Agora basta uma vitória

POR GERSON NOGUEIRA

Lucas Siqueira — Foto: Samara Miranda/Ascom Remo

O Remo teve a melhor notícia da semana ontem à noite com o triunfo do CRB sobre o Vitória, por 3 a 1, valendo pela 37ª rodada do Brasileiro da Série B. O resultado deixa o time paraense à frente de Londrina e Vitória na classificação. No domingo, contra o Confiança, a vitória garante a permanência na competição, sem depender de outros resultados.

A partida teve um começo preocupante para os azulinos. O CRB marcou logo a um minuto, mas cedeu o empate ainda no 1º tempo para um Vitória ofensivo e determinado, que chutou muito mais a gol e rondou o tempo todo a área regateana. Na etapa final, o CRB melhorou e fechou o placar em 3 a 1, para alívio do Fenômeno Azul.

Cabe lembrar que todo esse desassossego poderia ter sido evitado. O Remo entrou no segundo turno da Série B em condições de atingir a meta da permanência sem maiores atropelos. Ocorre que um conjunto de fatores contribuiu para a queda técnica vertiginosa da equipe.

Uma série impressionante de lesões se abateu sobre o elenco. Jogadores titulares ficaram ausentes de vários jogos, quebrando o entrosamento e travando a evolução da equipe. Erick Flores, Romércio, Wellington, Uchoa, Igor, Lucas Siqueira, Jefferson, Vinícius, Pingo e Tocantins foram alguns dos que desfalcaram o Remo em momentos cruciais da competição.

Esse problema gerou outro. O técnico Felipe Conceição, que havia conseguido recolocar o time na disputa após a saída de Paulo Bonamigo, viu-se obrigado a improvisar ou fazer apostas que não funcionavam a contento. O meio-de-campo acabou refletindo muito essa oscilação.

Com Erick Flores, o time tinha recomposição e transição bem executadas. Sem ele, o setor passou a depender de Artur e Lucas Siqueira se alternando no papel de apoio aos laterais e aproximação com o ataque. Não deu certo. Pior que isso: o mau funcionamento do setor não foi sanado por Conceição, que seguiu teimosamente com as mesmas peças.

No ataque, o uso de Gedoz como falso 9 foi um artifício para esconder uma fragilidade: a falta de um centroavante definidor. Renan Gorne não teve sequência e o camisa 10 passou a ser utilizado como o jogador de chegada pelo centro, situação que poucas vezes funcionou de verdade.

Com Eduardo Baptista, mesmo em curtíssimo tempo de trabalho, o Remo ganhou outra feição. Saiu de cena a obsessão pela posse de bola e entrou em pauta a objetividade. Para isso, contribui a volta de Erick Flores, justamente a maior baixa do elenco, que ficou 80 dias em recuperação.

O melhor momento do novo Remo foi o jogo com o Vasco no Rio, quando o time esteve muito perto de voltar a vencer, com grande produção ofensiva no primeiro tempo. É esse modelo que deve ser aperfeiçoado nos treinos da semana para a decisão do ano, domingo, diante do Confiança.

Antes, porém, o Leão tem o Manaus como obstáculo na Copa Verde. O time será alternativo e as dificuldades se mantêm, mas o ânimo geral no Baenão foi renovado graças ao resultado obtido pelo CRB ontem. (Foto: Samara Miranda/Ascom Remo)

A primeira conquista de um clube que tem causas

O Amazônia Independente, clube caçula na disputa da Série B do Campeonato Paraense, obteve no último domingo (20) o acesso à primeira divisão do futebol paraense. Derrotou o Pedreira por 2 a 0 na semifinal da competição, garantindo automaticamente presença no Parazão 2022.

É um feito e tanto. A disputa é cada vez mais equilibrada e difícil no torneio de acesso. O Amazônia Independente foi fundado pelo técnico Walter Lima, profissional respeitado pelo bom trabalho realizado em vários clubes paraenses, incluindo Remo, São Raimundo e Desportiva.

Não é um clube qualquer. Tem princípios, causas e objetivos bem definidos. Defende a sustentabilidade e a independência dos povos nativos da floresta amazônica. Essas bandeiras estão expostas no próprio uniforme do Amazônia, no qual o verde das matas é a cor predominante.  

O time é dirigido por Mateus Lima, filho do presidente e fundador Waltinho, legítimo seguidor de sua filosofia singular e pouco comum no universo do futebol profissional.  

Esta é a primeira participação do Amazônia em uma competição oficial. Com sede em Santarém, o time faz seus jogos no CT da Desportiva, em Marituba. Em 10 partidas, foram sete vitórias, dois empates e uma derrota.

Com o acesso assegurado, o Amazônia sonha agora em levantar a primeira taça. Na decisão do título da Série B, o adversário sairá da disputa entre Caeté e Parauapebas ou São Raimundo.

A definição do outro semifinalista acontece hoje, no Tribunal de Justiça Desportiva, em julgamento de recurso do São Raimundo contra o Parauapebas, que escalou um jogador que deveria cumprir suspensão.

Papão tem motivo para festejar acesso do Goiás

O Goiás fez a festa do acesso ontem em Campinas e o PSC tem motivos para comemorar também. O empréstimo do atacante Nicolas ao time goiano prevê bonificação de R$ 800 mil em caso de classificação à Série A. O valor, somado a parcelas já pagas, ultrapassa R$ 1 milhão.

Nicolas foi cedido ao Goiás no começo do ano. A preferência de compra é do alviverde com prazo até dezembro de 2022, quando também se encerra o vínculo do jogador com o PSC. Ontem, diante do Guarani, Nicolas deixou sua marca marcando de cabeça o segundo gol do Goiás. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta terça-feira, 23)

5 comentários em “Agora basta uma vitória

  1. Bom dia!! embora torcedora apaixonada do Vasco, minha saudosa sogrinha era do Amazonas, de Manaus , e tinha irmãos que moravam no Pará. Aprendi quando casada a ouvir falar muito no Clib do Remo, pois eles eram torcedores e mandavam noticias de la. Moro no Rio de Janeiro e confesso que torço para que o Remo nao caia.

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  2. Gerson, o Remo está neste sufoco pq deixou escapar pontos preciosos durante esta competição. Contra o próprio CRB nós ganhávamos de 2 a 0 e deixamos empatar igual ao Vasco. Contra o Nautico em Recife 1 a 1, contra o horrível time do brusque perdemos de 3 a 1 após sair ganhando. Enfim, espero sinceramente e vou ao estádio conferir, que o Remo vença de 1/2 a zero, e fuja desta Z4, pois 3a divisão não é pra time grande.

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