: 2.090 (média: 52,25 min); em apenas 4 jogos aguentou 90 minutos; e completará 35 anos em 03/04/2022”. George Carvalho

“Discordo de muitos torcedores mais jovens que têm o hábito de dizer ‘isso foi a pior coisa’ ou ‘foi a melhor coisa’ ou ‘fulano foi péssimo…’. Isso ocorreu recentemente em função do fracasso azulino no Campeonato Brasileiro. ‘F. Bentes se escondeu e só apareceu agora quando o Remo ganhou a CV’. De nada adiantaria, depois do jogo contra o Confiança, o presidente, quando todos ainda estavam de cabeça quente, inclusive ele, vir a público. O Remo ainda tinha uma competição em disputa e uma fala mal colocada só prejudicaria”. Antônio Valentim

(Coluna publicada na edição do Bola desta sexta-feira, 17)

Um comentário em “Ranking da CBF expõe realidade

  1. Obrigado, amigo Gerson Nogueira, pela exposição do meu comentário.

    Em geral, quando nós nos expressamos de forma sincera acabamos por sofrer hostilidades de quem pensa diferente. Foi o que ocorreu recentemente comigo no Twitter, quando defendi – parcialmente, bem dizendo – o presidente F. Bentes, do Clube do Remo.

    Mas a verdade é que são extremadas as opiniões num setor que envolve paixões, como o futebol profissional. Se ganhou, está tudo ótimo; se perdeu, é tudo péssimo; por isso, tem que mudar todo o time, mudar o técnico, mudar diretoria… Vi que há alguns “remistas” que torciam até o Remo perder a Copa Verde, pois assim tinham munição para pedir a cabeça do presidente azulino. Incrível isso!
    Eu, como azulino, torci até para as administrações de Klautau e Pirão darem certo, quanto mais quando chega alguém disposto a fazer uma administração séria e restauradora.

    Ganhou, ótimo; isso não obscurece a realidade. Perdeu, vida que segue e que venha o próximo jogo e a competição seguinte.

    Não torço por pessoas e sim pela instituição Clube do Remo, e isso não de agora, mas há mais de 50 anos, desde Rubilota, Aranha, Neves, Alcino, Dico, Júlio César, Bira, François…
    Há muito jovem que não compreende isso.

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