O tri da Libertadores palmeirense na bola e no coração

Por Juca Kfouri, no UOL

6 minutos no Estádio Centenário mais rubro-negro que alviverde. O Palmeiras parece mais nervoso e o Flamengo mais ofensivo. Então, Gustavo Gómez estica a bola para Mayke que vai ao fundo para cruzar e Raphael Veiga aproveitar e fazer 1 a 0, por baixo de Diego Alves.

Abel Ferreira teve a coragem de escalar Gustavo Scarpa e deixar Felipe Melo no banco.

O Palmeiras se defendia muito bem e atacava com mais perigo que o Flamengo, incapaz de levar perigo ao gol de Weverton. Filipe Luís se machucou e Renê entrou, aos 30′. O Verdão era senhor do jogo como determinação e imposição física.

Só aos 42′ o Flamengo teve chance real de empatar, quando Weverton evitou o gol de Arrascaeta. A sensação era a de que os paulistas foram a Montevidéu a trabalho e os cariocas a passeio.

Como Breno Lopes, na final passada, o improvável Mayke era decisivo ao dar o passe para o gol. O rubro-negro otimista confiava na virada como em 2019 contra o River Plate. E em Michael.

O alviverde realista acreditava na capacidade da defesa que ninguém passa e na bola que Danilo estava jogando, por ele e por Felipe Melo. Em dois minutos iniciais do segundo tempo, por duas vezes, Gabigol teve a chance do empate. Mas Michael seguia no banco.

O Flamengo parecia ter acordado. Rony respondeu em seguida para bela defesa de Diego Alves. Aos 55′ foi a vez de Weverton tirar o doce dos pés de David Luiz.

O jogo era digno da decisão. Muito bom mesmo! Aos 59′, Bruno Henrique, tirou lasca da trave, de cabeça. Aos 62′, Michael no lugar de Everton Ribeiro. O baiano Danilo, 20 anos, um gigante, teve de sair aos 68′, trocado por Patrick de Paula, 22.

Então, Arrascaeta, outro gigante, trocou passe com Gabigol e o artilheiro empatou 1 a 1, aos 72′, ao bater rente à trave e Weverton não conseguiu defender.

Pelo segundo tempo era justo, porque o Palmeiras aceitou demais o domínio flamenguista. Imediatamente Wesley entrou em lugar de Dudu, para surpresa geral, e Matheuzinho substituiu Isla, para surpresa de ninguém.

O Flamengo não poderia trocar mais ninguém e Daniel Barbosa entrou no lugar de Zé Rafael, esgotado Se houver prorrogação será difícil que 22 jogadores a terminem.

Aos 85′, o inacreditável: Arrascaeta descobriu Michael na área e deu a virada de presente, mas ele a jogou para fora, no primeiro gol verdadeiramente perdido da decisão. Com o que, veio a prorrogação. Era quase desumano e era inteiramente sobre-humano.

Deyverson e Kenedy nos lugares de Raphael Veiga e Bruno Henrique, nos dois ataques.

E aos 94′, Andreas Pereira resolveu presentear Deyverson e o palmeirense agradeceu para fazer 2 a 1. Coisa de louco. Andreas tropicou na grama, perdeu o tempo de uma bola dominada e permitiu o desarme de maneira estarrecedora.

Ninguém merecia errar desse jeito, mas é a vida. Gabigol teve a possibilidade de empatar em seguida, mas mandou por cima. E vieram os 15 minutos finais da prorrogação.

Com eles vieram, de cara, Gabriel Menino, no lugar de Mayke e, depois, aos 110′, Vitinho e Pedro, nos lugares de Arrascaeta e Andreas Pereira. Felipe Melo, para cumprir a palavra de Abel Ferreira, foi para o jogo, aos 112′, no lugar de Piquerez, de maca.

No 10° jogo da escrita, o Palmeiras derrotava o Flamengo no jogo mais importante da série para ser tricampeão da Libertadores.

E sem contestação.

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